O ex-governador Wilson Witzel lançou nesta terça-feira, 9, sua pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro. Ele concorrerá pelo partido Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), cuja sede na capital carioca recebeu o evento de lançamento.
Wilson Witzel está de volta à política após sofrer um impeachment - ação inédita para governador desde a redemocratização - e passar cinco anos inelegível.
Ele foi afastado em 2021 após ser apontado como o comandante de um esquema de desvio de verbas da saúde. O ex-governador foi acusado de desviar verbas, inclusive, de hospitais de campanha que tratavam pacientes com Covid-19.
A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) afirmava que, a partir da eleição de Witzel, formou-se uma organização criminosa que disputava poder "mediante pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos". A denúncia citava, ainda, uma "caixinha de propina".
Por 10 votos a 0, o Tribunal Especial Misto (TEM), composto por desembargadores e deputados estaduais, aprovou o impeachment de Witzel. Além da destituição do cargo, o tribunal declarou o ex-governador como inabilitado para o exercício de funções públicas até 2026. A decisão sobre a inelegibilidade foi aprovada por nove votos a favor de uma suspensão de cinco anos e um voto por um afastamento de quatro anos da vida pública.
Quem assumiu o governo após o impeachment de Witzel foi seu vice: o também ex-governador Cláudio Castro - também inelegível e fora do cargo por envolvimento em um outro escândalo de corrupção.
Wilson Witzel foi eleito em 2018 com apoio do então candidato ao senado Flávio Bolsonaro. Ele também colou no ex-presidente Jair Bolsonaro e adotou discurso semelhante, defendendo linha dura na segurança pública e combate à corrupção. O apoio da família Bolsonaro foi fundamental para a ascensão meteórica de Witzel, que começou nas pesquisas variando entre 1% e 4%.
Para este ano, a plataforma do candidato acena para bandeiras como: "segurança com tolerância zero - bandido com fuzil é terrorista"; "100 escolas cívico-militares"; "Secretaria Estadual de Capelania (fé como política pública)"; "valorização dos servidores públicos"; e "desenvolvimento para todo o estado, não só a capital".
Nas redes sociais, onde anunciou as bandeiras, Witzel publicou imagens do evento de lançamento da campanha. Um dos vídeos mostra uma sessão solene, em que berranteiro toca sinal sonoro do meio militar.
Na postagem, Witzel celebrou o retorno: "Eles me derrubaram, mas não me quebraram [...] o sistema tentou me calar. Mas juiz conhece a lei. Militar conhece a missão. E Deus conhece o meu coração".
Wilson Witzel é paulista, de Jundiaí, e concorreu a um cargo público pela primeira vez em 2018. É advogado e foi fuzileiro naval e juiz federal.
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