Eventos extremos no Sul do Brasil podem ficar 5 vezes mais frequentes até 2100, aponta estudo

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O Sul do Brasil deve registrar um aumento no número de eventos extremos ao longo deste século, aponta o estudo "Impacto da mudança climática nos recursos hídricos do Brasil", realizado pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA).

A região tem enfrentado tragédias às questões climáticas nos últimos anos. Em 2024, o Rio Grande do Sul sofreu a pior enchente de sua história, com 185 mortos e 2,4 milhões de afetados.

No início deste mês, a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, foi atingida por um tornado que deixou sete mortos e mais de 700 feridos. Desde o último sábado, 22, o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, enfrenta as consequências de chuvas intensas que afetaram pelo menos 33 municípios.

Impactos e probabilidade

O material prevê que o aumento dos eventos raros, cujo tempo de retorno é de 100 anos, será mais intenso do que o dos eventos frequentes, que têm tempo de retorno de até 10 anos.

O tempo de retorno é o período estatístico que indica a probabilidade de um evento extremo ocorrer - ou seja, a frequência com que ele pode se repetir. O conceito é usado para dimensionar obras hídricas e mapear riscos.

Potencial destrutivo

O crescimento das vazões máximas dos rios também deve intensificar as cheias. O Paraná enfrenta as piores projeções, com possibilidade de aumento de até 18% nas cheias frequentes e de 25% nas raras. Em Santa Catarina, o crescimento estimado é de 17% para ambos os tipos, enquanto no Rio Grande do Sul as frequentes devem aumentar 14% e as raras, 13%.

Segundo as projeções, esse aumento pode elevar o nível das cheias em até três metros em regiões de serra e entre 50 centímetros e um metro em regiões planas.

"A área inundada e a população afetada em cheias extremas seriam maiores, além do potencial acréscimo de destruição pelo escoamento da água com maior velocidade e profundidade" diz o estudo, organizado pelos pesquisadores Rodrigo Cauduro Dias de Paiva, Walter Collischonn, Saulo Aires de Souza e Alexandre Abdalla Araujo.

Essa situação pode fazer com que cheias extremas se tornem mais frequentes. "Isso significa que, por exemplo, um evento extremo que atualmente ocorre, em média, a cada 50 anos, no futuro poderá ocorrer, em média, a cada 10 anos, aumentando seus impactos negativos", explica o relatório.

Rio Grande do Sul

Entre os rios que devem registrar aumento das vazões máximas estão o Iguaçu e o Taquari. Os pesquisadores destacaram que regiões como o Vale do Taquari (RS) podem ter um aumento do potencial destrutivo das cheias, como já observado nos eventos de 2023 e 2024.

As chuvas máximas também devem aumentar na região, tanto no caso das chuvas rápidas, de até um dia de duração, quanto das chuvas longas, que duram até 20 dias.

No Rio Grande do Sul, as chuvas curtas podem subir 15% nas frequentes e a 18% nas raras. Para as chuvas longas, o crescimento previsto é de 10% nas frequentes e 11% nas raras.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante: as chuvas curtas podem aumentar 14% nas frequentes e 16% nas raras, enquanto as chuvas longas devem subir 11% e 15%, respectivamente.

Paraná

No Paraná, o aumento nas chuvas curtas deve ser de 12% nas frequentes e de 15% nas raras, enquanto as chuvas longas devem crescer 8,5% nas frequentes e 13% nas raras.

A precipitação média anual no Sul também deve aumentar até 10% ao longo deste século. No Rio Grande do Sul, crescimento pode chegar a 4,8%, e em Santa Catarina, a 4,7%.

O Paraná é o único Estado da região com previsão de redução - cerca de 2% -, tendência semelhante à observada no restante do País, onde a precipitação anual deve cair, com exceção do Ceará.

Seca também deve aumentar

Apesar da projeção de aumento das chuvas, os períodos de seca também serão um problema. O déficit hídrico em relação à vazão mínima de referência deve aumentar 143% no Paraná, com estimativa de 10 dias de estiagem; 83% em Santa Catarina, com cinco dias; e 42% no Rio Grande do Sul, com três dias.

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Para o setor de turismo no Brasil, o ano começa bem antes do Carnaval, com a alta temporada de verão. Mas a obrigatoriedade da nova Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH), preenchida digitalmente, vai ficar mesmo para depois da folia. Os hotéis têm até 19 de fevereiro para se adaptar ao estabelecido pela Portaria nº 41, do Ministério do Turismo (MTur), publicada no Diário Oficial da União em 21 de novembro. O texto dá 90 dias para os estabelecimentos seguirem a nova norma antes de ela de fato entrar em vigor. Desde que foi anunciada, em setembro, a medida foi bem recebida por empresas do segmento hoteleiro.

"Acreditamos que a digitalização vai agilizar check-in e check-out, reduzir burocracia e oferecer dados estratégicos em tempo real, fortalecendo a tomada de decisão e a competitividade do setor hoteleiro brasileiro", afirmou Orlando de Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), que reúne grandes redes hoteleiras que atuam no País.

A Resorts Brasil também vê a FNRH Digital de forma positiva, que "pode trazer mais agilidade e eficiência para hóspedes e empreendimentos". "A digitalização também tem potencial para gerar informações qualificadas, que podem subsidiar decisões estratégicas no setor e fortalecer políticas públicas", disse Marcelo Picka Van Roey, presidente do Conselho da Resorts Brasil.

Como será o registro digital em hotéis?

Ele substituirá a velha ficha em papel, passando seu uso a ser obrigatório em todos os meios de hospedagem do País quando estiver efetivamente valendo, a partir de 19 de fevereiro, a quinta-feira depois do Carnaval. Embora a medida ainda não esteja em vigor, clicando nestes links, hóspedes, meios de hospedagem e gestores de destinos já podem ter uma ideia do que vão encontrar no sistema.

Já é possível atualizar os dados cadastrais, informações que serão usadas futuramente em viagens. Na plataforma, existirá a possibilidade de fazer pré check-in, check-in e check-out, agilizando processos tanto para meios de hospedagem quanto para hóspedes.

Quando passa a valer a ficha digital?

A norma entra em vigor dentro de 90 dias após a data da publicação da portaria no Diário Oficial da União, o que ocorreu em 21 de novembro de 2025. O prazo foi dado para que os meios de hospedagem tenham tempo suficiente para se adaptar ao novo formato digital, sem prejuízos, alegou o Mtur.

Onde o hóspede irá preencher a ficha online?

Ele fará login na sua conta gov.br e lá encontrará o sistema, lançado em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Com ele, o governo federal alega que será possível identificar o perfil de turistas e monitorar as taxas de ocupação hoteleira em cada Região, colaborando para a produção de estatísticas oficiais e servindo de base para políticas públicas mais eficazes para o desenvolvimento do setor de turismo no Brasil.

"A digitalização tem potencial para gerar informações qualificadas, que podem subsidiar decisões estratégicas no setor e fortalecer políticas públicas", disse Marcelo Picka Van Roey, presidente do Conselho da Resorts Brasil.

Se o viajante estiver no hotel, poderá fazer o registro em papel?

Não, o Ministério do Turismo informou que, quando a medida estiver em vigor, "o uso da ficha em papel será descontinuado". Caso o hóspede faça o check-in no balcão do estabelecimento, "o preenchimento da FNRH poderá ser feito digitalmente pelo atendente, dispensando a necessidade de impressão e assinatura física".

Como os dados de estrangeiros serão registrados?

Os visitantes internacionais não têm conta no gov.br, mas seus dados entrarão no sistema por meio do check-in feito em aplicativo do meio de hospedagem ou pelo preenchimento no balcão do hotel, feito pelo funcionário da recepção.

Como serão adiantados check-in e check-out?

A plataforma FNRH Digital tem módulos para cada etapa: QR Code do meio de hospedagem, que direciona o hóspede à página de pré-check-in; Reservas, para a conexão entre o hóspede e a geração de QR Code; Hóspedes, para encontrar registros em estabelecimentos; e Fichas, com informações detalhadas de cada FNRH digital criada.

Antes de chegar ao hotel, o viajante poderá preencher seus dados e, depois, adiantar seu registro usando um QR Code, um link compartilhado ou o aplicativo do meio de hospedagem. Os dados já existentes em bases governamentais podem ser sugeridos pelo sistema para preenchimento automático.

Sistemas de hotéis poderão ser integrados à plataforma FNRH Digital por meio de credenciais seguras de autenticação (API, na sigla em inglês).

Por que a mudança é importante?

"Já existem empresas trabalhando nesse desafio (da digitalização), o que reforça que estamos diante de um movimento especial de inovação para a hotelaria brasileira. Ao mesmo tempo, é importante acompanhar a adesão das empresas e a integração com diferentes sistemas de gestão hoteleira, para garantir que os benefícios se concretizem na prática", ressaltou Roey, da Resorts Brasil. De acordo com o MTur, a padronização do registro de hóspedes online também gera estatísticas e indicadores do setor.

O filme Uma Vida - A História de Nicholas Winton estreou nesta sexta-feira, 28, no streaming HBO Max. O drama histórico, retrato emocionante de herói que salvou crianças do Holocausto estrelado por Anthony Hopkins, havia chegado timidamente ao catálogo do Prime Video no ano passado e aos poucos foi ganhando reconhecimento, migrando agora para outra plataforma.

O longa conta a história real e pouco conhecida de um herói da Segunda Guerra Mundial. A figura em questão é o empresário e humanitário inglês Nicholas Winton, que na iminência da invasão nazista à Checoslováquia, em 1938, conseguiu salvar mais de 600 crianças judias dos horrores do Holocausto.

Winton organizou oito trens que as levaram para a Inglaterra antes do início da Guerra. Ele armou a operação com a ajuda de sua mãe, que encontrava lares para as crianças no Reino Unido.

O filme se divide entre dois momentos: a vida adulta e a velhice do seu protagonista - ou seja, o período em que elaborou e executou seu plano com outros humanitários, e o instante em que enxerga com os próprios olhos as consequências positivas da sua atitude. Isso significa que Hopkins divide o personagem com Johnny Flynn (Emma).

O longa, que adapta o livro homônimo escrito pela filha de Winton, ainda conta com Helena Bonham Carter no papel da mãe do protagonista, Babi Winton, e Lena Olin como sua esposa, Grete Winton.

A Cahiers du Cinéma, uma das revistas de maior prestígio da crítica cinematográfica, divulgou nesta sexta-feira, 28, sua lista dos 10 melhores filmes de 2025. Na 4ª posição está O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho que também foi capa da nova edição da publicação francesa.

O documentário Tardes de Solidão (2024), que foi lançado nos cinemas franceses neste ano, encabeça o ranking.

Outro destaque da lista é Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, um dos fortes candidatos ao Oscar de Melhor Filme. Confira o top 10 a seguir:

Os melhores filmes de 2025, segundo a 'Cahiers du Cinéma'

1 - Tardes de Solidão (2024) de Albert Serra

2 - Uma Batalha Após A Outra (2025) de Paul Thomas Anderson

3 - Yes! (2025) de Navad Lapid

4 - O Agente Secreto (2025) de Kleber Mendonça Filho

5 - O Riso e a Faca (2025) de Pedro Pinho

6 - L'aventura (2025) de Sophie Letourneur

7 - 7 Walks with Mark Brown (2024) de Vincent Barré e Pierre Creton

8 - Nouvelle Vague (2025) de Richard Linklater

9 - Drifting Laurent (2025) de Matteo Eustachon, Léo Couture e Anton Balekdjian

10- Miroirs No. 3 (2025) de Christian Petzold