Ministério Público pede que Justiça suspenda corte de árvores na zona oeste de SP

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O Ministério Público de São Paulo defendeu a interrupção da derrubada das árvores na Avenida Guilherme Dumont Villares, na Vila Sônia, zona oeste da capital. Como mostrou o Estadão, a Prefeitura autorizou o corte de 384 árvores, incluindo 128 nativas, pela construtora Tenda no local. A retirada começou nesta quarta-feira, 26.

A Tenda afirma que o empreendimento foi devidamente aprovado pelo Município. Já a Prefeitura informa que as medidas compensatórias estão de acordo com a Lei do Licenciamento Ambiental. "A gestão segue trabalhando pela preservação e equilíbrio ambiental, com responsabilidade e com análise técnica rigorosa", afirma.

Para o promotor Marcelo Ferreira de Souza Netto, no entanto, "o processo tramitou sem possibilidade de consulta pública". Documentos do laudo ambiental do terreno, por exemplo, foram mantidos em sigilo, sem acesso à população.

"É possível que o ato administrativo que autorizou a supressão de 384 árvores seja ilegal e prejudicial ao meio ambiente, o que autoriza a concessão da pretendida liminar em nome do princípio da precaução ambiental. Isto porque, caso não seja suspenso, em pouco tempo, o conjunto arbóreo objeto terá sido removido, restando impossível sua reconstituição", afirma Souza Netto na recomendação enviada ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

O Ministério Público atendeu ao pedido de uma ação popular protocolada por parlamentares do PSOL - a deputada federal Luciene Cavalcanti, o deputado estadual Carlos Giannazi e o vereador Celso Gianazzi.

"A função do Poder Público é zelar pela integridade dos ecossistemas, garantir o uso sustentável e impedir a destruição de bens ambientais de relevância coletiva. Ao agir de forma oposta, a Prefeitura de São Paulo subverteu a lógica constitucional da tutela ambiental, transformando um dever jurídico em ato de destruição irreversível. O resultado é a supressão de um patrimônio natural de caráter coletivo e intergeracional, violando não apenas o direito das presentes gerações, mas também o das futuras", defendem os parlamentares do Psol na ação.

O termo de compensação ambiental firmado entre a empreiteira e a gestão municipal inclui o plantio de 221 mudas de espécies nativas, no terreno ou nos arredores do imóvel, além da transferência de aproximadamente R$ 2,5 milhões para o Fundo Especial do Meio Ambiente, usado para benfeitorias ambientais, principalmente em parques municipais.

Moradores reclamam do que chamam de "devastação" e apontam haver árvores centenárias, plantas frutíferas (como jabuticabeiras e amoreiras), macacos, saruês e tucanos no local.

A autorização para o corte das árvores foi concedida em maio e dura até outubro de 2026. O local foi adquirido pela empreiteira para a construção de um condomínio com quatro torres de nove andares e 708 apartamentos de cerca de 30 m².

Na fachada, um banner anuncia o empreendimento Max Vila Sônia. Uma placa informa sobre o manejo arbóreo e a autorização da Prefeitura. A remoção inclui:

128 árvores nativas

226 exóticas

5 espécies invasoras

25 consideradas mortas

Moradora do bairro há três décadas, a vice-diretora escolar Adriana Fuciji, de 58 anos, é vizinha do terreno. "São árvores maravilhosas, frondosas, que abrigam uma fauna rica. E vão destruir isso", diz. "Não é apenas o nosso bairro, mas um santuário vital para a biodiversidade da nossa cidade e um legado ambiental que precisamos preservar para as futuras gerações", diz.

Também morador da região e integrante do coletivo Fórum Verde Permanente de Parques, Praças e Áreas Verdes, o sociólogo Francisco Eduardo Bodião, de 55 anos, critica o que avalia como "grandes empreendimentos rifando a vegetação na cidade".

Para ele, a legislação é insuficiente para proteger a mata nativa. "O plantio é sempre de mudas que precisam de tempo para vingar e a maioria delas se perde. Não tem plano de acompanhamento desses plantios que seja satisfatório. As mudas são abandonadas à própria sorte, sem manutenção adequada."

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente diz que todas as mudas são avaliadas por equipe técnica da pasta no momento do certificado de conclusão das obrigações ambientais. "Esse processo assegura a efetividade das compensações e o equilíbrio ambiental", afirma.

Empreendimento de Habitação de Interesse Social

O condomínio Max Vila Sônia conta com incentivos municipais por ser uma construção destinada à população de baixa renda, com renda familiar de até seis salários mínimos. Das 708 unidades, 567 serão Habitação de Interesse Social e 141 Habitação de Mercado Popular, para moradores com renda familiar até dez salários mínimos.

Prefeito se irrita com protesto de moradores

Em 6 de novembro, após a Prefeitura autorizar a construtora Tegra a cortar 118 árvores no Bosque dos Salesianos, na Lapa, na zona oeste, moradores da região realizaram protesto durante evento do prefeito Ricardo Nunes (MDB) de entrega de ônibus movidos a energia limpa.

Os manifestantes levaram cartazes e gritaram palavras de ordem como "salvem o bosque", "fora Nunes" e "vergonha". O acordo de compensação ambiental prevê que a Incorporadora Tegra plante 1.799 mudas e revitalize quatro praças na região.

Nunes se irritou com o protesto e chegou a chamar os manifestantes de "mentirosos" e "sem respeito", descrevendo o ato como "primitivo".

"Houve uma ação judicial e a decisão é de que a empresa tem o direito de fazer o seu empreendimento. Foram atendidos todos os critérios da legislação", afirmou Nunes sobre a autorização para manejo arbóreo no Bosque dos Salesianos.

O prefeito defendeu que só neste ano a gestão plantou 120 mil mudas na cidade. "Precisamos comemorar o que a gente plantou, a entrega de 200 caminhões a biometano e mil elétricos e a ampliação da nossa área de mata pública, porque aí é pública, ninguém vai poder mexer."

Após as críticas de Nunes ao protesto, os moradores divulgaram nota de repúdio. "O prefeito proferiu ofensas inadmissíveis. Aqui não estão "baderneiros" - estão cidadãos e contribuintes, que exigem respeito e responsabilidade ambiental de quem foi eleito para proteger o bem comum", diz o comunicado.

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O filme Uma Vida - A História de Nicholas Winton estreou nesta sexta-feira, 28, no streaming HBO Max. O drama histórico, retrato emocionante de herói que salvou crianças do Holocausto estrelado por Anthony Hopkins, havia chegado timidamente ao catálogo do Prime Video no ano passado e aos poucos foi ganhando reconhecimento, migrando agora para outra plataforma.

O longa conta a história real e pouco conhecida de um herói da Segunda Guerra Mundial. A figura em questão é o empresário e humanitário inglês Nicholas Winton, que na iminência da invasão nazista à Checoslováquia, em 1938, conseguiu salvar mais de 600 crianças judias dos horrores do Holocausto.

Winton organizou oito trens que as levaram para a Inglaterra antes do início da Guerra. Ele armou a operação com a ajuda de sua mãe, que encontrava lares para as crianças no Reino Unido.

O filme se divide entre dois momentos: a vida adulta e a velhice do seu protagonista - ou seja, o período em que elaborou e executou seu plano com outros humanitários, e o instante em que enxerga com os próprios olhos as consequências positivas da sua atitude. Isso significa que Hopkins divide o personagem com Johnny Flynn (Emma).

O longa, que adapta o livro homônimo escrito pela filha de Winton, ainda conta com Helena Bonham Carter no papel da mãe do protagonista, Babi Winton, e Lena Olin como sua esposa, Grete Winton.

A Cahiers du Cinéma, uma das revistas de maior prestígio da crítica cinematográfica, divulgou nesta sexta-feira, 28, sua lista dos 10 melhores filmes de 2025. Na 4ª posição está O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho que também foi capa da nova edição da publicação francesa.

O documentário Tardes de Solidão (2024), que foi lançado nos cinemas franceses neste ano, encabeça o ranking.

Outro destaque da lista é Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, um dos fortes candidatos ao Oscar de Melhor Filme. Confira o top 10 a seguir:

Os melhores filmes de 2025, segundo a 'Cahiers du Cinéma'

1 - Tardes de Solidão (2024) de Albert Serra

2 - Uma Batalha Após A Outra (2025) de Paul Thomas Anderson

3 - Yes! (2025) de Navad Lapid

4 - O Agente Secreto (2025) de Kleber Mendonça Filho

5 - O Riso e a Faca (2025) de Pedro Pinho

6 - L'aventura (2025) de Sophie Letourneur

7 - 7 Walks with Mark Brown (2024) de Vincent Barré e Pierre Creton

8 - Nouvelle Vague (2025) de Richard Linklater

9 - Drifting Laurent (2025) de Matteo Eustachon, Léo Couture e Anton Balekdjian

10- Miroirs No. 3 (2025) de Christian Petzold

Débora Maia, mãe da atriz Mel Maia, morreu aos 53 anos. Ela trabalhou como empresária no Rio de Janeiro, onde ajudava a gerenciar a carreira da filha e do jovem surfista Lorenzo Abreu, de 11 anos.

Débora teve um papel mais ativo na trajetória profissional de Mel durante a infância e a adolescência da artista. Ela começou a atuar aos 5 anos e participou de novelas como Avenida Brasil (2012) e Joia Rara (2013-2014), ambas da TV Globo.

As duas teriam se distanciado no último ano por conta da separação de Débora e do pai da atriz, Luciano Souza. Em outubro de 2024, Débora chegou a fazer uma publicação no Instagram lamentando um conflito com as filhas.

"Triste por várias coisas absurdas, mas vou contar para vocês. Todo o amor que foi dado foi convertido em ingratidão, e isso pelas pessoas de quem você jamais iria suspeitar. Me sinto um lixo diante das minhas filhas, que optaram pelo desconhecido ao amor da mãe delas", escreveu na ocasião.

Além de Mel, de 21 anos, Débora também deixa a filha mais velha, Yasmin, de 25 anos, formada em Odontologia.

Apesar do distanciamento, ela seguia apoiando as filhas nas redes sociais. No Instagram, onde acumulava 80 mil seguidores (o número cresceu para 105 mil desde o comunicado da morte), ela fez diversas publicações sobre o trabalho de Mel na série Os Donos do Jogo, da Netflix.

Morte de Débora Maia

A informação da morte foi confirmada pelo perfil oficial de Mel Maia no Instagram no início da tarde desta sexta-feira, 28.

"É com imenso pesar que comunicamos o falecimento de Débora Maia, mãe da atriz Melissa Maia. Neste momento de dor e luto, pedimos a todos os fãs, imprensa, amigos e parceiros que compreendam a necessidade de recolhimento e privacidade da família. Agradecemos a todos pela compreensão e respeito", diz a nota oficial.

A causa da morte não foi informada. Segundo o portal Leo Dias, Débora foi encontrada morta em sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na manhã desta sexta. O Estadão entrou em contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que informou que a ocorrência ainda não havia sido registrada.