Últimas ararinhas-azuis que estavam soltas na natureza contraíram vírus letal; entenda

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As últimas 11 ararinhas-azuis que viviam livres na natureza foram contaminadas por um vírus letal, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As aves, que estavam em um criadouro especializado na conservação da espécie, em Curuçá, na Bahia, foram recapturadas para testagem, após a suspeita da doença. Todas testaram positivo para o circovírus, segundo o instituto.

A espécie é uma das mais raras do mundo e considerada "criticamente em perigo (possivelmente extinta)" na natureza desde 2020.

O Criadouro Ararinha-Azul diz que todas as ararinhas foram testadas antes de entrar no criadouro e os testes foram negativos para o vírus. As 41 aves que vieram para o País em 2025 passaram por rigoroso controle veterinário na Alemanha e no Brasil e observaram quarentena, sem registro de sintomas. O criadouro contesta a letalidade da doença.

Oriundo da Austrália, o circovírus é o principal causador da doença do bico e das penas em psitacídeos, grupo de aves que inclui araras, papagaios e periquitos. A enfermidade não tem cura e, segundo o ICMBio, mata a ave na maior parte dos casos. Os sintomas incluem a alteração na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. Este vírus não infecta humanos nem aves de produção.

As aves haviam sido repatriadas da Europa e mantidas no criadouro da Bahia, sendo posteriormente soltas na região em 2022. Segundo o ICMBio, investigações vêm sendo realizadas para identificar a origem do vírus nas ararinhas. O próximo passo é a separação segura entre animais positivos e negativos, para garantir que as medidas de biossegurança sejam incorporadas à rotina de manejo dessas aves.

Criadouro foi multado

Após a detecção de circovírus em uma ararinha-azul, em maio deste ano, o ICMBio instaurou o chamado sistema de comando de incidente para gerenciar a emergência para circovírus, com o objetivo de impedir a disseminação do vírus para outros indivíduos de ararinha-azul e demais psitacídeos da região.

Após várias vistorias técnicas do ICMBio, em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) e a Polícia Federal, foi constatado que os protocolos de biossegurança não estavam sendo seguidos pelo criadouro. Foi feita uma notificação e, após constatação de seu descumprimento, aplicada multa no valor aproximado de R$ 1,8 milhão.

Entre as medidas exigidas, constavam a limpeza e a desinfecção diária das instalações e dos utensílios, incluindo os comedouros onde era fornecida alimentação diária às aves de vida livre, os quais se encontravam extremamente sujos, com acúmulo de fezes ressecadas. Também foi determinada a obrigatoriedade do uso de equipamentos de proteção individual pelos funcionários, após serem flagrados utilizando chinelos, bermuda e camiseta durante o manejo dos animais.

O criadouro, anteriormente identificado como Blue Sky, também foi alvo de operação pelo Inema, sendo autuado em cerca de R$ 300 mil. O criadouro é parceiro da organização alemã Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês), que detém 75% das ararinhas registradas em todo o mundo. A reportagem tenta contato com a ACTP.

A coordenadora de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio, Cláudia Sacramento, diz que, se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas de forma correta, a contaminação inicial não teria se espalhado para as 11 aves. "O que a gente espera é que o ambiente não tenha sido comprometido, ameaçando a saúde de todas as espécies de psitacídeos de nossa fauna", diz.

Acordo foi rompido

De acordo com o ICMBio, houve diversas iniciativas do governo brasileiro para a união de instituições e pessoas potencialmente importantes para a conservação da ararinha-azul. Além de ações relativas à disponibilidade de habitat para a espécie, o manejo em cativeiro é, atualmente, a principal estratégia para conservação da espécie, uma vez que a população sob cuidados humanos é a única viável até o momento.

Em 2019, o ICMBio celebrou um acordo de cooperação técnica com a Associação para Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP) para a transferência de 93 aves que estavam no exterior. Em 2024, o ICMBio encerrou o acordo alegando o descumprimento de compromissos pela entidade.

Entre os fatores que motivaram a não renovação do acordo está a venda e transferência de 26 ararinhas-azuis da Alemanha para a Índia sem o conhecimento ou consentimento do ICMBio. As aves foram destinadas a um mantenedor que não fazia parte do projeto de reintrodução em ambiente natural das ararinhas-azuis.

Segundo o ICMBio, o encerramento do acordo não impede a continuidade das ações de conservação da espécie por parte da ACTP. O instituto diz que elas deverão seguir os instrumentos oficiais de implementação das políticas públicas de conservação da biodiversidade no Brasil: o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-Azul, o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Caatinga, e o Programa de Manejo Populacional da Ararinha-Azul, todos coordenados pelo ICMBio.

'Esforço de décadas para reproduzir'

O Criadouro Ararinha-Azul contesta as afirmações do ICMBio de que houve descumprimento dos protocolos de segurança, incluindo desleixo com a limpeza e desinfecção dos recintos. "Essa afirmativa de desleixo é completamente falsa, jamais trataríamos mal essas aves que fizemos um esforço de décadas para reproduzir e trazer de volta para o Brasil. Chega a ser absurdo esse tipo de alegação", diz.

Em publicação no site oficial, o Criadouro Ararinha-Azul diz que todas as ararinhas-azuis foram testadas antes de entrar no criadouro e os testes foram negativos para o vírus. "As 41 aves que vieram para o Brasil em 2025 passaram por rigoroso controle veterinário na Alemanha e aqui e observaram quarentena, sem registro de sintomas."

Segundo o criadouro, o primeiro caso do vírus foi detectado em um filhote nascido na natureza. Como o período de incubação é de 20 a 25 dias, o filhote teve contato com a doença quando as aves estavam na Alemanha ou em Petrolina, antes de entrarem no criadouro. "É sabido que o circovírus de psitacídeos está presente em populações de cativeiro e em centros de resgate e reabilitação do Brasil. Ou seja, (a doença) pode ter origem aqui no Brasil."

O criadouro afirma ainda que o vírus não tem representado risco para a sobrevivência das ararinhas, e nenhuma morreu. Entretanto, por medida preventiva, o órgão ambiental determinou a captura das aves de vida livre. Esses 11 animais foram capturados no dia 2 de novembro de 2025.

O Ararinha-Azul diz ainda que os órgãos ambientais foram notificados sob a detecção do circovírus e todas as medidas de biossegurança para prevenir a dispersão do vírus para a população foram adotadas. "Esperamos em dezembro informar que o vírus não está mais ativo no criadouro", diz.

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O filme Uma Vida - A História de Nicholas Winton estreou nesta sexta-feira, 28, no streaming HBO Max. O drama histórico, retrato emocionante de herói que salvou crianças do Holocausto estrelado por Anthony Hopkins, havia chegado timidamente ao catálogo do Prime Video no ano passado e aos poucos foi ganhando reconhecimento, migrando agora para outra plataforma.

O longa conta a história real e pouco conhecida de um herói da Segunda Guerra Mundial. A figura em questão é o empresário e humanitário inglês Nicholas Winton, que na iminência da invasão nazista à Checoslováquia, em 1938, conseguiu salvar mais de 600 crianças judias dos horrores do Holocausto.

Winton organizou oito trens que as levaram para a Inglaterra antes do início da Guerra. Ele armou a operação com a ajuda de sua mãe, que encontrava lares para as crianças no Reino Unido.

O filme se divide entre dois momentos: a vida adulta e a velhice do seu protagonista - ou seja, o período em que elaborou e executou seu plano com outros humanitários, e o instante em que enxerga com os próprios olhos as consequências positivas da sua atitude. Isso significa que Hopkins divide o personagem com Johnny Flynn (Emma).

O longa, que adapta o livro homônimo escrito pela filha de Winton, ainda conta com Helena Bonham Carter no papel da mãe do protagonista, Babi Winton, e Lena Olin como sua esposa, Grete Winton.

A Cahiers du Cinéma, uma das revistas de maior prestígio da crítica cinematográfica, divulgou nesta sexta-feira, 28, sua lista dos 10 melhores filmes de 2025. Na 4ª posição está O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho que também foi capa da nova edição da publicação francesa.

O documentário Tardes de Solidão (2024), que foi lançado nos cinemas franceses neste ano, encabeça o ranking.

Outro destaque da lista é Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, um dos fortes candidatos ao Oscar de Melhor Filme. Confira o top 10 a seguir:

Os melhores filmes de 2025, segundo a 'Cahiers du Cinéma'

1 - Tardes de Solidão (2024) de Albert Serra

2 - Uma Batalha Após A Outra (2025) de Paul Thomas Anderson

3 - Yes! (2025) de Navad Lapid

4 - O Agente Secreto (2025) de Kleber Mendonça Filho

5 - O Riso e a Faca (2025) de Pedro Pinho

6 - L'aventura (2025) de Sophie Letourneur

7 - 7 Walks with Mark Brown (2024) de Vincent Barré e Pierre Creton

8 - Nouvelle Vague (2025) de Richard Linklater

9 - Drifting Laurent (2025) de Matteo Eustachon, Léo Couture e Anton Balekdjian

10- Miroirs No. 3 (2025) de Christian Petzold

Débora Maia, mãe da atriz Mel Maia, morreu aos 53 anos. Ela trabalhou como empresária no Rio de Janeiro, onde ajudava a gerenciar a carreira da filha e do jovem surfista Lorenzo Abreu, de 11 anos.

Débora teve um papel mais ativo na trajetória profissional de Mel durante a infância e a adolescência da artista. Ela começou a atuar aos 5 anos e participou de novelas como Avenida Brasil (2012) e Joia Rara (2013-2014), ambas da TV Globo.

As duas teriam se distanciado no último ano por conta da separação de Débora e do pai da atriz, Luciano Souza. Em outubro de 2024, Débora chegou a fazer uma publicação no Instagram lamentando um conflito com as filhas.

"Triste por várias coisas absurdas, mas vou contar para vocês. Todo o amor que foi dado foi convertido em ingratidão, e isso pelas pessoas de quem você jamais iria suspeitar. Me sinto um lixo diante das minhas filhas, que optaram pelo desconhecido ao amor da mãe delas", escreveu na ocasião.

Além de Mel, de 21 anos, Débora também deixa a filha mais velha, Yasmin, de 25 anos, formada em Odontologia.

Apesar do distanciamento, ela seguia apoiando as filhas nas redes sociais. No Instagram, onde acumulava 80 mil seguidores (o número cresceu para 105 mil desde o comunicado da morte), ela fez diversas publicações sobre o trabalho de Mel na série Os Donos do Jogo, da Netflix.

Morte de Débora Maia

A informação da morte foi confirmada pelo perfil oficial de Mel Maia no Instagram no início da tarde desta sexta-feira, 28.

"É com imenso pesar que comunicamos o falecimento de Débora Maia, mãe da atriz Melissa Maia. Neste momento de dor e luto, pedimos a todos os fãs, imprensa, amigos e parceiros que compreendam a necessidade de recolhimento e privacidade da família. Agradecemos a todos pela compreensão e respeito", diz a nota oficial.

A causa da morte não foi informada. Segundo o portal Leo Dias, Débora foi encontrada morta em sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na manhã desta sexta. O Estadão entrou em contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que informou que a ocorrência ainda não havia sido registrada.