Magistratura julga igual há 100 anos, diz juiz

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"A Justiça julga igual há 100 anos, baseada em um Código de Processo Penal de 1941", afirmou o juiz Ulisses Augusto Pascolati Jr, do Tribunal de Justiça de São Paulo, nesta sexta-feira, 28, durante um encontro de advogados. Ele disse que, em muitos casos - como nos crimes de violência doméstica -, o principal elemento de convicção é uma mensagem de WhatsApp, 'cuja veracidade nem sempre é simples de aferir'.

Segundo Pascolati Jr, muitas vezes, o juiz depende da própria confissão do acusado ou da compatibilidade daquela informação com outros elementos do processo para reconstruir os fatos.

Doutor e Mestre em Direito Penal pela USP e PUC, Pascolati Jr tem especialização em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, em Direito Penal pela Universidade de Salamanca e leciona no Mackenzie. Atualmente, trabalha na 4.ª Vara Criminal de Osasco (Grande São Paulo).

O magistrado fez uma avaliação do arcaico modelo de Justiça durante o 4.º Congresso CESA (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados), realizado em São Paulo entre a quinta, 27 e sexta, 28.

"A gente ainda acredita piamente na prova oral. Isso é uma verdade. A gente não conseguiu ainda soltar as amarras da prova oral. Temos muita dificuldade em compreender que a prova oral é um meio de prova e os demais meios, principalmente digital, têm que vir junto desse arcabouço para a gente fazer a reconstrução dos fatos", pontuou Pascolati Jr.

Segundo ele, 'esse vai ser um caminho a ser percorrido pelas escolas de magistratura'.

"A pergunta é: como é que eu vou saber se essa mensagem (de WhatsApp) é ou não verídica ou ela não foi alterada por inteligência artificial?", argumentou. "A única coisa que a gente consegue aferir, primeiro, no interrogatório, é perguntar para um acusado se aquela mensagem foi enviada por ele. Às vezes, ele confirma. Se não, temos que ir para os demais elementos de prova", diz, sobre as dificuldades em comprovar a validade de uma prova digital.

Pascolati Jr reconheceu que magistrados não têm formação técnica suficiente para analisar evidências digitais. Para ele, o sistema de Justiça 'segue preso a uma cultura de prova oral, estruturada há quase um século.'

O juiz apontou para um cenário recente em que a única prova usada pelo Ministério Público era uma fotografia, 'sustentada apenas por semelhanças subjetivas' - algo que, segundo ele, evidencia a falta de critérios rigorosos.

Ulisses Augusto Pascolati Jr defendeu que as escolas judiciais e os tribunais superiores devem estabelecer padrões claros para a avaliação de provas digitais, 'a fim de orientar os juízes e evitar decisões baseadas em pressupostos frágeis'.

'Soluções em lote'

Durante o encontro, advogados pediram ''uso consciente' da Inteligência Artificial. Um juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça defendeu 'soluções em lote'.

O tema principal do 4.º Congresso CESA da Sociedade de Advogados foi a Transformação Tecnológica na Advocacia.

O presidente nacional do CESA, Gustavo Brigagão, destacou a necessidade de respeitar o 'devido processo tecnológico'. "É uma espécie de devido processo legal que se adapta a essa nossa nova realidade. A inteligência artificial e a tecnologia devem ser utilizadas nas chamadas medidas ancilares, procedimentais, jamais em decisões ou até mesmo nas sugestões de decisões", disse Brigagão.

O advogado Fredie Didier Júnior ressaltou que o nível de digitalização dos processos no Brasil 'é uma coisa incomparável'. Ao abordar a eficácia dos 'julgamentos em lotes', ele questionou a plateia, formada por advogados, se juízes já haviam deixado de analisar adequadamente seus argumentos em processos, o que recebeu resposta amplamente positiva.

'Julgamentos em lote' referem-se ao uso de sistemas informatizados na Justiça para proferir, de forma simultânea, múltiplas decisões sobre processos que tratam de temas idênticos ou muito similares.

Dorotheo Barbosa Neto, juiz auxiliar da presidência do CNJ, prevê que, sem as 'soluções em lote', haveria um caos no Judiciário. "Nós temos 83 milhões de processos pendentes, com 35 milhões de novos processos ao ano, e isso crescendo num expoente de 10 a 12% ao ano. E o número de magistrados e servidores só cai", alertou.

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O filme Uma Vida - A História de Nicholas Winton estreou nesta sexta-feira, 28, no streaming HBO Max. O drama histórico, retrato emocionante de herói que salvou crianças do Holocausto estrelado por Anthony Hopkins, havia chegado timidamente ao catálogo do Prime Video no ano passado e aos poucos foi ganhando reconhecimento, migrando agora para outra plataforma.

O longa conta a história real e pouco conhecida de um herói da Segunda Guerra Mundial. A figura em questão é o empresário e humanitário inglês Nicholas Winton, que na iminência da invasão nazista à Checoslováquia, em 1938, conseguiu salvar mais de 600 crianças judias dos horrores do Holocausto.

Winton organizou oito trens que as levaram para a Inglaterra antes do início da Guerra. Ele armou a operação com a ajuda de sua mãe, que encontrava lares para as crianças no Reino Unido.

O filme se divide entre dois momentos: a vida adulta e a velhice do seu protagonista - ou seja, o período em que elaborou e executou seu plano com outros humanitários, e o instante em que enxerga com os próprios olhos as consequências positivas da sua atitude. Isso significa que Hopkins divide o personagem com Johnny Flynn (Emma).

O longa, que adapta o livro homônimo escrito pela filha de Winton, ainda conta com Helena Bonham Carter no papel da mãe do protagonista, Babi Winton, e Lena Olin como sua esposa, Grete Winton.

A Cahiers du Cinéma, uma das revistas de maior prestígio da crítica cinematográfica, divulgou nesta sexta-feira, 28, sua lista dos 10 melhores filmes de 2025. Na 4ª posição está O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho que também foi capa da nova edição da publicação francesa.

O documentário Tardes de Solidão (2024), que foi lançado nos cinemas franceses neste ano, encabeça o ranking.

Outro destaque da lista é Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, um dos fortes candidatos ao Oscar de Melhor Filme. Confira o top 10 a seguir:

Os melhores filmes de 2025, segundo a 'Cahiers du Cinéma'

1 - Tardes de Solidão (2024) de Albert Serra

2 - Uma Batalha Após A Outra (2025) de Paul Thomas Anderson

3 - Yes! (2025) de Navad Lapid

4 - O Agente Secreto (2025) de Kleber Mendonça Filho

5 - O Riso e a Faca (2025) de Pedro Pinho

6 - L'aventura (2025) de Sophie Letourneur

7 - 7 Walks with Mark Brown (2024) de Vincent Barré e Pierre Creton

8 - Nouvelle Vague (2025) de Richard Linklater

9 - Drifting Laurent (2025) de Matteo Eustachon, Léo Couture e Anton Balekdjian

10- Miroirs No. 3 (2025) de Christian Petzold

Débora Maia, mãe da atriz Mel Maia, morreu aos 53 anos. Ela trabalhou como empresária no Rio de Janeiro, onde ajudava a gerenciar a carreira da filha e do jovem surfista Lorenzo Abreu, de 11 anos.

Débora teve um papel mais ativo na trajetória profissional de Mel durante a infância e a adolescência da artista. Ela começou a atuar aos 5 anos e participou de novelas como Avenida Brasil (2012) e Joia Rara (2013-2014), ambas da TV Globo.

As duas teriam se distanciado no último ano por conta da separação de Débora e do pai da atriz, Luciano Souza. Em outubro de 2024, Débora chegou a fazer uma publicação no Instagram lamentando um conflito com as filhas.

"Triste por várias coisas absurdas, mas vou contar para vocês. Todo o amor que foi dado foi convertido em ingratidão, e isso pelas pessoas de quem você jamais iria suspeitar. Me sinto um lixo diante das minhas filhas, que optaram pelo desconhecido ao amor da mãe delas", escreveu na ocasião.

Além de Mel, de 21 anos, Débora também deixa a filha mais velha, Yasmin, de 25 anos, formada em Odontologia.

Apesar do distanciamento, ela seguia apoiando as filhas nas redes sociais. No Instagram, onde acumulava 80 mil seguidores (o número cresceu para 105 mil desde o comunicado da morte), ela fez diversas publicações sobre o trabalho de Mel na série Os Donos do Jogo, da Netflix.

Morte de Débora Maia

A informação da morte foi confirmada pelo perfil oficial de Mel Maia no Instagram no início da tarde desta sexta-feira, 28.

"É com imenso pesar que comunicamos o falecimento de Débora Maia, mãe da atriz Melissa Maia. Neste momento de dor e luto, pedimos a todos os fãs, imprensa, amigos e parceiros que compreendam a necessidade de recolhimento e privacidade da família. Agradecemos a todos pela compreensão e respeito", diz a nota oficial.

A causa da morte não foi informada. Segundo o portal Leo Dias, Débora foi encontrada morta em sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na manhã desta sexta. O Estadão entrou em contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que informou que a ocorrência ainda não havia sido registrada.