EUA: comício de Donald Trump tem piada racista sobre Porto Rico

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Chamado para falar antes do discurso de Donald Trump durante um ato realizado na noite deste domingo, 27, no Madison Square Garden, em Nova York, um comediante descreveu Porto Rico como uma "ilha flutuante de lixo". "Não sei se vocês sabem, mas há literalmente uma ilha flutuante de lixo no meio do oceano agora. Acho que é chamada Porto Rico", disse o comediante Tony Hinchcliffe, do podcast "Kill Tony".

 

Mais tarde, a campanha de Trump desautorizou a fala. "Esta piada não reflete as visões do presidente Trump ou da campanha", disse a conselheira sênior Danielle Alvarez em um comunicado. O comunicado não desautorizou outros comentários grosseiros e insultos proferidos por outros apoiadores de Trump contra latinos, judeus e negros, todos eleitorados-chave na eleição prevista para o dia 5 de novembro.

 

Amigo de infância de Trump, David Rem, referiu-se a Kamala Harris como "o anticristo" e "o diabo". O empresário Grant Cardone disse à multidão presente que Kamala "e seus cafetões manipuladores destruirão nosso país".

 

Os dois candidatos lutam para conquistar as comunidades porto-riquenhas na Pensilvânia e outros Estados-pêndulo. Depois das falas do comediante, a campanha de Trump tomou a decisão de se distanciar de Hinchcliffe.

 

Deputada republicana criticou comentários racistas

 

Ao jornal Washington Post, David Plouffe, conselheiro de Kamala, disse que os discursos estão criando controvérsia e prejudicarão o candidato. Outra crítica das falas veio da deputada María Elvira Salazar, congressista republicana da Flórida. Ela disse nas redes sociais que estava "enojada", e que os comentários foram racistas. Ela passou parte de sua infância em Porto Rico, segundo o Post.

 

O músico porto-riquenho Bad Bunny apoiou Kamala e criticou a fala de Hinchcliffe. Sem fazer alusão às falas, outras duas estrelas, Jennifer Lopez e Ricky Martin, apoiadores de Kamala, compartilharam em suas contas no Instagram ainda no domingo os planos da vice-presidente para o território.

 

Entre os presentes ao evento de Trump estavam ainda vários famosos como o ex-lutador profissional Hulk Hogan, o psicólogo de TV Phil McGraw e o ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson. Havia ainda políticos, tais como presidente da Câmara, Mike Johnson. Um artista pintou um quadro de Trump abraçando o Empire State Building.

 

'Invasão migratória de nosso país vai terminar'

 

Trump subiu ao palco com duas horas de atraso. Após ser apresentado por sua mulher, Melania Trump, em uma rara aparição pública, o ex-presidente começou perguntando as mesmas questões que ele faz no início de cada comício recente: "Vocês estão melhor agora do que estavam há quatro anos?". A multidão respondeu "Não!". "Esta eleição é uma escolha entre se teremos mais quatro anos de incompetência grosseira e falha, ou se começaremos os melhores anos na história de nosso país", afirmou o candidato republicano.

 

Trump anunciou um novo crédito fiscal para cuidadores de idosos, adicionando uma nova proposta à sua lista de cortes fiscais destinados a conquistar pessoas mais velhas e trabalhadores de colarinho azul, que já inclui promessas de acabar com os impostos sobre benefícios da Previdência Social, gorjetas e horas extras.

 

Ao falar, ele se absteve de criticar a rival da forma como faz costumeiramente, de maneira ofensiva e pessoal. Ele vinha questionando nas últimas semanas suposta estabilidade mental e inteligência da candidata democrata, além de chamá-la de "preguiçosa", um estereótipo racista usado contra negros.

 

O crédito fiscal para cuidadores de idoso criado após Kamala falar sobre a "geração sanduíche" de adultos cuidando de pais idosos enquanto criam seus filhos ao mesmo tempo. A candidata democrata propôs financiamento federal para cobrir os custos de cuidados domiciliares para americanos mais velhos.

 

Trump, por sua vez, repetiu suas falas sobre política externa e imigração, pedindo a pena de morte para qualquer migrante que matar um cidadão dos EUA e dizendo que no dia em que tomar posse, "a invasão migratória de nosso país vai terminar".

 

Trump elogia Musk

 

À medida que os comentários de Trump se aproximavam de uma hora, parte da multidão começou a sair. O magnata da tecnologia Elon Musk, que falou mais cedo e apresentou Melania Trump, foi uma parte proeminente da mensagem de encerramento da campanha de Trump. O ex-presidente chamou Musk de "um gênio" e "especial".

 

Musk acenou com o plano recente de Trump de permitir que ele liderasse uma comissão de eficiência governamental para auditar todo o governo federal. Vários negócios de Musk, incluindo Tesla e Space X, têm grandes contratos governamentais ou contaram com subsídios dos EUA, e Musk enfrentou críticas após relatos de que ele conversou em particular com o presidente russo Vladimir Putin. "Seu dinheiro está sendo desperdiçado e o departamento de eficiência governamental vai consertar isso", disse Musk antes de tomar um lugar fora do palco ao lado de Melania Trump.

 

Muitos dos oradores de domingo apareceram no palco na Convenção Nacional Republicana. Desta vez, os mesmos oradores gritaram e se voltaram mais contra os democratas. Hogan, retornando ao local onde se apresentou anos atrás como lutador profissional, pareceu reprisar seu personagem, surgindo vestindo uma grande peça de roupa vermelha, laranja e amarela e agitando violentamente uma grande bandeira americana enquanto posava e dançava. Ele cuspiu no palco durante seu discurso, flexionou seus músculos repetidamente e disse que Trump "é o único homem que pode consertar este país hoje". (Com agências internacionais).

 

*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.

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A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade fez uma despedida para servidores da pasta nesta quarta-feira, 26, após ser demitida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira, 25. Em discurso, Nísia que a saída da Esplanada não a "diminui em nada".

"O governo pode ser pensado como um grande time ou orquestra, e o técnico desse time tem todas as bases e os elementos para definir que perfil, que jogador ele quer no momento, no segundo tempo. Isso não me diminui em nada", afirmou Nísia.

A ex-ministra afirmou que a meta dela era ficar no comando da pasta durante os quatro anos de mandato de Lula, mas que a demissão faz parte da "avaliação política" do petista. Sem detalhar, ela disse também que viveu "episódios muito ruins nos últimos dez dias". No período, Nísia passou por frituras por membros do governo.

"Não faltou apoio à Saúde e empenho. É claro, tivemos esses episódios muito ruins nos últimos dez dias. Não são episódios para serem esquecidos, são para serem analisados. Mas eu gosto de dizer, aprendi isso com um professor meu, que na vida a gente tem que virar a página, não arrancar e ter o registro da memória, mas seguir em frente", disse a ministra.

Durante a despedida, Nísia afirmou que nesta quinta-feira, 27, vai se reunir com o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e com o secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa, para iniciar a transição do comando da pasta.

"O governo do presidente continua, ele precisa de cada um de nós. Vou continuar a servir, não como governo, mas como pessoa pública que sou, como pesquisadora, enfim, não importa onde", disse a ministra. [Estou] contente porque terei certamente novos desafios na vida e porque o governo, certamente, continuará com um ministro que já foi ministro da Saúde, meu colega de ministério", completou ela no discurso.

A demissão de Nísia veio em meio da queda de popularidade do presidente, que decidiu deflagrar uma reforma ministerial. Com a escolha de Padilha, a ideia é ter um perfil mais político no ministério, que tem um orçamento de R$ 239,7 bilhões.

Nísia é a terceira mulher a deixar a Esplanada, reduzindo a presença feminina na equipe a nove dos 38 integrantes do Ministério. Antes dela foram Ana Moser (Esporte) e Daniela Carneiro (Turismo). Cida Gonçalves, atual ministra das Mulheres, é outro nome que deve sair na reforma planejada pelo presidente.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o plano de trabalho apresentado pelo Executivo e Legislativo para dar mais transparência e rastreabilidade às emendas parlamentares. Ele também liberou parcialmente o pagamento dos recursos. A decisão será submetida ao plenário da Corte para referendo, mas tem efeitos imediatos.

O ministro ressaltou que as emendas de 2025 e de anos anteriores que seguem bloqueadas serão liberadas após a homologação pelo plenário. A liberação não irá atingir os seguintes casos:

- quando houver impedimento técnico identificado pelo ordenador de despesas do Poder Executivo;

- quando a suspensão específica tenha sido determinada pelo STF por conta de auditorias realizadas pela CGU em ONGs e demais entidades do terceiro setor;

- quando envolver recursos destinados à Saúde que não estejam em contas específicas devidamente regularizadas nos bancos competentes;

- Emendas pix sem plano de trabalho apresentado e aprovado;

- Emendas de comissão e de bancada aprovadas sem identificação do parlamentar solicitante/apoiador e de sua destinação.

Dino ainda destacou que a liberação das emendas não impacta no julgamento do mérito das ações que questionam a falta de transparência nos repasses. "As Ações Diretas de Inconstitucionalidade propostas seguirão tramitando para que, quando do julgamento do mérito, outras questões jurídicas sejam levadas à apreciação do Plenário do STF", afirmou.

O ministro determinou ao Executivo e Legislativo que informem em 30 de maio de 2025 as atualizações acerca de cada eixo do plano de trabalho apresentado.

"Tal monitoramento não compreende 'ingerência' em outros Poderes, mas sim zelo pela autoridade da decisão judicial transitada em julgado, a fim de que ela não resulte em mera 'folha de papel'", afirmou.

Ele frisou que as ações planejadas pelos Poderes Executivo e Legislativo devem considerar a necessidade de identificar os autores das emendas de comissão e as emendas de bancada, cujos nomes devem constar em ata. "Tais proponentes podem ser parlamentares individualmente ou em grupo", ponderou."Ao observar o caminho percorrido, constato avanços relevantes no que se refere à promoção da transparência e da rastreabilidade na execução de emendas parlamentares", disse o ministro.

Entre os principais resultados alcançados, ele elencou a reformulação do Portal da Transparência, a abertura de contas específicas para transferências fundo a fundo de recursos para a saúde e a realização de auditorias pela CGU e pelo TCU.

Com a decisão, a audiência de conciliação entre os Poderes que estava marcada para esta quinta-feira, 27, foi cancelada. "A realização de nova Audiência será avaliada após a análise da homologação do Plano pelo Plenário do STF, seguindo-se o acompanhamento de sua implementação", disse o ministro.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva acusou o governo americano de tentar politizar decisões judiciais nesta quarta-feira, dia 26, após uma crítica pública à liberdade de expressão no Brasil, feita pelo Departamento de Estado. No post, a chancelaria americana diz que bloquear informações e multar empresas - numa referência às punições feitas pelo ministro Alexandre de Moraes contra a plataforma Rumble - é antidemocrático.

"O governo brasileiro rejeita, com firmeza, qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e ressalta a importância do respeito ao princípio republicano da independência dos poderes, contemplado na Constituição Federal brasileira de 1988", afirma o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O governo Lula disse ainda ter recebido com surpresa a manifestação do Departamento de Estado. "A manifestação do Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente, inclusive a exigência da constituição de representantes legais a todas as empresas que atuam no Brasil", acrescenta o Itamaraty na nota.

Ainda de acordo com a chancelaria, a liberdade de expressão é um direito fundamental consagrado no sistema jurídico brasileiro e deve ser exercida em consonância com os demais preceitos legais vigentes, sobretudo os de natureza criminal.

Entenda o caso

A crítica do Departamento de Estado ocorreu depois de Moraes bloquear a plataforma Rumble no País, afirmando que a rede social cometeu "reiterados, conscientes e voluntários descumprimentos das ordens judiciais, além da tentativa de não se submeter ao ordenamento jurídico e ao Poder Judiciário brasileiros". O ministro havia exigido que a empresa indicasse um representante no Brasil.

A Rumble e a Trump Media, empresa ligada a Donald Trump, processaram o ministro nos Estados Unidos, acusando-o de violar a soberania americana. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela Justiça americana. Na decisão, a juíza Mary Scriven não analisou o mérito da ação, argumentando que as decisões do ministro não se aplicam nos EUA e que não houve qualquer tentativa de impor seu cumprimento em território americano.

Segundo o inquérito das fake news, presidido por Moraes, o Estado brasileiro e suas instituições republicanas foram alvo de uma orquestração antidemocrática baseada na desinformação em massa, divulgada em mídias sociais. O processo tramita no STF há quase seis anos. Críticos de Alexandre de Moraes dizem que ele excede suas funções como juiz e atua com parcialidade.

Nos bastidores, a diplomacia de Lula associa a manifestação a ações recorrentes de parlamentares de direita e bolsonaristas expatriados nos Estados Unidos, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo.

Os passos do deputado nos EUA, alguns deles divulgados abertamente nas redes sociais, vêm sendo acompanhados por diplomatas. Nos últimos dias, Eduardo Bolsonaro fez um giro por gabinetes congressuais, inclusive de parlamentares ligados à América Latina, entre eles María Elvira Salazar. Republicana e da Flórida, ela é integrante da frente parlamentar do Brasil no país - a Brazil Caucus.

O deputado federal, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, visitou membros do Executivo americano e conversou com autoridades do Departamento de Estado.

O primeiro guichê que atende questões relacionadas ao Brasil é justamente o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, responsável pelas relações com as Américas. Ele é dirigido pelo embaixador Michael Kozak.

'Via de mão dupla'

Trata-se do mesmo órgão da diplomacia americana que fez a publicação em sua conta oficial no X. Na mesma plataforma, a conta do Departamento de Estado em espanhol reproduziu o texto traduzido.

"O respeito à soberania é uma via de mão dupla com os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos norte-americanos é incompatível com os valores democráticos", disse a diplomacia americana, também nesta quarta.

Reservadamente, embaixadores brasileiros a par da reação veem o parlamentar "clamando por interferência de Trump" no Brasil.

Eles defendem que a presença dele nos EUA deveria ser apurada e objeto de escrutínio, para se descobrir se ele usa verba pública e se viajou autorizado pela Câmara dos Deputados.

Leia a íntegra da nota:

O governo brasileiro recebe, com surpresa, a manifestação veiculada hoje pelo Departamento de Estado norte-americano a respeito de ação judicial movida por empresas privadas daquele país para eximirem-se do cumprimento de decisões da Suprema Corte brasileira.

O governo brasileiro rejeita, com firmeza, qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e ressalta a importância do respeito ao princípio republicano da independência dos poderes, contemplado na Constituição Federal brasileira de 1988.

A manifestação do Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente, inclusive a exigência da constituição de representantes legais a todas as empresas que atuam no Brasil. A liberdade de expressão, direito fundamental consagrado no sistema jurídico brasileiro, deve ser exercida, no Brasil, em consonância com os demais preceitos legais vigentes, sobretudo os de natureza criminal.

O Estado brasileiro e suas instituições republicanas foram alvo de uma orquestração antidemocrática baseada na desinformação em massa, divulgada em mídias sociais. Os fatos envolvendo a tentativa de golpe contra a soberania popular, após as eleições presidenciais de 2022, são objeto de ação em curso no Poder Judiciário brasileiro.