Eleições nos EUA: Biden viaja a Estados-chave enquanto Trump se concentra em arrecadar fundos

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Enquanto o presidente dos EUA e possível candidato à reeleição pelo partido Democrata Joe Biden visitou cinco cidades em uma viagem de vários dias na semana passada, o ex-presidente e provável candidato Republicano Donald Trump quase não foi visto em público, passando a maior parte do tempo no sul da Flórida.

 

Trump realizou apenas um único evento público de campanha desde que garantiu a nomeação presidencial republicana em 12 de março: um comício em Ohio financiado não pela sua campanha, mas por apoiadores de um candidato ao Senado que ele apoiou. A página de eventos no site de sua campanha não tem nada listado.

 

Enquanto isso, Biden tem feito uma tempestade no país. Depois de uma viagem à Carolina do Norte na terça-feira, o presidente democrata terá visitado todos os estados indecisos de 2024 em menos de três semanas desde o seu discurso de Estado da União. As diferentes abordagens refletem os déficits que cada lado enfrenta.

 

A campanha de Trump enfrenta um grave déficit de dinheiro e contas legais crescentes enquanto ele luta contra quatro acusações criminais. O seu foco nas últimas semanas tem sido atrair potenciais doadores. Para Biden, de 81 anos, o ritmo é uma mensagem por si só, pois pretende combater as persistentes preocupações dos eleitores sobre a sua idade. Quem vencer em novembro será o presidente mais velho a tomar posse, embora as pesquisas concluam que os eleitores consideram a questão mais urgente para Biden. Trump tem 77 anos.

 

A equipe de Biden tenta vender ao público as suas realizações, à medida que persistem as preocupações de que os eleitores não têm conhecimento do que ele fez no cargo e, em vez disso, se concentram nas frustrações com os elevados custos dos alimentos e nas preocupações com o aumento acentuado das travessias ilegais na fronteira entre os EUA e o México.

 

Trump tem passado seus dias dentro e ao redor de Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida - arrecadando fundos, recebendo autoridades que o visitam com frequência e encontrando-se com assessores. Mas Trump também reservou tempo para outras atividades. Recentemente, ele disse que ganhou dois campeonatos em seu clube de golfe de Palm Beach, escrevendo em seu site de mídia social que foram vitórias "muito emocionantes" em um "campo GRANDE e difícil".

 

Trump enfrenta uma série de desafios jurídicos urgentes. Isso inclui um prazo curto para pagar mais de US$ 454 milhões em multas e juros. Se Trump não conseguir o dinheiro, o procurador-geral de Nova York poderá iniciar o processo de confisco dos seus bens.

 

Em vez dos seus grandes comícios característicos, dizem os assessores, Trump tem participado de eventos de angariação de fundos cinco a seis dias por semana. Isso inclui almoços e jantares que geram dinheiro imediato, bem como reuniões de construção de relacionamentos que podem resultar em doações futuras.

 

Mas mesmo com menos eventos públicos, os desenvolvimentos nos casos legais de Trump, bem como um fluxo constante de declarações polêmicas - como a sua afirmação de que os judeus que votam nos Democratas odeiam a sua religião e Israel - garantem que ele domine os noticiários.

 

Alguns aliados do antigo presidente argumentam que a realização de menos comícios o ajuda não só por poupar dinheiro, mas também por limitar as oportunidades para ele sair do script e dizer algo que possa alienar os eleitores indecisos.

 

Não realizar eventos também economiza dinheiro da campanha que não precisa ser desperdiçado. Os comícios de Trump custaram "meio milhão cada", disse o conselheiro sênior de Trump, Chris LaCivita, em uma entrevista em um podcast no ano passado.

 

Os registros federais de financiamento de campanha divulgados na semana passada mostraram que a operação política de Trump está em séria desvantagem e lutando para alcançar Biden e o Partido Democrata, que arrecadou US$ 53 milhões no mês passado e terminou fevereiro com US$ 155 milhões em dinheiro em mãos. Enquanto isso, o lado de Trump relatou arrecadação de US$ 15,9 milhões em fevereiro, terminando o mês com cerca de US$ 37 milhões em mãos.

 

Biden arrecadou dezenas de milhões de dólares para sua campanha nas últimas semanas. Na quinta-feira, ele arrecadará ainda mais em um evento conjunto com os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton em Nova York, que poderá quebrar recordes de arrecadação de fundos partidários em um único evento.

 

Fora isso, ele tem favorecido eventos menores e mais íntimos - juntar-se a uma família para uma refeição na mesa da cozinha, visitar pequenos negócios e encontrar apoiadores nos quintais.

 

Na semana passada, ele se encontrou com apoiadores em Reno, Nevada, centro do único condado oscilante do estado, antes de seguir para o centro-sul de Phoenix, onde se misturou com cerca de 80 pessoas em um famoso restaurante mexicano enquanto sua campanha lançava uma coalizão chamada "Latinos com Biden-Harris".

 

"Preciso muito de vocês, preciso de ajuda", disse Biden. "Olha, há apenas cerca de seis ou sete estados que vão determinar o resultado desta eleição. São estados instáveis, e este é um deles".

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A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade fez uma despedida para servidores da pasta nesta quarta-feira, 26, após ser demitida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira, 25. Em discurso, Nísia que a saída da Esplanada não a "diminui em nada".

"O governo pode ser pensado como um grande time ou orquestra, e o técnico desse time tem todas as bases e os elementos para definir que perfil, que jogador ele quer no momento, no segundo tempo. Isso não me diminui em nada", afirmou Nísia.

A ex-ministra afirmou que a meta dela era ficar no comando da pasta durante os quatro anos de mandato de Lula, mas que a demissão faz parte da "avaliação política" do petista. Sem detalhar, ela disse também que viveu "episódios muito ruins nos últimos dez dias". No período, Nísia passou por frituras por membros do governo.

"Não faltou apoio à Saúde e empenho. É claro, tivemos esses episódios muito ruins nos últimos dez dias. Não são episódios para serem esquecidos, são para serem analisados. Mas eu gosto de dizer, aprendi isso com um professor meu, que na vida a gente tem que virar a página, não arrancar e ter o registro da memória, mas seguir em frente", disse a ministra.

Durante a despedida, Nísia afirmou que nesta quinta-feira, 27, vai se reunir com o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e com o secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa, para iniciar a transição do comando da pasta.

"O governo do presidente continua, ele precisa de cada um de nós. Vou continuar a servir, não como governo, mas como pessoa pública que sou, como pesquisadora, enfim, não importa onde", disse a ministra. [Estou] contente porque terei certamente novos desafios na vida e porque o governo, certamente, continuará com um ministro que já foi ministro da Saúde, meu colega de ministério", completou ela no discurso.

A demissão de Nísia veio em meio da queda de popularidade do presidente, que decidiu deflagrar uma reforma ministerial. Com a escolha de Padilha, a ideia é ter um perfil mais político no ministério, que tem um orçamento de R$ 239,7 bilhões.

Nísia é a terceira mulher a deixar a Esplanada, reduzindo a presença feminina na equipe a nove dos 38 integrantes do Ministério. Antes dela foram Ana Moser (Esporte) e Daniela Carneiro (Turismo). Cida Gonçalves, atual ministra das Mulheres, é outro nome que deve sair na reforma planejada pelo presidente.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o plano de trabalho apresentado pelo Executivo e Legislativo para dar mais transparência e rastreabilidade às emendas parlamentares. Ele também liberou parcialmente o pagamento dos recursos. A decisão será submetida ao plenário da Corte para referendo, mas tem efeitos imediatos.

O ministro ressaltou que as emendas de 2025 e de anos anteriores que seguem bloqueadas serão liberadas após a homologação pelo plenário. A liberação não irá atingir os seguintes casos:

- quando houver impedimento técnico identificado pelo ordenador de despesas do Poder Executivo;

- quando a suspensão específica tenha sido determinada pelo STF por conta de auditorias realizadas pela CGU em ONGs e demais entidades do terceiro setor;

- quando envolver recursos destinados à Saúde que não estejam em contas específicas devidamente regularizadas nos bancos competentes;

- Emendas pix sem plano de trabalho apresentado e aprovado;

- Emendas de comissão e de bancada aprovadas sem identificação do parlamentar solicitante/apoiador e de sua destinação.

Dino ainda destacou que a liberação das emendas não impacta no julgamento do mérito das ações que questionam a falta de transparência nos repasses. "As Ações Diretas de Inconstitucionalidade propostas seguirão tramitando para que, quando do julgamento do mérito, outras questões jurídicas sejam levadas à apreciação do Plenário do STF", afirmou.

O ministro determinou ao Executivo e Legislativo que informem em 30 de maio de 2025 as atualizações acerca de cada eixo do plano de trabalho apresentado.

"Tal monitoramento não compreende 'ingerência' em outros Poderes, mas sim zelo pela autoridade da decisão judicial transitada em julgado, a fim de que ela não resulte em mera 'folha de papel'", afirmou.

Ele frisou que as ações planejadas pelos Poderes Executivo e Legislativo devem considerar a necessidade de identificar os autores das emendas de comissão e as emendas de bancada, cujos nomes devem constar em ata. "Tais proponentes podem ser parlamentares individualmente ou em grupo", ponderou."Ao observar o caminho percorrido, constato avanços relevantes no que se refere à promoção da transparência e da rastreabilidade na execução de emendas parlamentares", disse o ministro.

Entre os principais resultados alcançados, ele elencou a reformulação do Portal da Transparência, a abertura de contas específicas para transferências fundo a fundo de recursos para a saúde e a realização de auditorias pela CGU e pelo TCU.

Com a decisão, a audiência de conciliação entre os Poderes que estava marcada para esta quinta-feira, 27, foi cancelada. "A realização de nova Audiência será avaliada após a análise da homologação do Plano pelo Plenário do STF, seguindo-se o acompanhamento de sua implementação", disse o ministro.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva acusou o governo americano de tentar politizar decisões judiciais nesta quarta-feira, dia 26, após uma crítica pública à liberdade de expressão no Brasil, feita pelo Departamento de Estado. No post, a chancelaria americana diz que bloquear informações e multar empresas - numa referência às punições feitas pelo ministro Alexandre de Moraes contra a plataforma Rumble - é antidemocrático.

"O governo brasileiro rejeita, com firmeza, qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e ressalta a importância do respeito ao princípio republicano da independência dos poderes, contemplado na Constituição Federal brasileira de 1988", afirma o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O governo Lula disse ainda ter recebido com surpresa a manifestação do Departamento de Estado. "A manifestação do Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente, inclusive a exigência da constituição de representantes legais a todas as empresas que atuam no Brasil", acrescenta o Itamaraty na nota.

Ainda de acordo com a chancelaria, a liberdade de expressão é um direito fundamental consagrado no sistema jurídico brasileiro e deve ser exercida em consonância com os demais preceitos legais vigentes, sobretudo os de natureza criminal.

Entenda o caso

A crítica do Departamento de Estado ocorreu depois de Moraes bloquear a plataforma Rumble no País, afirmando que a rede social cometeu "reiterados, conscientes e voluntários descumprimentos das ordens judiciais, além da tentativa de não se submeter ao ordenamento jurídico e ao Poder Judiciário brasileiros". O ministro havia exigido que a empresa indicasse um representante no Brasil.

A Rumble e a Trump Media, empresa ligada a Donald Trump, processaram o ministro nos Estados Unidos, acusando-o de violar a soberania americana. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela Justiça americana. Na decisão, a juíza Mary Scriven não analisou o mérito da ação, argumentando que as decisões do ministro não se aplicam nos EUA e que não houve qualquer tentativa de impor seu cumprimento em território americano.

Segundo o inquérito das fake news, presidido por Moraes, o Estado brasileiro e suas instituições republicanas foram alvo de uma orquestração antidemocrática baseada na desinformação em massa, divulgada em mídias sociais. O processo tramita no STF há quase seis anos. Críticos de Alexandre de Moraes dizem que ele excede suas funções como juiz e atua com parcialidade.

Nos bastidores, a diplomacia de Lula associa a manifestação a ações recorrentes de parlamentares de direita e bolsonaristas expatriados nos Estados Unidos, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo.

Os passos do deputado nos EUA, alguns deles divulgados abertamente nas redes sociais, vêm sendo acompanhados por diplomatas. Nos últimos dias, Eduardo Bolsonaro fez um giro por gabinetes congressuais, inclusive de parlamentares ligados à América Latina, entre eles María Elvira Salazar. Republicana e da Flórida, ela é integrante da frente parlamentar do Brasil no país - a Brazil Caucus.

O deputado federal, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, visitou membros do Executivo americano e conversou com autoridades do Departamento de Estado.

O primeiro guichê que atende questões relacionadas ao Brasil é justamente o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, responsável pelas relações com as Américas. Ele é dirigido pelo embaixador Michael Kozak.

'Via de mão dupla'

Trata-se do mesmo órgão da diplomacia americana que fez a publicação em sua conta oficial no X. Na mesma plataforma, a conta do Departamento de Estado em espanhol reproduziu o texto traduzido.

"O respeito à soberania é uma via de mão dupla com os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos norte-americanos é incompatível com os valores democráticos", disse a diplomacia americana, também nesta quarta.

Reservadamente, embaixadores brasileiros a par da reação veem o parlamentar "clamando por interferência de Trump" no Brasil.

Eles defendem que a presença dele nos EUA deveria ser apurada e objeto de escrutínio, para se descobrir se ele usa verba pública e se viajou autorizado pela Câmara dos Deputados.

Leia a íntegra da nota:

O governo brasileiro recebe, com surpresa, a manifestação veiculada hoje pelo Departamento de Estado norte-americano a respeito de ação judicial movida por empresas privadas daquele país para eximirem-se do cumprimento de decisões da Suprema Corte brasileira.

O governo brasileiro rejeita, com firmeza, qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e ressalta a importância do respeito ao princípio republicano da independência dos poderes, contemplado na Constituição Federal brasileira de 1988.

A manifestação do Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente, inclusive a exigência da constituição de representantes legais a todas as empresas que atuam no Brasil. A liberdade de expressão, direito fundamental consagrado no sistema jurídico brasileiro, deve ser exercida, no Brasil, em consonância com os demais preceitos legais vigentes, sobretudo os de natureza criminal.

O Estado brasileiro e suas instituições republicanas foram alvo de uma orquestração antidemocrática baseada na desinformação em massa, divulgada em mídias sociais. Os fatos envolvendo a tentativa de golpe contra a soberania popular, após as eleições presidenciais de 2022, são objeto de ação em curso no Poder Judiciário brasileiro.