Nos EUA, maior incêndio florestal na Califórnia em 2024 queima área maior que Los Angeles

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O maior incêndio florestal da Califórnia este ano, batizado Park Fire, foi um dos mais de 100 incêndios queimando nos Estados Unidos no domingo, 28, de acordo com o Centro Nacional Interagências de Incêndios norte-americano. Até domingo, o incêndio havia queimado uma área maior do que a cidade de Los Angeles, escurecendo o céu com fumaça e mobilizando milhares de bombeiros. O incêndio abrangia mais 1.455 quilômetros quadrados no interior do norte da Califórnia.

Milhões de pessoas estavam sob alertas de qualidade do ar no domingo no noroeste dos EUA e no oeste do Canadá. O Park Fire começou na quarta-feira, 24, quando autoridades disseram que um homem empurrou um carro em chamas em um desfiladeiro em Chico e depois fugiu. O homem acusado de iniciar o incêndio foi preso na quinta-feira, 25, e deve comparecer ao tribunal nesta segunda-feira, 29.

Os bombeiros fizeram progresso e foram ajudados pela melhoria do tempo no domingo na luta contra incêndios florestais que cobrem áreas massivas e deixam um rastro de destruição. No entanto, novas desocupações e recursos foram necessários, já que milhares de profissionais enfrentam as chamas.

Embora sejam esperadas temperaturas mais frias do que a média até o meio desta semana, isso não significa que os incêndios existentes desaparecerão, disse Marc Chenard, meteorologista do Centro de Previsão do Tempo do Serviço Nacional de Meteorologia em College Park, Maryland.

Um aviso de "bandeira vermelha" estava em vigor para a região no domingo, o que significa que combustíveis secos e ventos mais fortes estavam aumentando o perigo de incêndio, disse o serviço meteorológico.

O Serviço Nacional de Meteorologia também emitiu avisos de "bandeira vermelha" no domingo para vastas áreas de Idaho, Montana, Utah, Colorado e Wyoming, além de partes da Califórnia. Incêndios queimaram no leste de Oregon e no leste de Idaho, onde as autoridades estavam avaliando os danos de um grupo de incêndios chamado Gwen Fire, que foi estimado em 111 quilômetros quadrados até domingo.

Na Califórnia, Paradise e várias outras comunidades do Condado de Butte estavam sob aviso de desocupação no domingo. As autoridades não esperavam que o incêndio avançasse mais em direção a Chico, uma cidade de cerca de 100 mil pessoas a oeste de Paradise. Nos próximos três dias, as equipes planejam extinguir pontos quentes e remover perigos, disse Pierce. O foco em salvar vidas e propriedades em risco mudou para enfrentar o incêndio de frente, disse Jay Tracy, porta-voz do quartel-general do Park Fire, à Associated Press no domingo.

"Crescimento explosivo, algo sem paralelo"

Quase 4 mil bombeiros estão combatendo o incêndio, auxiliados por vários helicópteros e aviões-tanque. Reforços são esperados para dar o tão necessário descanso aos bombeiros locais, alguns dos quais têm trabalhado sem parar desde quarta-feira, disse Tracy.

"O incêndio está surpreendendo muitas pessoas com seu crescimento explosivo", disse o porta-voz do quartel-general do Park Fire. "É algo sem paralelo." O Park Fire tem sido comparado ao Camp Fire de 2018, que devastou Paradise, matando 85 pessoas e queimando 11 mil casas.

Estragos

Cohasset exibia vestígios da devastação no domingo. Caixas de correio e veículos estavam cobertos com retardante de fogo rosa lançado por aviões. As carcaças de uma lavadora e secadora estavam cercadas por destroços queimados, e uma motocicleta carbonizada estava equilibrada em aros após seus pneus aparentemente terem derretido.

Outra parte de Cohasset estava relativamente ilesa, disse Garrett Sjolund, chefe dos bombeiros do Condado de Butte. "Temos uma ilha não queimada nessa comunidade que continuamos a patrulhar e garantir que não haja pontos quentes nela", disse Sjolund. Gerenciar as ordens de evacuação na área tem sido complexo. As autoridades estavam prestes a rebaixar uma ordem para um aviso de desocupação para Forest Ranch quando souberam que vários pontos quentes foram relatados nas proximidades, disse o xerife do Condado de Butte, Kory Honea. "Isso ilustra como as coisas podem mudar rapidamente", disse Honea. "Estávamos prontos para reduzir essa ordem para que as pessoas pudessem voltar para lá."

"As pessoas precisam sair do caminho"

No sul da Califórnia, cerca de 2 mil pessoas foram ordenadas a desocupar devido a um incêndio que varria a Floresta Nacional de Sequoia. O incêndio impulsionado pelo vento foi alimentado por plantas secas e mortas e se movia rapidamente, consumindo mais de 155 quilômetros quadrados em quatro dias, disse Andrew Freeborn, do Departamento de Bombeiros do Condado de Kern.

Nenhuma morte foi relatada nos incêndios Park e Borel, mas algumas pessoas estavam aumentando o perigo para todos ao desconsiderar as ordens de desocupação, disse Freeborn. "Quando as pessoas tentam ignorar as ordens e depois pedem resgate, isso tira os bombeiros da tarefa de combater os incêndios", disse ele. "Este incêndio está se movendo em um ritmo e com uma intensidade que as pessoas não devem pensar que podem esperar até o último minuto. Elas precisam sair do caminho."

A histórica cidade mineira de Havilah e várias outras comunidades foram "fortemente impactadas" pelos incêndios, mas era muito cedo para contar as casas queimadas, disse Freeborn. O Park Fire destruiu pelo menos 66 estruturas e danificou outras cinco, disse Tracy. As autoridades inicialmente acreditavam que 134 estruturas foram perdidas, com base em imagens de drones, mas reduziram o número após avaliar os danos pessoalmente, embora reconhecendo que a cifra poderia aumentar. "A cada dia, esse número tem potencial para crescer. Nossas equipes obviamente não fazem inspeções de danos quando há um incêndio ativo em uma área", disse Tracy. Fonte: Associated Press.

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A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade fez uma despedida para servidores da pasta nesta quarta-feira, 26, após ser demitida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira, 25. Em discurso, Nísia que a saída da Esplanada não a "diminui em nada".

"O governo pode ser pensado como um grande time ou orquestra, e o técnico desse time tem todas as bases e os elementos para definir que perfil, que jogador ele quer no momento, no segundo tempo. Isso não me diminui em nada", afirmou Nísia.

A ex-ministra afirmou que a meta dela era ficar no comando da pasta durante os quatro anos de mandato de Lula, mas que a demissão faz parte da "avaliação política" do petista. Sem detalhar, ela disse também que viveu "episódios muito ruins nos últimos dez dias". No período, Nísia passou por frituras por membros do governo.

"Não faltou apoio à Saúde e empenho. É claro, tivemos esses episódios muito ruins nos últimos dez dias. Não são episódios para serem esquecidos, são para serem analisados. Mas eu gosto de dizer, aprendi isso com um professor meu, que na vida a gente tem que virar a página, não arrancar e ter o registro da memória, mas seguir em frente", disse a ministra.

Durante a despedida, Nísia afirmou que nesta quinta-feira, 27, vai se reunir com o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e com o secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa, para iniciar a transição do comando da pasta.

"O governo do presidente continua, ele precisa de cada um de nós. Vou continuar a servir, não como governo, mas como pessoa pública que sou, como pesquisadora, enfim, não importa onde", disse a ministra. [Estou] contente porque terei certamente novos desafios na vida e porque o governo, certamente, continuará com um ministro que já foi ministro da Saúde, meu colega de ministério", completou ela no discurso.

A demissão de Nísia veio em meio da queda de popularidade do presidente, que decidiu deflagrar uma reforma ministerial. Com a escolha de Padilha, a ideia é ter um perfil mais político no ministério, que tem um orçamento de R$ 239,7 bilhões.

Nísia é a terceira mulher a deixar a Esplanada, reduzindo a presença feminina na equipe a nove dos 38 integrantes do Ministério. Antes dela foram Ana Moser (Esporte) e Daniela Carneiro (Turismo). Cida Gonçalves, atual ministra das Mulheres, é outro nome que deve sair na reforma planejada pelo presidente.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o plano de trabalho apresentado pelo Executivo e Legislativo para dar mais transparência e rastreabilidade às emendas parlamentares. Ele também liberou parcialmente o pagamento dos recursos. A decisão será submetida ao plenário da Corte para referendo, mas tem efeitos imediatos.

O ministro ressaltou que as emendas de 2025 e de anos anteriores que seguem bloqueadas serão liberadas após a homologação pelo plenário. A liberação não irá atingir os seguintes casos:

- quando houver impedimento técnico identificado pelo ordenador de despesas do Poder Executivo;

- quando a suspensão específica tenha sido determinada pelo STF por conta de auditorias realizadas pela CGU em ONGs e demais entidades do terceiro setor;

- quando envolver recursos destinados à Saúde que não estejam em contas específicas devidamente regularizadas nos bancos competentes;

- Emendas pix sem plano de trabalho apresentado e aprovado;

- Emendas de comissão e de bancada aprovadas sem identificação do parlamentar solicitante/apoiador e de sua destinação.

Dino ainda destacou que a liberação das emendas não impacta no julgamento do mérito das ações que questionam a falta de transparência nos repasses. "As Ações Diretas de Inconstitucionalidade propostas seguirão tramitando para que, quando do julgamento do mérito, outras questões jurídicas sejam levadas à apreciação do Plenário do STF", afirmou.

O ministro determinou ao Executivo e Legislativo que informem em 30 de maio de 2025 as atualizações acerca de cada eixo do plano de trabalho apresentado.

"Tal monitoramento não compreende 'ingerência' em outros Poderes, mas sim zelo pela autoridade da decisão judicial transitada em julgado, a fim de que ela não resulte em mera 'folha de papel'", afirmou.

Ele frisou que as ações planejadas pelos Poderes Executivo e Legislativo devem considerar a necessidade de identificar os autores das emendas de comissão e as emendas de bancada, cujos nomes devem constar em ata. "Tais proponentes podem ser parlamentares individualmente ou em grupo", ponderou."Ao observar o caminho percorrido, constato avanços relevantes no que se refere à promoção da transparência e da rastreabilidade na execução de emendas parlamentares", disse o ministro.

Entre os principais resultados alcançados, ele elencou a reformulação do Portal da Transparência, a abertura de contas específicas para transferências fundo a fundo de recursos para a saúde e a realização de auditorias pela CGU e pelo TCU.

Com a decisão, a audiência de conciliação entre os Poderes que estava marcada para esta quinta-feira, 27, foi cancelada. "A realização de nova Audiência será avaliada após a análise da homologação do Plano pelo Plenário do STF, seguindo-se o acompanhamento de sua implementação", disse o ministro.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva acusou o governo americano de tentar politizar decisões judiciais nesta quarta-feira, dia 26, após uma crítica pública à liberdade de expressão no Brasil, feita pelo Departamento de Estado. No post, a chancelaria americana diz que bloquear informações e multar empresas - numa referência às punições feitas pelo ministro Alexandre de Moraes contra a plataforma Rumble - é antidemocrático.

"O governo brasileiro rejeita, com firmeza, qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e ressalta a importância do respeito ao princípio republicano da independência dos poderes, contemplado na Constituição Federal brasileira de 1988", afirma o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O governo Lula disse ainda ter recebido com surpresa a manifestação do Departamento de Estado. "A manifestação do Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente, inclusive a exigência da constituição de representantes legais a todas as empresas que atuam no Brasil", acrescenta o Itamaraty na nota.

Ainda de acordo com a chancelaria, a liberdade de expressão é um direito fundamental consagrado no sistema jurídico brasileiro e deve ser exercida em consonância com os demais preceitos legais vigentes, sobretudo os de natureza criminal.

Entenda o caso

A crítica do Departamento de Estado ocorreu depois de Moraes bloquear a plataforma Rumble no País, afirmando que a rede social cometeu "reiterados, conscientes e voluntários descumprimentos das ordens judiciais, além da tentativa de não se submeter ao ordenamento jurídico e ao Poder Judiciário brasileiros". O ministro havia exigido que a empresa indicasse um representante no Brasil.

A Rumble e a Trump Media, empresa ligada a Donald Trump, processaram o ministro nos Estados Unidos, acusando-o de violar a soberania americana. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela Justiça americana. Na decisão, a juíza Mary Scriven não analisou o mérito da ação, argumentando que as decisões do ministro não se aplicam nos EUA e que não houve qualquer tentativa de impor seu cumprimento em território americano.

Segundo o inquérito das fake news, presidido por Moraes, o Estado brasileiro e suas instituições republicanas foram alvo de uma orquestração antidemocrática baseada na desinformação em massa, divulgada em mídias sociais. O processo tramita no STF há quase seis anos. Críticos de Alexandre de Moraes dizem que ele excede suas funções como juiz e atua com parcialidade.

Nos bastidores, a diplomacia de Lula associa a manifestação a ações recorrentes de parlamentares de direita e bolsonaristas expatriados nos Estados Unidos, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo.

Os passos do deputado nos EUA, alguns deles divulgados abertamente nas redes sociais, vêm sendo acompanhados por diplomatas. Nos últimos dias, Eduardo Bolsonaro fez um giro por gabinetes congressuais, inclusive de parlamentares ligados à América Latina, entre eles María Elvira Salazar. Republicana e da Flórida, ela é integrante da frente parlamentar do Brasil no país - a Brazil Caucus.

O deputado federal, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, visitou membros do Executivo americano e conversou com autoridades do Departamento de Estado.

O primeiro guichê que atende questões relacionadas ao Brasil é justamente o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, responsável pelas relações com as Américas. Ele é dirigido pelo embaixador Michael Kozak.

'Via de mão dupla'

Trata-se do mesmo órgão da diplomacia americana que fez a publicação em sua conta oficial no X. Na mesma plataforma, a conta do Departamento de Estado em espanhol reproduziu o texto traduzido.

"O respeito à soberania é uma via de mão dupla com os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos norte-americanos é incompatível com os valores democráticos", disse a diplomacia americana, também nesta quarta.

Reservadamente, embaixadores brasileiros a par da reação veem o parlamentar "clamando por interferência de Trump" no Brasil.

Eles defendem que a presença dele nos EUA deveria ser apurada e objeto de escrutínio, para se descobrir se ele usa verba pública e se viajou autorizado pela Câmara dos Deputados.

Leia a íntegra da nota:

O governo brasileiro recebe, com surpresa, a manifestação veiculada hoje pelo Departamento de Estado norte-americano a respeito de ação judicial movida por empresas privadas daquele país para eximirem-se do cumprimento de decisões da Suprema Corte brasileira.

O governo brasileiro rejeita, com firmeza, qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e ressalta a importância do respeito ao princípio republicano da independência dos poderes, contemplado na Constituição Federal brasileira de 1988.

A manifestação do Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente, inclusive a exigência da constituição de representantes legais a todas as empresas que atuam no Brasil. A liberdade de expressão, direito fundamental consagrado no sistema jurídico brasileiro, deve ser exercida, no Brasil, em consonância com os demais preceitos legais vigentes, sobretudo os de natureza criminal.

O Estado brasileiro e suas instituições republicanas foram alvo de uma orquestração antidemocrática baseada na desinformação em massa, divulgada em mídias sociais. Os fatos envolvendo a tentativa de golpe contra a soberania popular, após as eleições presidenciais de 2022, são objeto de ação em curso no Poder Judiciário brasileiro.