Ministério da Justiça faz quase 60 sugestões ao Senado para corrigir PL Antifacção de Derrite

Política
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) enviou ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do projeto de lei antifacção no Senado, um documento com 58 sugestões de correção no texto aprovado na Câmara, de autoria de Guilherme Derrite (PP-SP), deputado licenciado e secretário de Segurança Pública de São Paulo.

O senador havia solicitado aos envolvidos na discussão documentos que pudessem embasar o seu relatório sobre o projeto. Vieira, considerado um parlamentar equidistante do governo e da oposição bolsonarista, deve terminar o parecer até a próxima semana.

O documento de 35 páginas do MJSP faz uma série de equiparações entre o texto de Derrite e o projeto original, elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério, e aponta alguns aspectos que considera problemáticos na versão que Vieira recebeu da Câmara.

O MJ critica, sobretudo, o que vem chamando de "caos jurídico" que pode ser criado a partir de uma eventual aprovação do projeto de Derrite. Isso porque o texto aprovado cria um arcabouço do zero, o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, com uma nova tipificação; enquanto o projeto do governo apostava em atualizar legislações já existentes, como a Lei das Organizações Criminosas e o Código Penal.

"Criar um outro diploma para tratar paralelamente de 'organizações criminosas ultraviolentas', ao invés de fortalecer o combate ao crime organizado, poderá criar um conflito de normas e interpretações. O novo marco legal apresenta definição confusa do que seria essa 'organização criminosa ultraviolenta'. No mesmo dispositivo, ainda apresenta o conceito de facção criminosa, sem correlação com a definição prevista no art. 2º da legislação atual", diz o documento.

O governo também argumenta que o projeto atual pode, na sua visão, criminalizar movimentos sociais e manifestantes. O trecho em questão diz que "restringir, limitar, obstaculizar ou dificultar a livre circulação de pessoas, bens e serviços, públicos ou privados" passa a constituir crime.

"Malgrado as boas intenções, pode permitir a criminalização de ações políticas e sociais não-delitivas em sua origem, como movimentos meramente reivindicatórios de direitos", diz o MJ.

Em seguida, sugere a inclusão de um inciso para proteger civis inocentes: "O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria".

A questão da redivisão de recursos apreendidos do crime - o calcanhar de Aquiles do texto de Derrite, que levaria a uma descapitalização da verba da Polícia Federal - também recebeu sugestões do governo federal.

Enquanto Derrite sugere o rateio em partes iguais entre o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e os Fundos de Segurança Pública dos respectivos Estados ou do Distrito Federal dos valores apreendidos em caso de atuação conjunta entre a PF e as forças de segurança pública estaduais ou distritais, o MJ alega que a medida viola as vinculações legais e constitucionais já estabelecidas.

O governo diz que, atualmente, os bens e valores do tráfico de drogas devem ser destinados ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad); bens e valores de crimes cometidos por milícias devem ser direcionados ao FNSP; bens e valores obtidos nos crimes de lavagem de dinheiro vão para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol); e os bens e valores decorrentes das multas, recursos confiscados e alienados em favor da União dos crimes em geral vão para o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).

"Descapitalizar os fundos federais, no final das contas, é descapitalizar a PF, a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal, bem como as ações destas polícias no combate ao crime organizado. As receitas de perdimento de bens representam fonte vital de recursos para a execução das políticas públicas de segurança e justiça", diz o documento.

O governo afirma que, em 2025, as receitas vindas de bens apreendidos somaram aproximadamente R$ 367,48 milhões, e que a retirada ou redistribuição desses valores reduziria a capacidade operacional e financeira dos órgãos e fundos, "afetando diretamente a execução de políticas públicas".

O secretário de Assuntos Legislativos do MJSP, Marivaldo Pereira, afirmou ao Estadão que o governo "não vai admitir" a retirada de competência ou de recursos da PF e que vai "lutar até o fim" para derrubar o que chamou de obstáculos criados por Derrite a medidas para descapitalização das organizações criminosas e o bloqueio de patrimônio de criminosos.

Pereira mudou o discurso da semana passada logo após a aprovação no plenário da Câmara, quando ele declarou que a aposta do Palácio do Planalto era salvar o projeto original no Senado:

"Nunca há da parte do Executivo apego à aprovação do texto original. Estamos agora tentando salvar o sistema existente e evitar caos jurídico que a proposta, tal como está, vai criar no sistema de persecução penal, de combate a organizações criminosas. É possível ter outra proposta, mas precisa respeitar o sistema existente. Não fazemos questão de que seja o texto do governo", afirmou.

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O presidente do Congo, Felix Tshisekedi, viajará aos EUA na próxima semana para assinar um acordo final com seu homólogo ruandês, visando garantir a paz entre os países, informou o governo congolês nesta sexta-feira, 28, encerrando esforços diplomáticos de meses liderados pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O governo do Congo recentemente afirmou que a assinatura do acordo está condicionada à retirada do apoio de Ruanda aos rebeldes do M23 na conflituosa região leste.

A confirmação de Tshisekedi sobre a assinatura em 4 de dezembro ocorre um dia após o presidente de Ruanda, Paul Kagame, expressar otimismo em relação ao acordo, mas alertar que a paz duradoura na região só pode ser alcançada se "as pessoas diretamente envolvidas estiverem comprometidas em alcançar resultados".

O leste do Congo tem sido devastado por combates entre forças governamentais e mais de 100 grupos armados, sendo os rebeldes do M23, apoiados por Ruanda, os mais potentes. O conflito se intensificou este ano, com o M23 tomando as principais cidades da região, Goma e Bukavu, e agravando uma crise humanitária que já era uma das maiores do mundo.

(*Fonte: Associated Press)

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 28, que a "democracia está em julgamento" nas próximas eleições de 30 de novembro em Honduras e declarou apoio ao candidato Tito Asfura.

"Nicolás Maduro e seus narcoterroristas tomarão outro país como tomaram Cuba, Nicarágua e Venezuela? O homem que está defendendo a democracia e lutando contra Maduro é Tito Asfura, o candidato do Partido Nacional", escreveu Trump na Truth Social.

Segundo Trump, ele e Asfura podem trabalhar juntos para "combater os narcocomunistas" e "trazer a ajuda necessária ao povo de Honduras", acrescentando que, se Asfura vencer, ele será muito solidário com o país caribenho.

"Se ele não vencer, os EUA não desperdiçarão dinheiro, pois um líder errado só pode trazer resultados catastróficos para um país, não importa qual seja. Além disso, concederei um Perdão Total e Completo ao Ex-Presidente Juan Orlando Hernandez, que, segundo muitas pessoas que respeito muito, foi tratado de forma muito dura e injusta", pontuou o republicano em outra postagem.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou esperar que a Procuradoria Geral do país seja "mais transparente" após a saída do procurador Alejandro Gertz Manero. Os comentários acontecem em meio a uma disputa judicial com o empresário bilionário Ricardo Salinas Pliego, que tem causado uma onda de protestos no país.

"Acredito, é uma opinião pessoal, que a Procuradoria também necessita de uma transformação para o bem do México", disse Sheinbaum, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 28, afirmando que é "um compromisso com o povo do México para avançar na segurança, na paz e na tolerância zero à impunidade".

Antes de sair, Alejandro Gertz Manero apontou Ernestina Godoy, conselheira jurídica da presidência e ex-procuradora da Cidade do México, para substituí-lo até que o Senado escolha um novo procurador. Gertz Manero deixou a posição ontem para assumir o cargo de embaixador do México, à pedido de Sheinbaum.

A troca aconteceu durante uma disputa judicial com o Grupo Salinas, após a empresa ser acusada de cometer diversos crimes fiscais. Neste mês de novembro, a Suprema Corte do México impôs cobranças de US$ 2,5 bilhões de impostos à empresa, se referindo a taxas devidas entre 2008 e 2013. Após a decisão, Ricardo Salinas Pliego teria se alinhado com manifestantes que participaram de violentos protestos contra o governo de Sheinbaum, afirma a Reuters.

O empresário acusou as autoridades mexicanas de "extorsão", e afirmou concordar em pagar apenas US$ 400 milhões, montante que diz verdadeiramente dever, ainda segundo a Reuters.

*Com informações de Associated Press.