Bolsonaro pede nulidade e absolvição, cita voto de Fux e questiona trânsito em julgado

Política
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A defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta sexta-feira, 28, os embargos infringentes para tentar reverter a condenação do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista. No recurso, os advogados pedem que prevaleça o voto do ministro Luiz Fux, o que levaria à nulidade do processo ou à absolvição do ex-presidente.

A defesa afirma que o STF cometeu "erro judiciário" ao declarar o trânsito em julgado do processo contra Bolsonaro enquanto ainda transcorria o prazo para a apresentação dos embargos infringentes e pede que a decisão seja revista.

Este tipo de recurso tem potencial para reverter o mérito de uma condenação. Porém, a jurisprudência do STF é que são necessários dois votos contrários nas turmas para que os embargos infringentes sejam admitidos.

No caso de Bolsonaro, apenas Fux votou pela sua absolvição no julgamento realizado pela Primeira Turma.

Na última terça-feira, 25, o ministro Alexandre de Moraes declarou o trânsito em julgado da ação penal contra Bolsonaro e determinou o início do cumprimento da pena. Conforme o magistrado, não era necessário esperar o prazo dos embargos infringentes pois não havia dois votos pela absolvição do ex-presidente.

Embora afirme conhecer a jurisprudência do STF sobre os embargos infringentes, os advogados de Bolsonaro argumentam que a Corte procedeu de forma diferente nas ações do ex-presidente Fernando Collor de Mello e da cabeleireira Débora dos Santos.

De acordo com eles, nesses casos, primeiro os embargos infringentes foram apresentados. Depois, durante a análise, eles foram rejeitados de acordo com a jurisprudência da Corte.

"Em absolutamente todos os casos citados pelo Ministro Relator Alexandre de Moraes e repetidos no acórdão, a análise se deu no âmbito dos próprios recursos que se permitiu fossem propostos", disseram os advogados.

"Chama a atenção, portanto, que apenas no presente caso a secretaria judiciária tenha se antecipado certificando o trânsito em julgado ainda no curso do prazo recursal, em contraposição a todos os casos acima citados", acrescentaram.

Ainda de acordo com a defesa, a "antecipação" do trânsito em julgado impede o amplo direito à defesa e viola o Tratado de São José da Costa Rica, que trata sobre o direito ao duplo grau recursal.

No mérito, os advogados citaram o voto de Fux no julgamento, que absolveu Bolsonaro de todos os cinco crimes pelo qual foi condenado, para pedir a absolvição do ex-presidente.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, do qual foi apontado como líder, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração do patrimônio tombado.

Bolsonaro estava em prisão domiciliar até o último sábado, 22, por descumprir medidas cautelares. Na madrugada, ele tentou romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, teve a prisão preventiva decretada por Moraes e foi encaminhado para uma cela especial na sede da Polícia Federal em Brasília.

A PF também apontou risco de fuga por causa de uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a frente do condomínio do ex-presidente na capital federal.

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O presidente do Congo, Felix Tshisekedi, viajará aos EUA na próxima semana para assinar um acordo final com seu homólogo ruandês, visando garantir a paz entre os países, informou o governo congolês nesta sexta-feira, 28, encerrando esforços diplomáticos de meses liderados pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O governo do Congo recentemente afirmou que a assinatura do acordo está condicionada à retirada do apoio de Ruanda aos rebeldes do M23 na conflituosa região leste.

A confirmação de Tshisekedi sobre a assinatura em 4 de dezembro ocorre um dia após o presidente de Ruanda, Paul Kagame, expressar otimismo em relação ao acordo, mas alertar que a paz duradoura na região só pode ser alcançada se "as pessoas diretamente envolvidas estiverem comprometidas em alcançar resultados".

O leste do Congo tem sido devastado por combates entre forças governamentais e mais de 100 grupos armados, sendo os rebeldes do M23, apoiados por Ruanda, os mais potentes. O conflito se intensificou este ano, com o M23 tomando as principais cidades da região, Goma e Bukavu, e agravando uma crise humanitária que já era uma das maiores do mundo.

(*Fonte: Associated Press)

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 28, que a "democracia está em julgamento" nas próximas eleições de 30 de novembro em Honduras e declarou apoio ao candidato Tito Asfura.

"Nicolás Maduro e seus narcoterroristas tomarão outro país como tomaram Cuba, Nicarágua e Venezuela? O homem que está defendendo a democracia e lutando contra Maduro é Tito Asfura, o candidato do Partido Nacional", escreveu Trump na Truth Social.

Segundo Trump, ele e Asfura podem trabalhar juntos para "combater os narcocomunistas" e "trazer a ajuda necessária ao povo de Honduras", acrescentando que, se Asfura vencer, ele será muito solidário com o país caribenho.

"Se ele não vencer, os EUA não desperdiçarão dinheiro, pois um líder errado só pode trazer resultados catastróficos para um país, não importa qual seja. Além disso, concederei um Perdão Total e Completo ao Ex-Presidente Juan Orlando Hernandez, que, segundo muitas pessoas que respeito muito, foi tratado de forma muito dura e injusta", pontuou o republicano em outra postagem.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou esperar que a Procuradoria Geral do país seja "mais transparente" após a saída do procurador Alejandro Gertz Manero. Os comentários acontecem em meio a uma disputa judicial com o empresário bilionário Ricardo Salinas Pliego, que tem causado uma onda de protestos no país.

"Acredito, é uma opinião pessoal, que a Procuradoria também necessita de uma transformação para o bem do México", disse Sheinbaum, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 28, afirmando que é "um compromisso com o povo do México para avançar na segurança, na paz e na tolerância zero à impunidade".

Antes de sair, Alejandro Gertz Manero apontou Ernestina Godoy, conselheira jurídica da presidência e ex-procuradora da Cidade do México, para substituí-lo até que o Senado escolha um novo procurador. Gertz Manero deixou a posição ontem para assumir o cargo de embaixador do México, à pedido de Sheinbaum.

A troca aconteceu durante uma disputa judicial com o Grupo Salinas, após a empresa ser acusada de cometer diversos crimes fiscais. Neste mês de novembro, a Suprema Corte do México impôs cobranças de US$ 2,5 bilhões de impostos à empresa, se referindo a taxas devidas entre 2008 e 2013. Após a decisão, Ricardo Salinas Pliego teria se alinhado com manifestantes que participaram de violentos protestos contra o governo de Sheinbaum, afirma a Reuters.

O empresário acusou as autoridades mexicanas de "extorsão", e afirmou concordar em pagar apenas US$ 400 milhões, montante que diz verdadeiramente dever, ainda segundo a Reuters.

*Com informações de Associated Press.