Manifestantes acatam pedido de Bolsonaro e evitam faixas em ato na Paulista

Política
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Os manifestantes que compareceram ao ato de apoio a Jair Bolsonaro (PL) neste domingo, 25, na Avenida Paulista, atenderam o pedido do ex-presidente e evitaram faixas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) ou pedindo intervenção militar, como era comum nas manifestações bolsonaristas. O Estadão esteve na Paulista e identificou poucos cartazes e nenhum com as duas mensagens. No lugar das faixas, predominaram bandeiras do Brasil e de Israel.

 

Quando Bolsonaro subiu no trio elétrico, um aliado estendeu uma faixa com os dizeres "sem caminhão, o Brasil para; sem Bolsonaro, o Brasil quebra". Na frente do trio, uma menina estendeu um cartaz dizendo que era seu aniversário enquanto o ex-presidente discursava. Ela subiu no trio e Bolsonaro a pegou no colo ao fim do discurso.

 

Ao final da manifestação, uma mulher ergueu um cartaz com as fotos de Bolsonaro, do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e do presidente da Argentina, Javier Milei. "Trio maravilha", dizia a legenda das fotos.

 

Pressionado pelas investigações da Polícia Federal sobre suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-chefe do Executivo federal pediu, com antecedência, que seus apoiadores não levassem faixas "contra quem quer que seja" e fizessem um ato pacífico. Havia o temor da organização da manifestação e do próprio Bolsonaro de que eventuais cartazes ou cânticos antidemocráticos pudessem resultar em medidas judiciais, como ordens de prisão.

 

Os oradores pouparam o STF e evitaram fazer críticas frontais à Justiça. A exceção foi o pastor Silas Malafaia, último a discursar antes de Bolsonaro. Ele criticou Alexandre de Moraes e disse que o ministro tem "sangue nas mãos" por causa da morte de um dos presos pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro. Também chamou de "vergonha" a declaração do ministro Luís Roberto Barroso, que disse "perdeu, mané" para um bolsonarista após a derrota de Bolsonaro para Lula no segundo turno da eleição em 2022.

 

Malafaia alertou o público, pediu que os manifestantes não reagissem à parte mais dura de seu discurso e declarou que não tinha medo de ser preso pelas suas palavras. "Se eles te prenderem você vai sair de lá exaltado. Você vai sair de lá exaltado. Se eles te prenderem, não vai ser pra sua destruição, mas para a destruição deles", disse o pastor, se referindo a Bolsonaro.

 

Sem referências ao STF e ao artigo 142 da Constituição, que na interpretação bolsonarista permite a intervenção das Forças Armadas, vendedores aproveitaram para vender bandeiras do Brasil e de Israel durante a manifestação. A bandeira israelense foi bastante procurada por apoiadores do ex-presidente diante das recentes declarações do presidente Lula sobre a guerra em Gaza.

 

A reportagem também registrou venda do boneco Pixuleco, que faz alusão a Lula no período de cárcere do petista. Faixas com pedido de impeachment do atual presidente também foram vendidas para os manifestantes.

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O presidente da Argentina, Javier Milei, aproveitou uma brecha na Constituição e preencheu duas vagas da Suprema Corte por decreto durante o recesso do Congresso. A manobra controvertida foi publicada em Diário Oficial nesta quarta-feira, 26, e enfrenta o primeiro desafio legal. Em petição apresentada à Justiça, uma organização da sociedade civil pede a nulidade das nomeações.

Sem força para aprovar as indicações de Manuel García Mansilla e Ariel Lijo à mais alta Corte de Argentina, a Casa Rosada se utilizou do artigo da Constituição que prevê a nomeação "em comissão", ou seja, de forma interina durante o recesso do Congresso. Para os críticos, contudo, o mecanismo deveria ser usado em casos excepcionais.

Em petição à Justiça, o Centro de Estudos para a Promoção da Igualdade e da Solidariedade (CEPIS) solicitou a anulação do decreto, além de medida cautelar que anule os seus efeitos. No caso, encaminhado a tribunal federal em La Plata, a organização denuncia a "arbitrariedade e ilegalidade" do decreto e aponta para violação de "disposições constitucionais, bem como tratados internacionais que garantem a independência do Poder Judiciário".

No campo político, o líder da União Pela Pátria, José Mayans, ameaçou que a oposição peronista no Senado derrubaria as indicações de Milei no retorno do Legislativo, mês que vem. E até mesmo o PRO, de Mauricio Macri, que tem ministério no governo, se posicionou contra o nome de Ariel Lijo para Suprema Corte. Após reunião da alta cúpula, o partido sinalizou que a maior parte dos seus senadores votaria contra a nomeação, embora tenha decidido não emitir uma declaração pública sobre o encontro.

A Casa Rosada, se defende dizendo que o decreto visa normalizar os trabalhos da Suprema Corte e acusa o Senado de politizar as escolhas de Javier Milei para o Judiciário. "O Senado, em vez de ter realizado uma análise séria e objetiva da adequação dos candidatos propostos, optou repetidamente por adiar seu pronunciamento com base em considerações motivadas por conveniência política", acusou o governo no decreto.

As indicações de Javier Milei para ocupar duas das cinco vagas existentes na Corte enfrentam resistência tanto dos peronistas, quanto de aliados ocasionais do governo. O impasse se arrasta há quase um ano. As críticas recaem especialmente sobre a escolha de Ariel Lijo, acusado de atrasar investigações sobre corrupção envolvendo empresários e políticos. O juiz nega.

Sem conseguir os dois terços do Senado necessários para aprovar as indicações, a Casa Rosada apelou para o decreto. Nesse caso, as nomeações são interinas. Para garantir a vaga na Corte, os juízes precisam ser confirmados pelo Senado até o fim da próxima legislatura, em março de 2026. Antes disso, os argentinos renovam parte do Congresso nas eleições de meio de mandato e espera-se que o partido de Milei, A Liberdade Avança, amplie a sua bancada.

Em meio às críticas, o governo argumenta que está amparado pela Constituição e promete manter as negociações para garantir aprovação de Manuel García Mansilla e Ariel Lijo no Senado. O último presidente argentino a nomear juízes da Suprema Corte por decreto foi Mauricio Macri, que acabou recuando diante da repercussão negativa e agora critica publicamente a escolha de Lijo. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje a revogação das concessões concedidas ao regime de Nicolás Maduro, da Venezuela, por meio de um acordo sobre petróleo firmado durante o governo de Joe Biden. Assinado em 26 de novembro de 2022, o acordo tinha como objetivo principal a retomada parcial das atividades de exploração de petróleo na Venezuela, com a Chevron, uma das maiores petroleiras dos EUA, entre as beneficiadas. Em contrapartida, o regime de Maduro se comprometeria a implementar reformas políticas, incluindo a realização de eleições livres e justas, além da libertação de prisioneiros políticos.

"Estamos, por meio deste, revertendo as concessões que o desonesto Joe Biden fez a Nicolás Maduro", escreveu Trump em seu perfil na Truth Social. De acordo com o republicano, o regime venezuelano não cumpriu as condições estabelecidas, especialmente no que diz respeito à realização de eleições democráticas e à devolução de "criminosos violentos enviados ao nosso país". Trump afirmou que Maduro não tem cumprido a promessa de retornar esses "criminosos com a rapidez com que haviam acordado".

Em sua publicação, Trump também anunciou a decisão de encerrar o que chamou de "ineficaz e não cumprido 'Acordo de Concessão' de Biden". O presidente americano determinou que o acordo será encerrado na data da opção de renovação prevista para 1º de março de 2025.

O Escritório de Administração e Orçamento dos Estados Unidos e o Escritório de Gestão de Pessoal solicitaram de maneira conjunta que as agências federais enviem "planos de reorganização" e se preparem para iniciar demissões em larga escala, a pedidos do presidente do país, Donald Trump, segundo memorando divulgado nesta quarta-feira, 26.

No documento, é mencionado que o governo federal é "caro, ineficiente e profundamente endividado" e não está produzindo resultados, o que exige que a medida seja colocada em prática. "O dinheiro dos impostos está sendo desviado para financiar programas improdutivos e desnecessários que beneficiam grupos de interesse radicais enquanto prejudicam cidadãos americanos trabalhadores", justifica a nota.

O comunicado cita que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) instruiu as agências a "eliminar o desperdício e o inchaço" dos trabalhadores, como parte da "transformação crítica da burocracia federal".