Em busca de espaço em 2026, Kalil troca o PSD pelo Republicanos

Política
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times
O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD) acertou a ida para o Republicanos, após um jantar na noite desta quinta, 25, com o presidente do partido, deputado Marcos Pereira (SP), na capital mineira. Kalil ainda não anunciou a mudança oficialmente porque antes quer avisar Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, por quem disse ter "muita gratidão", de acordo com um interlocutores.

O acerto com o Republicanos, no entanto, foi confirmado ao Estadão por Pereira e por um aliado do ex-prefeito de Belo Horizonte. O presidente do PSD de Minas Gerais, deputado estadual Cássio Soares, também disse ter sido comunicado da decisão de Kalil.

Com a migração de legenda, Kalil apoiará a candidatura de Mauro Tramonte (Republicanos) a prefeito da capital mineira nas eleições deste ano. Apresentador de TV e deputado estadual, Tramonte lidera a disputa com 25% das intenções de voto, segundo pesquisa Quaest divulgada no último dia 16.

Kalil foi prefeito de Belo Horizonte entre 2017 e 2022, quando deixou o cargo para tentar se eleger ao governo de Minas Gerais. Ele foi derrotado pelo atual governador do Estado, Romeu Zema (Novo), ainda no primeiro turno.

Planos

Interlocutores do ex-prefeito afirmaram que Pereira indicou que o Republicanos quer que Kalil seja candidato a governador em 2026 e assuma a presidência do partido no Estado depois das eleições municipais de 2024.

Ele manifestava interesse em concorrer ao cargo novamente, mas no PSD teria de disputar espaço internamente com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que são do mesmo grupo político e apontados como candidatos naturais ao Palácio Tiradentes no próximo pleito.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, recentemente, durante agenda em Minas, que Pacheco é um "grande nome" para o governo do Estado, em 2026. "Ele teve uma atuação importante em defesa da democracia", disse o petista, em um dos elogios ao presidente do Congresso.

Lula e Pacheco têm se aproximado desde o ano passado com o acordo de que, se o senador ajudar o governo federal com a tramitação da pauta econômica, obterá o apoio do Executivo para disputar as eleições de 2026. Pacheco é um dos nomes potenciais de oposição a Zema.

Rompimento

O apoio a Mauro Tramonte representa o rompimento definitivo entre Kalil e o atual prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), que foi eleito seu vice nas eleições de 2020. Nas últimas semanas, Pacheco tentou convencer Kalil a apoiar Noman, mas a articulação não prosperou.

Segundo aliados, Kalil se queixa de que Noman não o apoiou na eleição para o governo de Minas, demitiu secretários da prefeitura, não o consultou sobre temas importantes da gestão municipal e ainda cedeu espaço na gestão para o "inimigo" Marcelo Aro (PP-MG), atual secretário da Casa Civil de Zema.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em outra categoria

O presidente da Argentina, Javier Milei, aproveitou uma brecha na Constituição e preencheu duas vagas da Suprema Corte por decreto durante o recesso do Congresso. A manobra controvertida foi publicada em Diário Oficial nesta quarta-feira, 26, e enfrenta o primeiro desafio legal. Em petição apresentada à Justiça, uma organização da sociedade civil pede a nulidade das nomeações.

Sem força para aprovar as indicações de Manuel García Mansilla e Ariel Lijo à mais alta Corte de Argentina, a Casa Rosada se utilizou do artigo da Constituição que prevê a nomeação "em comissão", ou seja, de forma interina durante o recesso do Congresso. Para os críticos, contudo, o mecanismo deveria ser usado em casos excepcionais.

Em petição à Justiça, o Centro de Estudos para a Promoção da Igualdade e da Solidariedade (CEPIS) solicitou a anulação do decreto, além de medida cautelar que anule os seus efeitos. No caso, encaminhado a tribunal federal em La Plata, a organização denuncia a "arbitrariedade e ilegalidade" do decreto e aponta para violação de "disposições constitucionais, bem como tratados internacionais que garantem a independência do Poder Judiciário".

No campo político, o líder da União Pela Pátria, José Mayans, ameaçou que a oposição peronista no Senado derrubaria as indicações de Milei no retorno do Legislativo, mês que vem. E até mesmo o PRO, de Mauricio Macri, que tem ministério no governo, se posicionou contra o nome de Ariel Lijo para Suprema Corte. Após reunião da alta cúpula, o partido sinalizou que a maior parte dos seus senadores votaria contra a nomeação, embora tenha decidido não emitir uma declaração pública sobre o encontro.

A Casa Rosada, se defende dizendo que o decreto visa normalizar os trabalhos da Suprema Corte e acusa o Senado de politizar as escolhas de Javier Milei para o Judiciário. "O Senado, em vez de ter realizado uma análise séria e objetiva da adequação dos candidatos propostos, optou repetidamente por adiar seu pronunciamento com base em considerações motivadas por conveniência política", acusou o governo no decreto.

As indicações de Javier Milei para ocupar duas das cinco vagas existentes na Corte enfrentam resistência tanto dos peronistas, quanto de aliados ocasionais do governo. O impasse se arrasta há quase um ano. As críticas recaem especialmente sobre a escolha de Ariel Lijo, acusado de atrasar investigações sobre corrupção envolvendo empresários e políticos. O juiz nega.

Sem conseguir os dois terços do Senado necessários para aprovar as indicações, a Casa Rosada apelou para o decreto. Nesse caso, as nomeações são interinas. Para garantir a vaga na Corte, os juízes precisam ser confirmados pelo Senado até o fim da próxima legislatura, em março de 2026. Antes disso, os argentinos renovam parte do Congresso nas eleições de meio de mandato e espera-se que o partido de Milei, A Liberdade Avança, amplie a sua bancada.

Em meio às críticas, o governo argumenta que está amparado pela Constituição e promete manter as negociações para garantir aprovação de Manuel García Mansilla e Ariel Lijo no Senado. O último presidente argentino a nomear juízes da Suprema Corte por decreto foi Mauricio Macri, que acabou recuando diante da repercussão negativa e agora critica publicamente a escolha de Lijo. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje a revogação das concessões concedidas ao regime de Nicolás Maduro, da Venezuela, por meio de um acordo sobre petróleo firmado durante o governo de Joe Biden. Assinado em 26 de novembro de 2022, o acordo tinha como objetivo principal a retomada parcial das atividades de exploração de petróleo na Venezuela, com a Chevron, uma das maiores petroleiras dos EUA, entre as beneficiadas. Em contrapartida, o regime de Maduro se comprometeria a implementar reformas políticas, incluindo a realização de eleições livres e justas, além da libertação de prisioneiros políticos.

"Estamos, por meio deste, revertendo as concessões que o desonesto Joe Biden fez a Nicolás Maduro", escreveu Trump em seu perfil na Truth Social. De acordo com o republicano, o regime venezuelano não cumpriu as condições estabelecidas, especialmente no que diz respeito à realização de eleições democráticas e à devolução de "criminosos violentos enviados ao nosso país". Trump afirmou que Maduro não tem cumprido a promessa de retornar esses "criminosos com a rapidez com que haviam acordado".

Em sua publicação, Trump também anunciou a decisão de encerrar o que chamou de "ineficaz e não cumprido 'Acordo de Concessão' de Biden". O presidente americano determinou que o acordo será encerrado na data da opção de renovação prevista para 1º de março de 2025.

O Escritório de Administração e Orçamento dos Estados Unidos e o Escritório de Gestão de Pessoal solicitaram de maneira conjunta que as agências federais enviem "planos de reorganização" e se preparem para iniciar demissões em larga escala, a pedidos do presidente do país, Donald Trump, segundo memorando divulgado nesta quarta-feira, 26.

No documento, é mencionado que o governo federal é "caro, ineficiente e profundamente endividado" e não está produzindo resultados, o que exige que a medida seja colocada em prática. "O dinheiro dos impostos está sendo desviado para financiar programas improdutivos e desnecessários que beneficiam grupos de interesse radicais enquanto prejudicam cidadãos americanos trabalhadores", justifica a nota.

O comunicado cita que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) instruiu as agências a "eliminar o desperdício e o inchaço" dos trabalhadores, como parte da "transformação crítica da burocracia federal".