Inverno aumenta os casos de rinossinusite

Coriza, congestão nasal e tosse são sintomas comuns a diversas doenças respiratórias, principalmente no inverno. Essa semelhança faz com que muita gente tenha dificuldade para diferenciar a origem do problema, e uma das confusões mais comuns é entre rinite e sinusite. Os dois problemas muitas vezes coexistem e são concomitantes na maioria dos indivíduos.
 
Na maioria das vezes, a rinite pode existir isoladamente. Já a sinusite não acompanhada de rinite é de ocorrência rara. Ou seja, as duas podem apresentar-se como doenças em continuidade.
 
"Atualmente, o termo rinossinusite tem sido mais aceito para referir-se aos sintomas da sinusite. Do ponto de vista prático, os termos representam a mesma doença. Ou seja, são usados para se referir a presença de inflamação nas cavidades dos ossos da face. A diferença é que a rinossinusite indica que há inflamação também nas fossas nasais", explica otorrinolaringologista Dr.Alexandre Colombini. 
 
 
Segundo o especialista, o termo pode ser meio confuso, porém, é crucial que você não tente diferenciar os sintomas e medicar-se por conta própria,  já que a sinusite é uma inflamação  que acomete a região interna dos seios da face, podendo ser aguda (duração inferior a 12 semanas) e crônica (duração superior a 12 semanas). Por sua vez, pode se manifestar de diferentes formas, existindo mais de um agente causador para a condição. A sinusite pode ser viral ou bacteriana. Entenda melhor:
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▪Viral: ocorre em razão de contato com vírus, os sintomas costumam ser: coriza; dor de cabeça; obstrução nasal e surgimento de secreção nasal. Eventualmente, há febre, mas geralmente baixa.
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▪Bacteriana: é causada por bactéria e também pode ocorrer posteriormente a um quadro viral da doença. É uma manifestação mais prolongada, havendo traços comuns como secreção nasal em uma ou ambas as narinas; secreção mais espessa (esverdeada, esbranquiçada ou amarelada); dor nos dentes e, eventualmente, febre.
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Do outro lado temos a rinite, que pode ser classificada em rinite alérgica, não alérgica e infecciosa. Rinite alérgica é a mais comum, caracterizada por um processo inflamatório crônico da mucosa nasal causada por alérgenos.
 
Dr. Alexandre ressalta os sintomas característicos de rinite alérgica, entre os quais rinorreia (secreção nasal excessiva), prurido, congestão nasal e espirros. E ressalta que pode ocorrer: edema periorbitário, tosse seca, dispneia e disfonia. 
 
Dados e estudo relatam que cerca 30% das pessoas sofram com rinite alérgica. "As crianças sofrem mais, com idade abaixo dos 05 anos, e os idosos acima dos 60 anos também, isto por que o sistema imunológico nestas faixas etárias é menos funcional. Com isso as chances de as gripes e resfriados voltarem a cada semana é maior, o que também acaba levando a um gasto maior dos anticorpos, abaixando ainda mais a resistência para que peguem mais e mais doenças respiratórias", explica o otorrinolaringologista. 
 
Dr. Alexandre conta que, em alguns pacientes, o doença pode desencadear sinusite, otite média, conjuntivite, faringite, laringite e asma. Os pacientes também podem descobrir reações cruzadas, por exemplo, os alérgicos a pólen da bétula podem descobrir que também são alérgicos à casca de maçã. Um sinal claro dessa ocorrência é a presença de prurido na garganta após ingerir uma maçã, ou mesmo espirros após descascar esta fruta. Isso ocorre devido às semelhanças das proteínas do pólen e dos alimentos. Há muitas substâncias com reações cruzadas" ressalta o médico.
 
Segundo o otorrino, para o diagnóstico, é preciso fazer uma boa consulta e realizar exame físico cuidadoso. O tratamento da rinite alérgica consiste em quatro estratégias principais:
 
1. Medidas para controlar o ambiente e evitar alérgenos
 
Evitar o máximo possível a exposição a alérgenos como pólen, ácaros e mofo.
 
2. Farmacoterapia: Anti-histamínicos orais, anti-histamínicos associados aos descongestionantes, outros fármacos como corticosteroides orais e tópicos nasais e antileucotrienos. Geralmente, para o tratamento da rinite alérgica, os anti-histamínicos de segunda geração são preferíveis aos de primeira geração. 
 
3. Imunoterapia: Este tratamento pode ser considerado mais eficaz nos casos de difícil controle, quando há resposta inadequada às outras opções de tratamento e na presença de comorbidades ou complicações.