As exportações de máquinas e equipamentos da indústria brasileira devem encerrar este ano com crescimento de 6,4% sobre o ano passado, previu nesta quarta-feira, 29, a diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Maria Cristina Zanella. Mas essa expansão prevista nos embarques não será suficiente para alterar a projeção da entidade em relação a uma queda de 3,6% na receita do setor como um todo.
Mais do que isso, Zanella reconhece a existência de um viés de piora diante dos dados mais recentes do setor, já que, segundo ela, as vendas no mercado interno devem continuar se retraindo.
A executiva afirmou, ainda, que a perda de competitividade no mercado dos Estados Unidos é um dos fatores de pressão, especialmente na comparação com fabricantes locais. Segundo ela, quando o Brasil é comparado a outros países que exportam para os EUA, as tarifas praticadas são muito próximas da penalização enfrentada pela indústria brasileira.
O problema maior, disse Zanella, aparece na disputa direta com o produtor americano, que fabrica praticamente todos os tipos de máquinas produzidos no Brasil. "Aí a perda de competitividade é bem elevada", afirmou.
Nesse ambiente, Zanella disse que a expectativa é de uma queda mais próxima do observado no pior momento recente do ciclo, entre agosto e novembro do ano passado, quando o setor registrou retração próxima de 11% a 12%.
Embora a Abimaq ainda não tenha revisado oficialmente as projeções, Zanella sinalizou que a correção pode ocorrer já no próximo mês. Ela afirmou que, ao replicar neste ano os mesmos níveis do segundo semestre de 2025, a queda seria maior do que a estimada atualmente.
"É ter um pouco de otimismo nesse número que a gente está falando, uma queda em torno de 3%", disse, acrescentando que a retração pode se aproximar mais de 5% a 6% do que dos 3,6% projetados. "Esses números a gente vai revisar com mais rigor e trazer para vocês na próxima coletiva", disse aos jornalistas.
0 Comentário(s)