Após retornar ao Brasil nesta semana, o técnico Carlo Ancelotti falou nesta quarta-feira sobre a campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, seu período no comando da equipe, os planos para o futuro do futebol brasileiro e o encerramento do ciclo de alguns jogadores veteranos.
O experiente treinador afirmou que mudanças acontecerão no elenco, começando pela saída de três nomes importantes: Neymar, Casemiro e Danilo, considerados líderes da geração. Ao fim do duelo contra o UCV, nesta terça-feira, o camisa 10, que disputou quatro Mundiais, já havia falado sobre o fim de sua passagem.
"Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos. Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar, não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028. Temos que ter uma conexão muito forte com a seleção sub-20, que tem que preparar as Olimpíadas", disse Ancelotti em entrevista ao portal ge.
Apesar de considerar importante uma renovação no grupo, o italiano afirmou que não pretende promover uma revolução entre os 26 convocados para o Mundial disputado na América do Norte. Segundo ele, o zagueiro Marquinhos é uma peça importante para o ciclo até 2030.
"Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para citar um nome. Acho que é importante que ele permaneça para dar um sinal de continuidade ao trabalho. Mas a ideia é renovar e dar espaço para uma nova geração", afirmou.
ERROS DURANTE A COPA DO MUNDO
Ancelotti também refletiu sobre a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo, quando a seleção foi derrotada pela Noruega por 2 a 1. Erling Haaland marcou os dois gols dos europeus, enquanto Neymar descontou de pênalti, nos minutos finais.
"Depois de uma derrota, acho que é importante tirar um tempo para pensar, recuperar e analisar com atenção o que aconteceu. Também é preciso olhar para o futuro. Por isso, depois da derrota, preferi ir para onde está minha família para descansar, refletir e compartilhar ideias com a comissão técnica e com a CBF, para tentar melhorar o que aconteceu e projetar um novo grupo para o futuro", afirmou.
"Não foi um período fácil, por causa da tristeza e da decepção da derrota. É uma derrota diferente, porque acontece em uma Copa do Mundo. Você não tem tempo, como em um clube, para reagir e se recuperar. A derrota permanece por mais tempo. Foi isso que aconteceu nesses dias. Mas agora voltamos ao trabalho, às avaliações e a pensar na formação de um novo grupo, com jogadores jovens. Acho que será um trabalho interessante", completou.
O treinador também analisou a partida contra a Noruega. O time teve menos posse de bola que o adversário, que controlou mais de 60% das ações, e o técnico admitiu um erro estratégico.
"Acho que, até a parada para hidratação do segundo tempo, a equipe estava bem posicionada em campo. Tivemos a oportunidade de marcar no pênalti e também com o Endrick. A autocrítica que faço é que mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação, e aí perdemos o controle do jogo", concluiu.
DE OLHO NO MEIO-CAMPO
Diante da dificuldade em manter a posse de bola na derrota para os noruegueses, Ancelotti revelou que pretende encontrar meio-campistas de maior qualidade técnica para ampliar as opções táticas.
"Se surgirem jogadores novos, um meio-campista de muita qualidade, obviamente você pode praticar um jogo de maior posse de bola. Temos que observar a evolução dos novos meio-campistas. Acho que estamos muito bem servidos no ataque para o futuro e também na defesa. Precisamos encontrar meio-campistas de alto nível", comentou.
Durante a Copa do Mundo, Ancelotti enfrentou problemas no setor de criação, principalmente após a lesão de Lucas Paquetá na partida contra o Japão. No elenco, a maior parte dos atletas da posição tinha características mais defensivas, como Casemiro, Fabinho, Ederson, Bruno Guimarães e Danilo Santos.
"Na formação do talento, é preciso haver uma conexão com os clubes. São os clubes que formam os jogadores. A seleção pode ajudar, obviamente, mas essa parceria é fundamental. No futuro, queremos estreitar a relação com os clubes para desenvolver os talentos. Precisamos focar mais na formação de meio-campistas", finalizou o treinador, que tem contrato com a CBF por mais quatro anos.
O Brasil já tem data para voltar a campo. A equipe enfrentará a Austrália em dois amistosos durante a Data Fifa de setembro, nos dias 25 e 29. As partidas serão disputadas em território australiano, nas cidades de Townsville e Brisbane.
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