São Paulo está sediando nesta semana a 40ª edição da APAS Show, reconhecida como o maior evento de alimentos e bebidas das Américas e o maior festival supermercadista do mundo. A feira acontece de 18 a 21 de maio no Expo Center Norte e hoje, terça-feira (19), é o segundo dia do evento — já em pleno ritmo.
Os números impressionam. São cerca de 900 expositores, com a presença de 24 países, incluindo Argentina, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes, França, Índia, Itália, Estados Unidos e Vietnã. A expectativa da organização é superar os R$ 16,5 bilhões em negócios registrados na edição de 2025.
Mas o que é mais curioso são as tendências de consumo que estão dominando os corredores da feira — e que devem moldar o que você vai encontrar nas gôndolas nos próximos meses:
Premiumização até no café do dia a dia. A cooperativa Cooxupé aposta no crescimento do consumo de cafés premium no Brasil, com versões em embalagens menores de 250 gramas, pensadas para facilitar a experimentação e ampliar o giro nos supermercados. A tendência é clara: o brasileiro está trocando quantidade por qualidade, mesmo no cafezinho de todo dia.
Copa do Mundo invadindo as prateleiras. A Coca-Cola FEMSA Brasil aposta na conexão com a Copa do Mundo FIFA 2026 para impulsionar ativações, trazendo embalagens temáticas, novos sabores de Powerade, e até uma edição Fanta Xbox e Monster Ultra Strawberry Dreams.
Saudabilidade deixou de ser nicho. As marcas chegam à feira apostando forte em saudabilidade, conveniência e experiência no ponto de venda, com produtos de baixa caloria, rastreabilidade da matéria-prima e linhas voltadas ao equilíbrio alimentar ganhando espaço central.
Angélica no palco falando de consumo familiar. No dia 21, a apresentadora Angélica participa do painel "O Poder da Conexão: Família, Consumo e Varejo", que vai discutir hábitos de consumo, experiências de compra e a relação dos supermercados com a rotina das famílias brasileiras.
E no cenário mais amplo, o dólar está dando uma forcinha ao consumidor. A moeda americana fechou cotada a R$ 4,99 ontem, abaixo dos R$ 5 — patamar que não se via há tempos — e que já começa a impactar preços de importados nas gôndolas.
Por outro lado, a inflação não dá trégua total. O mercado financeiro projeta que o IPCA feche 2026 em 4,86%, com a Selic em 14,75% ao ano. Ou seja, o crédito continua caro, mas o consumo segue resiliente, puxado pelo emprego em alta e pela criatividade da indústria.
A mensagem que sai da maior feira de supermercados do mundo é essa: o consumidor brasileiro de 2026 quer mais qualidade, mais experiência e mais saúde no carrinho — e está disposto a pagar por isso, desde que perceba valor real no que leva para casa.
0 Comentário(s)