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Após manutenção da Selic a 15,0%, CNI diz ser indispensável flexibilização na próxima reunião

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) recebeu "com enorme preocupação" a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15,0% ao ano e defendeu a flexibilização da política monetária na próxima reunião do colegiado, em março. "A cautela, defendida pelo Banco Central, ignora a queda da inflação e os danos que o atual patamar da Selic causa à sociedade", disse a entidade, em nota.

Apesar de manter o atual patamar da Selic, o Copom sinalizou um corte na taxa básica de juros na reunião de março. Esse forward guidance foi uma sinalização mais forte do que a esperada pela maior parte do mercado.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros "há muito tempo". "Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião", defendeu.

A CNI avalia que o Banco Central desconsiderou "diversos sinais" que tornavam possível a redução da Selic de forma imediata. Exemplifico com o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025, que subiu 4,26%, abaixo do teto de inflação (4,5%), e do IPCA de 2024 (4,83%).

A confederação ainda sustentou que as expectativas de inflação caminham para o centro da meta, de 3%. De acordo com as últimas projeções do Boletim Focus, o IPCA deverá fechar 2026 com alta de 4%, ante 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028. Além disso, as projeções do Banco Central apontam inflação de 3,1% no horizonte relevante da política monetária, quando se considera o cenário de redução da taxa de juros do Boletim Focus.

Juros reais

Para a CNI, o atual patamar da Selic é "extremamente excessivo", pois representa uma taxa de juros real de 10,5% a.a., cerca de 5,5 p.p. acima da taxa de juros neutra, que não estimula crescimento nem desestimula a atividade econômica, estimada pelo próprio Banco Central em 5% a.a.

De acordo com as projeções da CNI, a taxa de juros que concilia a busca pelo pleno emprego com a busca pela estabilidade de preços deveria estar próxima de 10,3% a.a., quando se leva em conta a inflação dos últimos 12 meses.

A Selic elevada trouxe inúmeros prejuízos ao setor produtivo, continuou a entidade. Segundo a Sondagem de Crédito, 80% das empresas que tiveram dificuldades para contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo culpam os juros altos como principal entrave. Além disso, cerca de 33% das empresas industriais que renovaram crédito nos seis meses anteriores à pesquisa afirmaram que as condições de financiamento, como taxa de juros, número de parcelas, período de carência e exigência de garantias, estavam piores ou muito piores.

Ao encarecer o custo de capital e dificultar o acesso ao crédito, os juros altos também agravam o "Custo Brasil", continuou a CNI, ao tratar do conjunto de dificuldades estruturais, financeiras, burocráticas, trabalhistas e tributárias que oneram a produção e o consumo no País. "Esse fardo sistêmico compromete a competitividade da indústria brasileira, dificulta investimentos e a inserção dos nossos produtos no mercado global."

Outro reflexo da Selic elevada é a falta de confiança do empresário: o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), da CNI, registrou, em janeiro de 2026, o pior resultado para o mês em 10 anos: 48,5 pontos, em uma escala de 0 a 100, em que valores abaixo de 50 pontos mostram falta de confiança dos empresários. "A baixa confiança faz com que os dirigentes industriais deixem de produzir, contratar e investir, afetando a inflação futura com o menor crescimento da oferta na economia", finalizou a confederação.

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