A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e representantes da indústria, do varejo, de importadores e de distribuidores norte-americanos falaram nesta terça-feira, 7, contra a imposição de novas tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos. As declarações ocorreram em audiência do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) que discutiu a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras, realizada no escritório do U.S. International Trade Commission (ITC), em Washington.
A gerente de Relacionamento e Negócios da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, destacou a interdependência produtiva e comercial entre os dois países, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico em um mercado dependente de importações, principalmente para pequenos e médios varejistas.
"A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais no desenvolvimento de produtos e coleções, especialmente em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos - particularmente devido à maior proximidade logística - e maior capacidade de resposta à demanda", afirmou.
Assim como outros representantes do setor produtivo nacional, Letícia frisou que o Brasil representa uma alternativa estratégica com escala produtiva significativa no Hemisfério Ocidental, fazendo frente à China. Atualmente, o Brasil é o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior produtor fora da Ásia, tendo produzido, em 2025, 847 milhões de pares.
Embora os EUA importem calçados de várias origens, a gerente ressaltou que a oferta permanece fortemente concentrada na Ásia. Em termos de volume, a China detém a maior fatia, com 48%, seguida pelo Vietnã (28%) e Indonésia (10%).
Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem aproximadamente 20 milhões de pares, o equivalente a cerca de 1% de todo o seu consumo doméstico.
"Por essas razões, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros não ajudaria a tratar dos atos sob investigação. Pelo contrário, tenderia a aumentar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração das fontes de abastecimento dos Estados Unidos em origens já dominantes, indo na contramão dos interesses norte-americanos em diversificação, resiliência e segurança da cadeia de suprimentos", concluiu Letícia.
Conforme dados da Abicalçados, no primeiro semestre de 2026, foram exportados para os Estados Unidos 5,6 milhões de pares por US$ 82,25 milhões, quedas de 3,6% em volume e de 23,6% em receita no comparativo com o mesmo intervalo do ano passado.
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