Continue lendo o artigo abaixo...
O bloco político dominante do Iraque anunciou neste sábado (24) a indicação do ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki como seu candidato ao cargo. A decisão ocorre após a renúncia do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani, cujo bloco conquistou a maior parte das cadeiras nas eleições parlamentares de novembro.
Esse cenário abriu caminho para al-Maliki, após disputa pelo apoio da Coligação de Coordenação, uma aliança de partidos xiitas. O bloco citou a experiência política e administrativa para justificar a preferência por al-Maliki.
De acordo com a Constituição iraquiana, o presidente é eleito pelo Parlamento, que então nomeia o primeiro-ministro, que fica responsável por formar o novo governo.
Al-Maliki, que assumiu o cargo de primeiro-ministro pela primeira vez em 2006, é o único primeiro-ministro iraquiano a cumprir um segundo mandato desde a invasão liderada pelos EUA, que derrubou Saddam Hussein, em 2003. Sua tentativa de um terceiro mandato fracassou após ser acusado de monopolizar o poder e alienar sunitas e curdos.
Sua escolha agora provavelmente será polarizadora, particularmente entre a comunidade sunita do Iraque.
O Conselho Político Nacional do Iraque, uma coalizão de partidos sunitas, em um comunicado, pediu à Estrutura de Coordenação que assumisse a "responsabilidade histórica" e alertou contra a reciclagem de líderes "cujas experiências passadas falharam" em alcançar a estabilidade ou restaurar a confiança pública.
No entanto, a Aliança Azm, um influente partido sunita, rejeitou a declaração do conselho e manifestou apoio a al-Maliki, evidenciando uma divisão dentro do bloco político sunita sobre a nomeação e refletindo divisões políticas mais amplas no país.
Pressão EUA-Irã
O próximo governo provavelmente enfrentará pressões crescentes tanto dos Estados Unidos quanto do Irã, tendo que lidar com a delicada questão do destino dos grupos armados não estatais.
Os EUA têm pressionado o Iraque a desarmar os grupos apoiados pelo Irã - uma proposta difícil, dado o poder político que muitos deles detêm e a provável oposição do Irã a tal medida.
O desarmamento desses grupos, muitos dos quais lutaram contra o Estado Islâmico (EI) quando este varreu o Iraque há uma década, provavelmente enfrentará oposição interna em meio a temores crescentes de um ressurgimento do EI devido à instabilidade na vizinha Síria.
Na quarta-feira, militares dos EUA disseram que começaram a transferir alguns dos 9 mil detidos do EI mantidos em mais de uma dúzia de centros de detenção no nordeste da Síria para centros de detenção no Iraque. Fonte: Associated Press.
Seja o primeiro a comentar!