Uma novidade relevante e pouco debatida no turismo brasileiro ganhou destaque esta semana, e ela muda a forma como hotéis, aeroportos e restaurantes precisam pensar o atendimento.
O Ministério do Turismo lançou o "Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes", iniciativa inédita voltada à ampliação da acessibilidade no setor turístico brasileiro. O material reúne orientações práticas para hotéis, aeroportos, restaurantes, atrativos turísticos e organizadores de eventos adaptarem serviços e ambientes para pessoas neurodivergentes, incluindo autistas, pessoas com TDAH e dislexia.
O que é curioso — e pouco óbvio — é o que a pesquisa por trás do guia revelou: os dados mostram que as dificuldades enfrentadas por turistas neurodivergentes vão além da estrutura física e estão, principalmente, na forma como a experiência é planejada, comunicada e conduzida. A análise identificou que o atendimento e o preparo das equipes são os fatores de maior impacto na experiência turística. Ou seja, não é só uma questão de rampas ou banheiros adaptados — é sobre como as pessoas são recebidas e tratadas.
Durante uma oficina que acompanhou o lançamento, profissionais do setor foram convidados a pensar soluções reais para situações comuns do turismo, como barulho excessivo em shows, iluminação intensa, excesso de estímulos visuais em eventos, filas longas, cheiro forte e falta de previsibilidade durante viagens — desafios que, para a maioria das pessoas, passam despercebidos, mas que podem tornar uma viagem insuportável para quem tem o sistema nervoso mais sensível.
O guia foi desenvolvido a partir de uma pesquisa nacional realizada pela Universidade do Estado do Amazonas em parceria com o Ministério do Turismo, que ouviu 761 participantes entre fevereiro e março de 2026, incluindo pessoas neurodivergentes, familiares e profissionais da área.
O timing é relevante: o Brasil vive hoje seu melhor momento histórico no turismo, com gastos de turistas estrangeiros somando R$ 16 bilhões entre janeiro e março de 2026, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Incluir quem historicamente foi excluído dessas experiências é, ao mesmo tempo, um ato de justiça e uma oportunidade enorme para o setor.
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