Os brasileiros estão vivendo mais, porém enfrentam um período cada vez maior da vida com problemas de saúde. É o que revela um estudo baseado no Global Burden of Disease (Carga Global de Doenças) 2023, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. Segundo a pesquisa, a expectativa de vida no Brasil gira em torno de 76 anos, mas, em média, 12,5 desses anos são vividos com alguma doença ou incapacidade, o maior índice já registrado no país.
A evolução dos dados mostra uma tendência de crescimento ao longo das últimas décadas. Em 1990, os brasileiros conviviam, em média, com 10,4 anos de doença. O número subiu para 11,2 anos em 2010, chegou a 11,7 em 2020, recuou ligeiramente para 11,4 em 2021, voltou a crescer para 12,2 em 2022 e alcançou 12,5 anos em 2023, refletindo o avanço das doenças crônicas e do envelhecimento da população.
Entre as principais causas desse tempo vivido com limitações estão os distúrbios musculoesqueléticos, especialmente a dor lombar, os transtornos mentais, como depressão e ansiedade, doenças relacionadas aos órgãos dos sentidos — incluindo a perda auditiva associada ao envelhecimento —, além das lesões não intencionais, principalmente provocadas por quedas, e outras doenças crônicas não transmissíveis. O estudo também aponta que fatores de risco como obesidade, hipertensão arterial e diabetes têm aumentado sua participação na carga de doenças do país.
Os pesquisadores destacam que o desafio da saúde pública brasileira deixou de ser apenas aumentar a expectativa de vida. Agora, o objetivo é ampliar os anos vividos com qualidade e autonomia. Para isso, especialistas defendem investimentos em prevenção, promoção da saúde, combate ao sedentarismo, alimentação saudável, atenção à saúde mental e fortalecimento da atenção básica, medidas consideradas essenciais para reduzir o impacto das doenças crônicas sobre a população.
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