A corrida presidencial de 2026 começou oficialmente no domingo, 16 de agosto, com os dois favoritos apostando na força da memória política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e discursou no estádio de Vila Euclides — o mesmo espaço onde, no fim dos anos 1970, dirigiu-se a multidões de metalúrgicos em greve e construiu a base do que viria a ser sua trajetória nacional. O senador Flávio Bolsonaro (PL) optou por Copacabana, na zona sul do Rio, endereço das grandes concentrações que marcaram o bolsonarismo na última década.
O tom foi de confronto desde o primeiro dia. Lula percorreu quase cinquenta anos de biografia política, cobrou responsabilidade da direita pela condução da pandemia e tentou emendar a nostalgia a uma agenda de futuro, com destaque para as descobertas de petróleo na bacia do Amazonas. Do outro lado, Flávio apoiou-se na continuidade do legado paterno — chegou a exibir um áudio gravado por Jair Bolsonaro — e concentrou o discurso em acusações de corrupção contra o governo federal.
Pesquisa Quaest divulgada às vésperas da abertura mostra Lula à frente, com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem empatados com 4%, e Romeu Zema (Novo) registra 2%. Caiado e Zema também iniciaram suas campanhas no domingo, cada um em seu estado de origem.
A escolha geográfica dos dois primeiros colocados não é acidental. O Sudeste concentra cerca de 40% do eleitorado nacional, e tanto o ABC paulista quanto a orla carioca funcionam menos como palanque logístico do que como declaração de identidade. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
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