A cantora e compositora Carly Simon revelou, nesta segunda-feira, 27, que foi diagnosticada com doença de Parkinson. Em um comunicado divulgado pela revista People, a artista de 83 anos explicou que decidiu tornar pública a condição após um longo período de reflexão e adaptação à nova realidade.
"Muitas pessoas me escreveram, gentilmente curiosas sobre meu relativo silêncio, perguntando como estou e o que tenho feito. A verdade é que tenho aprendido a conviver com a doença de Parkinson", afirmou. "Levei algum tempo para entender o diagnóstico, me adaptar a ele e decidir o quanto eu queria falar sobre isso publicamente."
No comunicado, Simon contou que os sintomas começaram de forma discreta e, inicialmente, foram atribuídos às cirurgias de substituição dos dois joelhos e de um dos quadris realizadas por causa da artrite.
"Presumi que minha dificuldade para andar era simplesmente uma parte infeliz do processo de recuperação. Mas minha mobilidade continuou a piorar", relatou. A artista contou que passou a ter dificuldade para se levantar de cadeiras e sofás sem ajuda e que, em determinados momentos, sequer conseguia caminhar sozinha.
Foi após uma avaliação completa na Clínica Mayo que veio o diagnóstico definitivo. "Minha família e eu sabíamos que havia algo mais sério acontecendo. Após uma avaliação completa na Clínica Mayo, fui diagnosticada com Parkinson."
Muito além dos sintomas físicos
Carly Simon ressaltou que a doença afeta não apenas os movimentos, mas também a saúde emocional. Segundo ela, o Parkinson trouxe episódios de ansiedade, depressão, exaustão e apatia.
"A doença de Parkinson geralmente está associada a movimentos, tremores e problemas de equilíbrio, mas pode afetar muito mais do que o corpo", escreveu. "A apatia é particularmente estranha. Não se trata simplesmente de tristeza ou preguiça. É como se a parte do cérebro que envia convites para participar da vida tivesse temporariamente perdido a lista de convidados."
A cantora explicou ainda que convive com dias bastante diferentes. "Alguns dias estou tão cansada que não consigo fazer nada. Em outros, me dá um pouco mais de espaço para me movimentar, pensar, trabalhar e me sentir eu mesma."
Diagnóstico de câncer e afastamento dos holofotes
Além do Parkinson, Simon revelou que também enfrentou um carcinoma basocelular, o tipo mais comum de câncer de pele. O tumor foi removido por meio de cirurgia, mas o procedimento afetou sua autoestima.
"O câncer foi removido, mas a cirurgia afetou minha aparência e me deixou mais insegura em público", afirmou. "Sempre fui mais crítica com a minha aparência do que qualquer outra pessoa poderia imaginar, veja a ironia de ter escrito You're So Vain."
Segundo a artista, a soma das dificuldades de mobilidade, do tratamento contra o câncer e dos impactos emocionais dos diagnósticos fez com que ela optasse por se afastar da vida pública durante os últimos anos.
A música como refúgio
Apesar dos desafios, Carly Simon garantiu que nunca deixou de criar. Durante esse período, ela trabalhou em Comes in Waves, seu primeiro álbum de músicas inéditas desde 2008, com lançamento marcado para 14 de agosto.
"Mas eu não parei de viver, e não parei de trabalhar", destacou. "A música sempre soube a hora de chegar. Ela me salvou mais vezes do que consigo contar."
A cantora afirmou que o processo de composição ajudou a dar sentido aos dias mais difíceis. "Trabalhar na música deu forma a dias que nem sempre tinham muita forma. Lembrou-me que a doença pode mudar a sua vida sem se tornar a sua totalidade.'
Mensagem aos fãs
Ao encerrar o comunicado, Carly Simon agradeceu o apoio da família, dos amigos, dos profissionais de saúde e dos fãs que demonstraram preocupação durante seu período de afastamento.
"Hoje em dia, me movo mais devagar, dependo mais dos outros do que antes e aprendi a aceitar que cada dia será um pouco diferente", escreveu. "Mas continuo muito presente."
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