Continue lendo o artigo abaixo...
A nova geração de aparelhos "vestíveis" inteligentes - óculos, relógios, anéis, colares e pulseiras, entre outros - terá um papel importante na democratização da inteligência artificial (IA). Quem diz é o presidente global da Qualcomm, Christiano Amon, brasileiro formado em engenharia elétrica pela Unicamp, eleito pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo em IA em 2025.
Embora os agentes de IA já tenham se tornado populares por meio de aplicativos como o ChatGPT ou o Deepseek, um novo salto deve ocorrer nos próximos anos, quando dispositivos do dia a dia cada vez mais acoplarem a nova tecnologia e oferecerem novos atrativos para seus usuários.
"Quanto todos esses dispositivos se tornarem inteligentes, permitirão que as pessoas se conectem rapidamente com os agentes de IA", afirmou Amon. "E isso já está acontecendo", enfatizou, ao participar de painel organizado pela Siemens durante a Consumer Electronic Show (CES), feira de tecnologia realizada esta semana em Las Vegas, nos Estados Unidos.
"Os computadores dentro desses dispositivos entendem o que vemos e o que dizemos. Eles entendem o nosso mundo. E à medida que a tecnologia é miniaturizada e vai para todos os dispositivos, acontece uma transformação massiva com os aparelhos eletrônicos de consumo", emendou.
Amon deu exemplo dos óculos inteligentes que, até pouco tempo atrás, pareciam peças futuristas, mas hoje estão começando a se difundir nas lojas, com um aspecto quase tão natural quanto os óculos analógicos. Os óculos poderão ajudar seu usuário a identificar pessoas ao seu redor, agendar reuniões e sugerir dinâmicas. "Vai mudar como pensamos a interação. Estamos apenas no começo."
Durante sua apresentação na CES, o executivo brasileiro afirmou que os dispositivos inteligentes vão se tornar tão populares quanto os próprios celulares. "Nós realmente acreditamos que essa nova categoria de dispositivos pessoais de IA vai ser massiva. Vai ser tão grande quanto os telefones."
O advento do 6G
O CEO da Qualcomm disse ainda que os dispositivos vestíveis serão transformados pela sexta geração de internet móvel (6G), que está em fase de desenvolvimento e deve ser uma realidade na virada da década.
O 6G será mais do que apenas um novo projeto de rádio - ele prevê a integração de recursos avançados, incluindo inteligência artificial, sensoriamento, gêmeos digitais e uma variedade de novas funcionalidades de sistema que possibilitarão níveis mais elevados de eficiência e desempenho. O 6G será a plataforma de inovação para uma ampla rede inteligente de ponta nas próximas décadas, na visão da empresa.
A Qualcomm é uma das maiores fabricantes de chips para computadores, produtos eletrônicos e máquinas de diferentes setores industriais. Após fazer carreira na multinacional, Amon assumiu a presidência global em 2021.
*O jornalista viajou para a CES a convite da Lenovo
Seja o primeiro a comentar!