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Commodities impedem alta do Ibovespa em dia de alívio em NY por falas de Trump

O Ibovespa não conseguiu nesta segunda-feira acompanhar a alta firme das Bolsas de Nova York por ter uma composição muito forte de ações de commodities, que sofreram com a queda de 2,85% do minério de ferro em Dalian e do tombo de mais de 4% do petróleo. Contudo, o índice conseguiu apagar a queda no período da tarde com a ajuda de papéis cíclicos após os juros futuros renovarem mínima a partir do miolo da curva, em reação ao cenário eleitoral e a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que está em negociações com o Irã.

Por mais que Teerã negue as conversas, os temores com relação à inflação do setor de energia foram reduzidos porque Trump cancelou os ataques previstos no final de semana, a fim de chegar a um acordo em relação ao Estreito de Ormuz e ao fim do programa nuclear iraniano. Como resultado, o Brent para outubro fechou em baixa de 4,73% do Brent para outubro, a US$ 83,77 o barril.

"Do ponto de vista internacional, a informação de um novo cessar-fogo, ainda que envolta de muito vaivém, ajuda. O que o mercado queria e ansiava era alguma sinalização mínima de possível normalização na questão do Oriente Médio", comenta o analista Matheus Spiess, da Empiricus. Ele pondera, contudo, que a forte queda do preço do barril de petróleo pressiona as ações da Petrobras e pesa no Ibovespa.

"No final de semana, havia medo de ataques a infraestrutura energética, mas o Taco trade (estratégia de investimento baseada na concepção de que 'Trump sempre amarela') entrou em ação e leva a uma queda forte do preço do petróleo", afirma Spiess.

Já do ponto de vista inflacionário, a notícia é positiva e colaborou com o fechamento da curva de juros nesta segunda-feira, às vésperas da decisão de política monetária do Brasil. A expectativa do mercado é de que o Banco Central (BC) corte a Selic em 0,25 ponto porcentual na quarta-feira.

Segundo o analista da Empiricus, o corte desta semana pode não ser o último. "Boletim Focus mostrou revisão baixista para IPCA esse ano, então tem margem para eventualmente mais um corte. Se for nessa dinâmica, o mercado deveria se contagiar com mais apetite a risco, por mais que tenha restrição por causa de fiscal e incerteza internacional."

O estrategista Pedro Cutolo, da One, nota que a performance positiva do Nasdaq (+2,13%) e do S&P 500 (+1,48%) nesta segunda-feira decorre também da recuperação das ações de tecnologia. O Ibovespa, contudo, não tem grande participação desse setor.

O Ibovespa fechou estável (0,00%), os 178.000,24 pontos nesta segunda-feira, após mínima aos 176.783,14 pontos (-0,68%) e máxima aos 178.556,6 pontos (+0,31%), ambas pela manhã.

No campo das altas, destaque para Hapvida (+5,59%), Cury (+4,52%) e C&A (+3,60%), na esteira do fechamento dos juros futuros, enquanto CSN (-6,82%), Prio (-3,86%) e PetroReconcavo (-3,19%) lideraram as quedas. Entre as blue chips, Vale (-2,15%) e Petrobras ON (-0,86%) e PN (-0,85%) recuaram, mas os bancos subiram.

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