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Diário de Notícias

DN.

Curdos dizem estar prontos para se juntar à guerra

Grupos dissidentes curdos iranianos, que vivem no norte do Iraque, estão se preparando para uma possível operação militar no Irã. Os EUA pediram aos curdos iraquianos que os apoiem, segundo autoridades curdas ouvidas pela agência Associated Press.

Os grupos curdos são considerados o segmento mais bem organizado da fragmentada oposição iraniana e teriam milhares de combatentes treinados. Sua entrada na guerra poderia representar um desafio para as autoridades em Teerã e arrastar o Iraque ainda mais para o conflito.

Khalil Nadiri, comandante do Partido da Liberdade do Curdistão (PAK), com base na região curda semiautônoma do norte do Iraque, disse ontem que algumas de suas forças se deslocaram para a fronteira iraniana, na Província de Sulaymaniyah, e estão de prontidão.

Ele afirmou que líderes de grupos de oposição curdos foram contatados por autoridades americanas a respeito de uma possível operação, sem fornecer mais detalhes.

O site de notícias Axios foi o primeiro a noticiar a ligação entre EUA e os líderes curdos. A CNN afirmou que a Casa Branca estavam negociando com grupos curdos o fornecimento de apoio militar.

Questionado se o governo de Donald Trump estaria considerando armar os curdos iranianos, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, foi vago. "Nenhum de nossos objetivos se baseia no apoio ou no armamento de qualquer força específica."

Força terrestre

Antes de EUA e Israel atacarem o Irã, o PAK reivindicou ataques contra a Guarda Revolucionária - o braço militar do regime islâmico -, em retaliação à violenta repressão a protestos pacíficos em Teerã. Mas um comandante do grupo afirmou que não enviou tropas do Iraque para o Irã.

Caso os grupos curdos iranianos e iraquianos decidam se juntar à guerra, seria a primeira vez que uma força terrestre significativa entraria no conflito. Os grupos curdos possuem experiência de combate adquirida na luta contra o Estado Islâmico.

Um representante do Komala, outro grupo curdo iraniano, afirmou ontem que suas forças estão prontas para cruzar a fronteira, dentro de uma semana a dez dias, e aguardam "as condições adequadas". Ele falou sob condição de anonimato por questões de segurança.

Os curdos no Irã têm uma longa história de queixas e levantes contra o regime dos aiatolás e a monarquia que o precedeu. Durante o reinado do Xá Mohamed Reza Pahlevi, os curdos foram marginalizados e reprimidos, e por vezes se rebelaram.

Após a Revolução Islâmica de 1979, a nova teocracia também lutou contra insurgentes curdos. As forças iranianas destruíram cidades e vilarejos curdos em combates que mataram milhares de pessoas.

Embora compartilhem o desejo de depor o regime iraniano, os curdos também entraram em conflito com outras facções da oposição - principalmente com o organização liderada pelo filho do xá, que também se chama Reza Pahlevi. Ele acusou os curdos de serem separatistas.

Iraque

A possível operação colocou os líderes da região curda iraquiana em uma posição delicada. Três autoridades curdas iraquianas disseram à Associated Press que houve uma ligação telefônica, no domingo, entre Trump e Masoud Barzani e Bafel Talabani - líderes do Partido Democrático do Curdistão (KDP) e da União Patriótica do Curdistão (PUK), os dois principais partidos curdos do Iraque - para discutir a situação no Irã.

Um dos funcionários disse que Trump pediu aos curdos iraquianos que apoiassem militarmente os curdos iranianos em operações no Irã e abrissem a fronteira para permitir que eles se movessem livremente. A Casa Branca confirmou a ligação, mas negou que Trump tenha concordado com um plano específico.

A decisão de armar os curdos para estimular uma revolta seria a solução mais viável para derrubar o regime iraniano, um dos objetivos de Trump, uma vez que os bombardeios sozinhos seriam ineficazes. A ideia é repetir a estratégia da Turquia, que armou e financiou os rebeldes que derrubaram Bashar Assad e tomaram o poder na Síria, em 2024.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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