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Diário de Notícias

DN.

Decisão do Copom é insuficiente e incapaz de reverter asfixia financeira das empresas, diz CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou "insuficiente" a decisão desta quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa de juros Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. Na avaliação da entidade, o corte da taxa é "incapaz de reverter o quadro de estagnação dos investimentos e asfixia financeira das empresas e das famílias".

"Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A avaliação do executivo é que, com o acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra, haveria espaço para o BC intensificar o ciclo de cortes da Selic na próxima reunião. "O provável fim do conflito já impacta na queda do preço do petróleo - elemento que vinha pressionando os custos das cadeias produtivas globais. Ao retirar o principal componente de pressão sobre a expectativa de preços e juros, há um ambiente mais favorável para uma flexibilização monetária", completa.

A CNI destaca ainda que os efeitos da política monetária sobre a atividade econômica e inflação levam de 6 a 18 meses para se concretizarem e que respostas "excessivamente agressivas a choques temporários de oferta funcionam como uma 'superdosagem da medicação'". "Na prática, os juros elevados se refletem em custos econômicos desproporcionais sem benefícios adicionais significativos no controle da inflação, especialmente quando o choque se dissipa naturalmente antes que os efeitos plenos da taxa de juros se materializem", avalia a entidade em nota.

Fiemg - Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) viu a decisão como um "sinal favorável para a economia brasileira", apesar de ainda destacar o nível elevado da taxa Selic. "A entidade avalia que o movimento contribui para melhorar as condições de crédito e investimento, mas ressalta que o nível atual da taxa básica de juros ainda permanece elevado e continua impondo desafios à atividade produtiva, especialmente para os setores mais dependentes de financiamento."

A Fiemg defende uma estratégia econômica capaz de conciliar controle da inflação, equilíbrio das contas públicas e estímulo à produção.

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