Nem mesmo as declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scot Bessent, sobre a operação que pretende isolar economicamente o Irã, chamada de "Economic Outcast", foram capazes de retirar o mercado brasileiro de juros futuros da letargia observada na sessão desta segunda-feira, 24. As taxas médias e longas chegaram a acelerar levemente a alta logo após as falas de Bessent no início da tarde, mas sem divulgação de nomes de países terceiros atingidos, nem de instituições financeiras, os vértices voltaram a subir no máximo 3 pontos-base.
Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) caminharam na contramão do alívio mostrado pela curva dos Treasuries nesta segunda-feira, mas também não encontraram fôlego para se afastar muito dos ajustes anteriores. A liquidez reduzida no pregão e ausência de gatilhos desestimularam apostas direcionais pelos investidores, resultando em oscilações comedidas na curva a termo.
Encerrados os negócios, a taxa do DI para janeiro de 2027 oscilou de 13,704%, no ajuste da última sexta-feira, a 13,700%. O DI para janeiro de 2029 subiu a 14,160%, vindo de 14,145%. O DI para janeiro de 2031 anotou leve alta, de 14,399% a 14,415%.
"Muita gente está sem grandes perspectivas sobre o futuro eleitoral. Tudo está muito incerto e em aberto, com alternativas antagônicas, o que dificulta investimentos mais incisivos", avalia Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, acrescentando que o ambiente externo também contribuiu para o desempenho "lateralizado" dos juros futuros na abertura da semana.
"Queríamos saber o efeito das sanções econômicas nas Treasuries, mas na verdade o 'Dia D' acabou não sendo tão decisivo, mas sim algo que já estava meio no preço", disse Sanchez, para quem o secretário do Tesouro dos EUA não anunciou nada de concreto, e ainda é preciso esclarecer aspectos relevantes da operação.
Em coletiva de imprensa, Bessent se limitou a dizer que as punições serão aplicadas a bancos e instituições financeiras de países terceiros, sem citar quais seriam eles, tampouco em que prazo as restrições começariam a ser impostas. Segundo o secretário, uma grande entidade pode ser alvo das sanções já nesta semana. Mesmo assim, os contratos futuros de petróleo encerraram em queda de cerca de 2% nesta segunda. O Brent para novembro recuou 2,3%, a US$ 90,54 por barril.
Por aqui, as falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na abertura da Febraban Tech e o boletim Focus também não representaram vetores para o mercado de renda fixa. A apresentação de Galípolo, de cunho institucional, teve como foco a estabilidade do sistema financeiro e a agenda regulatória, destacando o aumento do endividamento e da inadimplência das famílias, mesmo em um ambiente de renda elevada e desemprego historicamente baixo, disse Andrea Bastos Damico, economista-chefe da BuysideBrazil.
"Galípolo manifestou preocupação particular com a expansão de produtos de crédito mais arriscados e sem garantia e indicou que a próxima etapa da agenda do BC se concentrará no uso mais responsável dos serviços financeiros e no alinhamento entre risco e retorno. Nesse sentido, as declarações não alteram nossa avaliação sobre a condução da política monetária no curto prazo", apontou.
Também sem mudanças frente ao último pregão, as apostas seguem concentradas em mais um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic na reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). No final da tarde desta segunda, a precificação da curva de juros apontava 0,22 ponto de ajuste na ocasião - ou seja, 88% de chance de redução, contra 12% de manutenção da taxa nos atuais 14%.
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