A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou ao terreno militar depois de semanas em que o confronto havia migrado quase inteiramente para o campo econômico. No domingo (30), caças norte-americanos bombardearam a ilha de Larak, no Golfo Pérsico, em um ataque que o Comando Central dos EUA (Centcom) descreveu como preventivo. Segundo o porta-voz Tim Hawkins, o alvo eram dois lançadores iranianos a partir dos quais integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica se preparariam para disparar foguetes carregados com minas navais em direção às rotas de navegação do Estreito de Ormuz.
Foi o primeiro bombardeio americano em cerca de um mês. Desde o fim de julho, a Casa Branca havia optado por reduzir o ritmo das operações aéreas e concentrar a pressão em sanções financeiras, em uma estratégia que congelou o conflito em um patamar de baixa intensidade sem que houvesse qualquer acordo formal de cessar-fogo. A ofensiva econômica atinge bancos, empresas de navegação e intermediários financeiros iranianos, além de pressionar países como Emirados Árabes Unidos, Turquia e Índia a escolher entre o comércio com Teerã e o acesso ao sistema financeiro americano.
A Guarda Revolucionária confirmou mortos e feridos no ataque a Larak e prometeu resposta. Horas depois, o Irã lançou mísseis balísticos e drones contra instalações militares norte-americanas em território jordaniano, mirando estruturas técnicas e de manutenção e aeronaves estacionadas. A Jordânia informou ter interceptado oito mísseis. O Centcom, por sua vez, anunciou ter concluído a remoção de minas das principais rotas de navegação do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa parcela expressiva do petróleo comercializado no mundo.
A nova troca de golpes reacende o temor de uma escalada mais ampla justamente no ponto mais sensível do conflito. Analistas militares avaliam que o Estreito de Ormuz permite ao Irã impor custos econômicos desproporcionais ao Ocidente sem precisar mobilizar grandes contingentes, enquanto o terminal petrolífero da ilha de Kharg segue como alvo potencial de retaliação americana. Até aqui, ambos os lados têm calibrado as respostas para evitar uma guerra aberta, mas o risco de erro de cálculo cresce a cada rodada de ataques.
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