João Marcello Bôscoli, filho mais velho de Elis Regina (1945-1982), criticou o ex-padrasto, Cesar Camargo Mariano, e disse ter sido abandonado por ele na infância. A declaração foi feita durante participação no programa Prosa no Fino, roda de conversas organizada pelo jornalista e escritor Júlio Maria, e vem em meio à polêmica da nova mixagem do álbum Elis, de 1973.
"Eu fui uma criança que foi abandonada em casa depois da morte da mãe. Quando ele foi buscar os filhos dele, eu não estava em casa. Eu perdi minha mãe numa terça-feira e perdi minha família inteira na quinta. Para quem fez isso, na minha opinião, ele fala demais. Ele podia ficar quieto. Se ele quer dinheiro, faça em silêncio", declarou o produtor e empresário de 55 anos. Cesar Camargo é pai de Pedro Mariano e Maria Rita, irmãos mais novos de João.
"Você decidir vir a público, num momento de lançamento, e fazer isso, causar o que causou nos filhos e nos netos, eu acho lamentável", continuou. "Causar esse tipo de celeuma pública é muita irresponsabilidade. Esse show público fingindo que é discreto é ruim para tudo, para a família, para os negócios, para si."
A origem da polêmica
As declarações de Bôscoli abrem mais um capítulo da disputa que começou após o anúncio da remixagem do disco de 1973, projeto arquitetado pelo próprio João Marcello com o engenheiro de som Ricardo Camera, e lançado em 17 de março, dia do aniversário de Elis.
Mariano, que foi arranjador musical e pianista do disco, criticou a remixagem em publicação nas redes sociais e enviou notificação extrajudicial à gravadora Universal Music Brasil.
Em publicação no Instagram, ele disse ter ouvido o resultado da remixagem "com tristeza". "Tristeza por ouvir todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estudados e muito bem pensados por nós, jogados no lixo", escreveu. "Estas questões, para mim, não são passíveis de alterações por terceiros." Ele também declarou ser a favor da tecnologia, "quando bem utilizada", mas analisou:
"Não se pode mexer tecnicamente em uma obra final a este ponto, alterar os planos de mixagem, a voz, os arranjos, os timbres dos instrumentos dos músicos escolhidos a dedo, incluir instrumentos que foram rejeitados, mutilar toda uma dinâmica originalmente muito bem pensada e trabalhada."
Ao Estadão, Bôscoli disse que não cabe a Mariano avalizar a nova versão de Elis 73. "Ele pode emitir a opinião dele, mas não tem uma causa. É só um barulho. Ele é um músico entre cinco no álbum. Ele não é produtor. Não fez todos os arranjos. Não é herdeiro da Elis. Não há pleito, portanto", diz.
Acusações de abandono
Cesar Camargo Mariano fixou em seu perfil no Instagram uma nota de esclarecimento emitida por ele em 2023, em que se defende da acusação de ter abandonado João Marcello.
Ele diz que já estava separado de Elis na ocasião de sua morte, e que não foi ao enterro para cuidar das crianças. Na época, morava no Rio de Janeiro por questões de trabalho.
"Fiquei entre Rio e São Paulo, me hospedando em hotéis, visitando apartamentos para alugar e poder me mudar com as crianças, quando fui informado da decisão que João passaria a morar com seu tio, Rogerio, que seria também o responsável e inventariante do espólio de Elis", explica.
"Apesar de minha indignação com essa decisão que separaria os três irmãos, João Marcello, o filho que criei desde seus dois anos, nesta época com 11 anos, tinha ainda seu pai biológico vivo e eu não teria o direito legal de contestação. Mas o mais importante: João adorava Rogerio e manifestou seu total agrado nesta decisão, que então respeitei mais aliviado."
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