0

Diário de Notícias

DN.

'Flávio tem fragilidade de articulação enorme', avalia Augusto Coutinho, líder do Republicanos

Líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, com 42 integrantes, Augusto Coutinho (PE) avalia que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República ainda é competitiva, mas tem demonstrado "fragilidade enorme" na sua articulação política. Na terça-feira, 4, o Republicanos anunciou neutralidade na eleição presidencial, assim como outros partidos de centro, o que levou Flávio a anunciar uma "chapa pura" com um vice do próprio partido, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

Ao programa Papo com Editor, do Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Coutinho disse que esperava um impacto maior do áudio enviado por Flávio ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo, o líder do Republicanos avalia que o pré-candidato do PL está isolado. "Essa fragilidade está dentro do próprio partido, da própria família do candidato."

Coutinho está no quarto mandato de deputado federal. Na Câmara, foi relator da regulamentação da regulamentação do trabalho por aplicativo, que não foi concretizada por discordâncias com o governo. Antes de Brasília, o parlamentar foi deputado estadual em Pernambuco e vereador de Recife, onde nasceu. Engenheiro civil de 63 anos de idade, é casado e pai de quatro filhos.

Veja os destaques da entrevista:

O Republicanos anunciou neutralidade na eleição presidencial, assim como outros partidos de centro. Esse movimento significa que a candidatura de Flávio Bolsonaro não tem se mostrado viável?

Eu não diria viável, porque eleitoralmente, pelas pesquisas, ela é viável. Mas ela tem se mostrado frágil do ponto de vista da articulação política. Quando você vê um partido feito o PP, que teve o seu presidente como ministro do governo anterior, não acompanhar o candidato a presidente, de fato, mostra uma fragilidade de articulação política enorme. O presidente Marcos Pereira, no caso nosso, do Republicanos, fez uma assuntagem em todo o País. Dos 27 diretórios, tivemos nove que defendiam a aliança com o presidente Bolsonaro, um diretório que defendia a aliança com o Lula, e o resto defendia a independência, ou seja, que a gente não se vinculasse a nenhuma campanha. Se você me perguntar, eu digo francamente: é óbvio que política é juntar. Se você tem uma candidatura que está juntando as forças, que está juntando os partidos, eu acho que pode mudar, sim, a avaliação do cenário político. Sem desmerecer o candidato, ou exaltar um candidato, mas, do ponto de vista da articulação política, é claro que faltou. Acho que o isolamento do candidato do PL se dá muito à própria articulação política, porque, na verdade, essa fragilidade não é só entre os partidos. Essa fragilidade é dentro do próprio partido, dentro da própria família do candidato. Então, isso tudo gera para fora uma fragilidade, é óbvio.

Flávio carece da característica de bom negociador?

Acho que não se pode só atribuir ao senador Flávio, isso. Vamos fazer uma retrospectiva. O presidente Bolsonaro, quando foi candidato pela primeira vez, também seguiu só. Até a facada que ele recebeu. Sem desmerecê-lo, acho que isso fez com que ele ficasse na mídia. De uma forma muito ruim, lógico, ninguém queria que ele levasse uma facada, mas ele estava na mídia sem fazer campanha, e acho que isso fez com que ele crescesse politicamente. Há de se convir, no início da candidatura de Bolsonaro, que ninguém acreditava. Ele conseguia mobilizar uma parte, mas ninguém acreditava nesse projeto de Bolsonaro. Tanto é que todos os partidos maiores não se juntaram em torno disso. Quando ele foi para o segundo turno, aí sim houve uma mudança. Naquele momento, o PT vivia uma dificuldade muito grande, ou seja, tendo de se explicar de toda a Lava Jato, estava perante o povo brasileiro com o sentimento da mudança. E acho que ele (Bolsonaro) ali foi beneficiado com isso. Depois, na reeleição do presidente Bolsonaro, é óbvio: sentado na cadeira, ele construiu, botou o senador Ciro Nogueira, um político hábil, que circula bem, e conseguiu fazer uma coesão de partidos em torno da candidatura à reeleição. Agora, novamente, sem estar no poder, o Flávio segue só. Então, eu não diferenciaria muito.

Qual o peso político e eleitoral do áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro?

Imaginei que o peso seria muito maior. É um fato muito grave, muito sério. Acho que houve, inclusive, erro do candidato. Ele bota a camisa dizendo que o Pix é do pai dele e que o Master é do adversário, e depois a gente vê uma relação próxima (entre Flávio e Vorcaro), foi constatado isso. É uma coisa muito grave para você se explicar. Eu aprendi, nesses 35 anos de vida pública, que tudo na política que a gente tem que se explicar é complicado. E, na verdade, ele teve que se explicar muito, e ainda não conseguiu se explicar. Mas eu pensei que ia ser muito mais impactante para a candidatura dele, e não foi. É como se as pessoas, pela rejeição ao presidente Lula, deixassem isso de lado e aceitassem para que houvesse uma possibilidade de tirar (Lula). Estou falando com base nos números, que divergem um pouco, mas, de todo jeito, ninguém pode dizer que a eleição está resolvida. Pelas alvejadas que o candidato Flávio tomou, era para ter sofrido muito mais, e não sofreu. Ou seja, os números mostram que ele ainda é um candidato competitivo. Talvez, o eleitor ainda não tenha parado para analisar essa questão.

Qual a sua avaliação sobre o atual governo Lula? E quais os desafios da campanha do petista?

A gente tem visto ações pré-eleitorais do governo muito imediatas para agradar o eleitor. Mas isso aconteceu no governo passado. Então, é balela dizer que um está fazendo mais do que o outro. É natural do regime democrático quem está no poder, desde que tenha correção e passe pelo Poder Legislativo, que o faça. E o governo anterior fez e perdeu a eleição. Mas a gente nota no Brasil uma divisão muito grande. O que tem de rejeição ao presidente da República é quase igual à rejeição ao candidato adversário. E esse eleitorado diz: "eu voto no candidato do PT de todo jeito", "eu voto no candidato do PL de todo jeito". O que vai decidir essa eleição é o público que não é nem de um lado, nem de outro. Eu me enquadro dentro desse público. Mas uma coisa é clara: o presidente da República é muito rejeitado. O governo está bem, não acho que esteja mal, não. Desemprego com números históricos, o PIB crescendo, o País se abrindo, com interlocução internacional de uma forma madura, respeitada. Eu vejo o governo, inclusive, do ponto de vista das relações diplomáticas, muito bem. Mas existe esse sentimento hoje. A gente vê, muitas vezes, o cara com emprego e reclamando. É um pouco o sentimento do tempo. Em política tem muito isso: quando você começa a ficar com um partido, com um candidato por muito tempo, ele vai cansando a população. Na política, a gente espera o novo. Talvez, o Lula não esteja conseguindo passar essa esperança. E o Flávio vem tendo muitos desencontros e tropeços. Para resumir, o presidente tem favoritismo, mas é muito rejeitado, portanto, é uma eleição ainda indefinida.

O Papo com Editor, programa com personalidades da política do País, é conduzido por jornalistas do Broadcast Político, serviço de informação em tempo real do Grupo Estado.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.