A gari Deogracia Aurélia Fernandes, de 57 anos, voltaria a trabalhar no Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb) de Juiz de Fora nesta semana - o "sonho laranja" dela, segundo amigos. Os planos, no entanto, foram interrompidos após as fortes chuvas que atingiram a região da Zona da Mata mineira.
Ela morreu soterrada em casa na noite de segunda-feira, 23. Até a última atualização divulgada pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, na manhã desta quarta-feira, as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá deixaram ao menos 40 mortos.
Deogracia morava sozinha e chegou a compartilhar com amigos a ansiedade pela volta ao trabalho que tanto amava.
"Ela trabalhava há uns quatro anos na Demlurb. Muito feliz, muito alegre. Cheguei a ir na casa dela umas duas vezes. A Demlurb ia chamar ela de novo. Ela estava toda feliz. Era apaixonada pela Demlurb", relembra a auxiliar de serviços gerais Suzana Aparecida, de 59 anos.
Deogracia foi sepultada nesta quarta-feira, 25, no Cemitério Municipal de Juiz de Fora.
Sandra Helena, de 49 anos, que também trabalhou com Deogracia na companhia de limpeza, diz que a notícia da morte da amiga "foi um baque bem grande".
"Eu não acreditei. Chorei. Ela era alegre, brincalhona, e dizia que seria minha madrinha de casamento", conta.
Juiz de Fora registrou o maior número de óbitos, com 34 vítimas fatais. Em Ubá, o Corpo de Bombeiros informou, na terça-feira, que sete pessoas tinham morrido. No entanto, a corporação esclareceu que uma das mortes não teve relação direta com as chuvas e, por isso, o número de vítimas fatais no município foi ajustado para seis.
Até o início da tarde desta quarta-feira, havia 25 desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá. Ao todo, 208 pessoas foram resgatadas na região.
A cidade de Matias Barbosa, vizinha de Juiz de Fora, também ficou coberta pela água após o temporal, mas não registrou mortos nem desaparecidos até o momento.
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