0

Diário de Notícias

DN.

Hoje é o dia: Comissão da Câmara vota o fim da escala 6x1 e a vida de milhões de brasileiros pode mudar

O dia 27 de maio de 2026 pode entrar para a história das relações de trabalho no Brasil. A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o fim da escala 6x1 deve votar hoje o parecer favorável à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial e com dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

A votação estava prevista para a última segunda-feira, mas foi adiada por um pedido de vista coletivo liderado pela oposição. Pelo calendário definido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, a votação na comissão acontece hoje (quarta-feira), e a análise no plenário ficará para amanhã, quinta-feira (28). Com esse cronograma, Motta cumpre a promessa de encerrar maio com a PEC aprovada na Câmara, entregando a proposta para análise do Senado.

O que muda na prática é gigantesco. Pela proposta, 60 dias após a promulgação da nova emenda constitucional, o limite da jornada já cairia para 42 horas semanais, com o descanso remunerado de dois dias por semana passando a valer imediatamente. A ideia é que a transição continue de forma gradual até atingir as 40 horas.

O tema virou uma questão cultural no país. O fim da escala 6x1 foi a principal bandeira das manifestações do Dia do Trabalhador em 2026, com atos massivos em diversas capitais. Para quem trabalha no comércio, em restaurantes, hotéis e farmácias, a realidade de ter apenas um dia de folga por semana é parte do cotidiano há décadas — e a possibilidade de mudar isso mexe com a vida de milhões de pessoas.

A balconista Darlen da Silva, 38 anos, que trabalha em uma farmácia no Rio de Janeiro, resume bem o sentimento: com duas filhas e apenas um dia de folga na semana, ela diz que precisa escolher entre resolver as tarefas domésticas ou tentar viver a vida — e nunca dá para as duas coisas.

A oposição tentou barrar a proposta de várias formas. Parlamentares do PL defendiam um modelo diferente, baseado em pagamento por hora trabalhada, onde o próprio trabalhador escolheria sua jornada. A estratégia não funcionou, e o apelo popular da PEC impediu os deputados de aderirem a uma ação pública contra ela.

O que torna essa pauta ainda mais curiosa é o contexto internacional. Se aprovada, o Brasil se junta ao México, Colômbia e Chile como mais um país da América Latina a reduzir a jornada de trabalho nesta década. Na Europa, a jornada de 40 horas ou menos já é predominante: a França adota 35 horas semanais desde os anos 2000, e Alemanha e Holanda operam na prática com médias ainda menores.

O bastidor político também é curioso. Lula enviou ao Congresso em abril um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6x1, e o governo defende votar o tema nas duas Casas ainda neste semestre, sem regra de transição, para que tenha efeito imediato.

Agora, os olhos do país se voltam para Brasília. A votação de hoje na comissão é o primeiro passo concreto para que o Brasil finalmente mude uma regra trabalhista que permanece praticamente inalterada desde 1943, quando a CLT foi criada.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.