O resultado financeiro forte da Petrobras no segundo trimestre deste ano não foi suficiente para segurar o Ibovespa. O principal índice da B3 se descolou do movimento positivo das bolsas norte-americanas e encerrou por mais uma dia perto das mínimas, arrastado pela queda de mais de 2% das ações da estatal de petróleo, assim como das demais blue chips, que passaram por novos ajustes.
No fim da sessão, o índice caiu 1,73% aos 172.513,42 pontos, menor nível em um mês (170.653,45 pontos no dia 8/7) e perto da mínima do dia, de 172.131,20 pontos. Na abertura, chegou a esboçar uma reação positiva, tocando os 176.116,84 pontos.
Na semana, o índice acumulou uma queda de 3,08%, com todas as ações de maior peso no índice também fechando a semana no vermelho.
A Petrobras registrou um lucro líquido atribuído aos acionistas duas vezes maior no segundo trimestre deste ano na comparação anual, mas a frustração em relação ao pagamento de dividendos extraordinários levou alguns investidores a desmontar parte das posições na empresa, segundo operadores.
"O mercado sempre espera mais", afirma Wagner Atoguia Lima, chefe trader sênior de renda variável da Lince Investimentos, escritório associado ao Safra. "Isso frustra algumas pessoas no curto prazo, embora não interfira nos fundamentos da empresa. Acredito que é algo momentâneo."
O aprofundamento das perdas das ações preferenciais e ordinárias da estatal aconteceu depois que o diretor financeiro da empresa, Fernando Melgarejo, afirmou que "é muito pouco provável" a distribuição de dividendos extraordinários - um tema recorrente entre acionistas da companhia quando o balanço é divulgado, ressaltam profissionais.
No exterior, as bolsas norte-americanas tiveram um dia positivo, muito pautadas pelos dados do payroll, o relatório de emprego e desemprego dos EUA. Foram fechadas 23 mil vagas de trabalho em julho, contra uma expectativa de criação de postos.
Com menos empregos, cresce a perspectiva de que haverá espaço para uma manutenção do atual nível de juros na economia americana ao invés de novas altas. Isso contribui para que os investidores migrem para ativos de maior risco, caso das ações.
Mesmo diante disso, os estrangeiros não tiveram disposição para aumentar exposição no mercado brasileiro, contribuindo para a pressão vendedora nos grandes papéis da bolsa.
Entre os bancos, Bradesco e Itaú encerraram com quedas acima de 2% no dia, enquanto o Banco do Brasil caiu mais de 1%. No acumulado de agosto até o dia 5, os estrangeiros já retiraram R$ 834 milhões da bolsa, segundo dados da B3.
A semana foi marcada por outros eventos que ajudaram a consolidar as perdas do Ibovespa. Analistas destacam que, no pano de fundo, as preocupações do lado político começam a ganhar força, em um momento em que o Banco Central optou por deixar em aberto a possibilidade de seguir cortando a Selic, mas com indicativos, na visão de parte do mercado, de que deve encerrar o ciclo de calibração.
"Desde o anúncio do vice de Flávio Bolsonaro Alfredo Gaspar, do PL, a bolsa, que estava em 180 mil pontos, apenas caiu", destaca Lucas Tambellini, chefe de renda variável da Sumauma Capital, destacando que uma temporada de resultados "mais neutra" no Brasil também contribui para um mercado sem força para galgar novos ganhos.
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