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Influenciador britânico defensor de Trump relata brutalidade do ICE após ser deportado dos EUA

O influenciador de extrema direita britânico Milo Yiannopoulos disse ter sido tratado com "brutalidade" pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) ao ser deportado para o Reino Unido pelos EUA na semana passada.

"Eu realmente não entendia a realidade física de quão institucionalizada é a brutalidade na América", disse Milo, que antes era defensor da política anti-imigração de Donald Trump, em declaração ao programa inglês Piers Morgan Uncensored, divulgada nesta quarta-feira, 2.

O influenciador fazia forte campanha a favor do ICE. Em dado momento da entrevista, o apresentador Piers Morgan lê algumas publicações de Milo na rede social X. Uma delas, de maio de 2025, dizia que o governo norte-americano deveria deportar milhões e milhões de pessoas, que nada mais importava além disso.

"A maneira como eles te prendem: eles colocam algemas nas suas mãos, nos seus pés, acorrentam tudo junto. É como se todo mundo que é preso fosse como um membro da gangue MS-13. E dói muito mais do que parece na televisão", disse Milo, fazendo referência à gangue centro-americana Mara Salvatrucha.

No decorrer da entrevista, ele descreve a experiência como "humilhante" e "desorientadora". Em seguida, diz que foi "amedrontador" ter sido transferido de um centro de detenção a outro sem qualquer informação. Logo que chegou ao Reino Unido, ele contou que se deu conta do trauma e chorou por uma hora.

Milo foi detido no dia 27 de agosto, no Aeroporto Internacional Louis Armstrong de Nova Orleans, Louisiana, informou o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês).

O que diz o Departamento de Segurança Interna dos EUA?

Segundo o DHS, Milo entrou legalmente no país em 14 de maio de 2019, pela cidade de Nova York. "Ele optou por permanecer nos EUA além do prazo permitido, violando as leis do país", disse o órgão, que afirma ainda que o influencer recebeu uma ordem final de deportação de um juiz de imigração em 22 de julho, após não comparecer à sua audiência de imigração.

O britânico contestou a informação na entrevista ao programa inglês, afirmando que entrou legalmente nos Estados Unidos sob o visto O-1 (destinado a pessoas com habilidades extraordinárias), do qual disse possuir vários ao longo de sua estadia de dez anos no país. Em setembro de 2017, ele teria se casado com um cidadão americano e entrado com um pedido para migrar o visto temporário para o green card de dois anos.

Milo ainda disse que renovava seu visto regularmente e era extremamente cuidadoso com a papelada; mesmo assim, o governo norte-americano teria cancelado a sua permissão de trabalho sem lhe informar.

Sua ordem definitiva de expulsão foi emitida por um juiz em audiência realizada sem a sua presença, relatou o influencer. No entanto, ele garante que não compareceu simplesmente porque nunca recebeu as notificações. "Eles enviaram as notificações para um endereço que sabiam que eu não morava mais, de quase 10 anos atrás, para conseguir uma audiência em ausência", afirmou.

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