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Juros altos devem levar empresas brasileiras a pisar no freio nos investimentos em 2027

Juros altos devem levar empresas brasileiras a pisar no freio nos investimentos em 2027

O ano de 2027 promete ser de contenção para o setor produtivo brasileiro. É o que projeta a Fitch Ratings, que espera ver as empresas do país reduzirem seus investimentos ao patamar mais baixo em relação à depreciação de seus próprios ativos — ou seja, gastando pouco mais do que o necessário apenas para manter máquinas, lojas e estruturas funcionando. A avaliação foi apresentada por Renato Donatti, diretor sênior de Corporate, Infraestrutura e Project Finance da agência, em evento realizado em 1º de setembro de 2026.

O pano de fundo é conhecido de quem acompanha o noticiário econômico: a Selic segue em 14% ao ano, um patamar que encarece o crédito e faz muitas companhias preferirem quitar dívidas a abrir novas frentes. O boletim Focus, do Banco Central, projeta a taxa em torno de 12% ao fim de 2027, com o PIB crescendo cerca de 1,5% no mesmo período. Enquanto essa queda não vem, o custo financeiro consome uma fatia considerável do caixa das empresas e empurra decisões de expansão para o futuro.

Os números da própria agência ajudam a dimensionar o aperto. Em 2026, 25 empresas brasileiras avaliadas pela Fitch tiveram sua nota de crédito rebaixada — cerca de 40% dos casos por pressão no fluxo de caixa e outros 40% por problemas de liquidez ou reestruturação de dívida. Ao mesmo tempo, o mercado seguiu funcionando: nos últimos dois anos, companhias captaram algo próximo de R$ 1,4 trilhão em instrumentos de dívida, e cerca de R$ 300 bilhões em vencimentos já estão equacionados. A perspectiva é de aproximadamente R$ 210 bilhões vencendo por ano nos próximos exercícios, o que mantém o refinanciamento no topo da lista de preocupações.

Nem todos os setores sentem o baque da mesma forma. Varejo e consumo, saúde e agronegócio aparecem entre os mais pressionados, enquanto na infraestrutura cerca de um terço dos projetos acompanhados pela agência carrega perspectiva negativa. Do lado das famílias, o quadro também não ajuda: o endividamento bateu recorde em julho, alcançando 82% dos lares, o que limita o fôlego do consumo. A leitura da Fitch é de uma melhora apenas marginal em 2026 e 2027, condicionada justamente ao ritmo de queda dos juros — projeções que, como sempre, podem mudar conforme a inflação e o cenário fiscal evoluírem.

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