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Diário de Notícias

DN.

Juros futuros têm forte baixa com queda do petróleo e otimismo sobre fim da guerra no Irã

A perspectiva reforçada de que o fim do conflito no Oriente Médio está próximo seguiu ditando o ritmo do mercado local de renda fixa no pregão desta terça-feira, 10, levando os DIs futuros a atingirem novas mínimas intradia e cederem até 0,3 ponto porcentual na primeira etapa do pregão.

Após a queda do dólar ter desacelerado nas horas finais da sessão, o fechamento da curva perdeu um pouco de força, mas voltou a ritmo de cerca de 0,2 ponto em todos os vencimentos na etapa final dos negócios, de olho no petróleo.

Depois de subir 6,8% na segunda, o barril de óleo Brent para maio encerrou a sessão com recuo de 11,2%, cotado a US$ 87,80. Já o WTI passou a US$ 83,45 o barril, redução de 11,9%. Os preços refletiram notícias de que há trânsito marítimo no Estreito de Ormuz e de que a Agência Internacional de Energia (AIE) deve elevar a oferta mundial da commodity energética.

A diminuição do prêmio de risco inflacionário trazida pelo alívio no petróleo renovou o otimismo sobre o início do ciclo de afrouxamento monetário na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), com a probabilidade de um corte de 0,5 ponto da Selic voltando a preponderar.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,735% no ajuste de segunda para 13,56%. O DI para janeiro de 2029 diminuiu a 13,085%, vindo de 13,332% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,654% no ajuste a 13,415%.

Depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter causado uma virada no comportamento até então negativo dos ativos na segunda, ao afirmar que a guerra deve terminar em breve, os mercados seguiram reagindo bem nesta terça-feira, embora o fluxo de notícias sobre o conflito continue errático.

Em seu 11º dia, a guerra escalou com bombardeios e ações militares no Iraque e no Líbano. Autoridades iranianas declararam que o país não busca um cessar-fogo, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a operação militar contra Teerã ainda não terminou.

Nesta tarde, o secretário de Energia americano, Chris Wright, disse em rede social que a Marinha americana já teria realizado uma escolta de um petroleiro pelo Estreito de Ormuz, postagem apagada logo em seguida. A informação foi negada pela Guarda Revolucionária do Irã. E, de acordo com a CBS News, a inteligência dos EUA identificou indícios de que o país persa pode estar se preparando para posicionar minas na rota de navegação.

"O mercado abriu sem susto no petróleo e há uma percepção de menor risco, mas com essa informação sobre o Irã colocando minas no estreito, é bem possível que a história de quarta seja diferente desta terça", avalia Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research, para quem a tendência de forte recuo nos DIs pode ser revertida a depender dos próximos desdobramentos da guerra.

Costa observa que a aprovação da guerra entre os republicanos é baixa, o que pode afetar as eleições de meio de mandato que ocorrem este ano nos EUA. Mas, de qualquer forma, a visão de que o conflito está prestes a acabar parece incipiente, destaca. "Trump é errático e temos informações de que o Irã está disposto a bombardear o estreito. As notícias estão ficando velhas rapidamente", disse.

No curto prazo, porém, a redução expressiva nas cotações do petróleo colocou novamente no radar dos agentes apostas de uma flexibilização maior da Selic na reunião de março do Copom. Nos cálculos da analista da Empiricus, a curva apontava no fim desta tarde 75% de chance de redução de 0,5 ponto da taxa este mês.

Apesar dos riscos trazidos pelo conflito, a AZ Quest mantém a expectativa de que o Copom vai diminuir o juro em 50 pontos-base em março. "Ressalvamos que um agravamento do cenário geopolítico poderá levar a um ajuste mais cauteloso, de 25 pontos-base", pondera a gestora em sua Carta Mensal de março, antecipada à Broadcast, Sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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