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Diário de Notícias

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Lobista anunciou 'Bolsa Lula' durante Lava Jato, mas Justiça proibiu doação

A lobista Roberta Luchsinger, investigada por suposto tráfico de influência junto ao governo federal com Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, anunciou, em 2017, uma doação de R$ 500 mil ao então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa, batizada por ela de "Bolsa Lula", seria uma reação ao bloqueio de bens imposto ao petista na época pela Lava Jato.

A doação acabou impedida por uma decisão judicial em um processo movido contra Roberta por uma empresa de móveis e decoração. A firma cobrava na Justiça uma dívida de R$ 35 mil. Com acordos descumpridos pela devedora, chegou a mais de R$ 76 mil. Procurada, Roberta também confirmou que a doação anunciada não foi feita por impedimento judicial.

A Justiça entendeu que a doação a Lula seria uma fraude ao pagamento do débito. "Deverá abster-se de qualquer ato de disposição graciosa dos bens até que pague a integralidade da dívida, sob pena de reconhecimento de fraude à execução, com a consequência ineficácia da operação", frisou o juiz Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível de São Paulo, em 11 de agosto de 2017.

O serviço, contratado por Roberta em 2011, custaria R$ 61,2 mil. Ela pagou R$ 26 mil, sendo R$ 1,4 mil em dinheiro. E ficou devendo R$ 35,2 mil.

A empresa foi à Justiça e conseguiu o direito de receber os valores, com correção. Houve dois acordos com a devedora, mas ambos foram descumpridos e a dívida chegou a R$ 76,4 mil.

O caso chegou ao fim em 2019 com a ordem de penhora de 14 gravuras do pintor Cândido Portinari que ela tinha em casa, em Higienópolis (SP). Cada uma foi avaliada em R$ 5 mil, sendo R$ 70 mil ao todo.

Na época, Roberta Luchsinger se apresentava como socialite e herdeira de banqueiro. Amiga de Fábio Luís, o Lulinha, filho mais velho do presidente, ela está agora no centro de três investigações sobre tráfico de influência no governo Lula.

Na entrevista à TV Globo, na quinta-feira, 27, Lula afirmou que nunca tinha visto Roberta na vida. "Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próximo de mim", salientou.

As redes sociais da lobista mostram outra realidade. Ela coleciona fotos ao lado de Lula. A contradição foi explorada por opositores e virou uma crise na campanha do petista. O Planalto soltou uma nota nesta sexta, 28.

A equipe do presidente disse que ele é "uma figura pública que, ao longo de sua trajetória e especialmente em campanhas e agendas públicas, é abordado por inúmeras pessoas para registros fotográficos" e que "a existência desses registros não significa relação pessoal, profissional ou política".

O Planalto não se manifestou sobre a promessa de doação de R$ 500 mil. Disse que o tema deveria ser encaminhado pelo PT porque na época Lula não era presidente da República.

Aliados dele afirmam que a doação anunciada jamais se concretizou e que Lula não tinha relação de proximidade com Roberta Luchsinger. As fotos são algumas das inúmeras que ele já tirou com uma infinidade de pessoas pelo Brasil, segundo essas pessoas.

Um assessor presidencial relatou à reportagem que quando vieram a público as relações de Roberta com Lulinha o presidente chamou a equipe para pedir esclarecimentos sobre quem era a mulher. Ao ser apresentado a uma foto e a notícias de 2017 sobre a doação, Lula teria respondido que não se lembrava da mulher e que o dinheiro jamais chegou.

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