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A confirmação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deve favorecer de forma direta o segmento de cafés industrializados do Brasil, avaliou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, em nota. Segundo ele, o impacto ocorre porque o café verde (in natura) já entra no mercado europeu sem tarifação, enquanto os produtos industrializados ainda enfrentam impostos.
Com o tratado, cafés solúveis e outros produtos industrializados brasileiros passarão por um processo de desgravação tarifária anual até que a taxa chegue a zero em um prazo de quatro anos. Para Matos, essa mudança deve elevar a competitividade do Brasil no bloco europeu e estimular o crescimento dos embarques. "Os cafés solúveis e industriais brasileiros terão desgravação anual da taxação que recebem até chegar a zero, em quatro anos, o que permitirá que o Brasil amplie sua competitividade na União Europeia", afirmou.
Além do efeito direto sobre volumes e receitas de exportação, o Cecafé destaca o potencial de atração de investimentos para a indústria de cafés industrializados instalada no País. Esse movimento, segundo Matos, pode ter reflexos sociais relevantes. "Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil, sendo esse um ponto de geração de empregos e renda nas regiões dessas fábricas", disse, ressaltando que o avanço contribui para melhorar "os índices de desenvolvimento humano (IDH) das populações locais".
O dirigente também avalia que o acordo Mercosul-UE funciona como um selo de credibilidade para o Brasil em futuras negociações comerciais. "Essa aceitação da atuação governamental brasileira pode ser entendida como uma qualificação para futuros acordos, como se tivéssemos subido de patamar", afirmou, citando o papel dos governos do Brasil, da Alemanha e da Espanha nas tratativas.
Nesse contexto, Matos aponta que o setor cafeeiro acompanha de perto possíveis entendimentos bilaterais com outros mercados. "Temos no radar as conversas que vêm acontecendo com Canadá e alguns países asiáticos, aparte das negociações em bloco", disse, avaliando que há "boa expectativa para que alcancemos acordos diretos com essas nações e possamos ampliar a presença dos cafés do Brasil nesses mercados".
Como representante dos exportadores, o Cecafé afirma que continuará atuando junto ao governo federal para apoiar novas negociações comerciais. "Seguiremos atuando para fomentar o governo federal com as informações relevantes e necessárias para essas negociações, de forma que alcancemos novos acordos e possamos fortalecer, ainda mais, a posição do Brasil como principal player do mercado global de café", concluiu Matos.
Abic
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, disse que o tratado cria as condições para que o Brasil avance além da exportação de café verde e ganhe espaço no mercado europeu com cafés industrializados. "A indústria brasileira comemora e celebra esse acordo O fato de isso ocorrer agora, já no início de 2026, é um ponto muito positivo para o Brasil", afirmou Cardoso. Ele destaca que o café é um dos principais itens da pauta exportadora brasileira para a UE e que o acordo tende a fortalecer essa relação comercial.
Para a Abic, o acordo está alinhado à estratégia de ampliar a participação do Brasil na receita global do café. "O Brasil produz cerca de 40% do café do mundo, mas representa apenas 2,7% da receita global do setor", observou Cardoso. "Esse acordo se alinha diretamente ao projeto da Abic de aumentar as exportações brasileiras na forma de cafés industrializados."
Embora o tratado ainda dependa de aprovações nos parlamentos nacionais e no Parlamento Europeu, a perspectiva é de redução gradual das tarifas ao longo dos próximos anos. "Nos próximos quatro a cinco anos teremos a plenitude da isenção pretendida dessas alíquotas", disse o executivo, ressaltando que o período de transição permitirá planejamento e adaptação por parte da indústria.
A redução gradual das tarifas de importação para cafés solúveis, torrados e outros produtos de maior valor agregado é vista como um fator fundamental para estimular investimentos, inovação e geração de empregos. Segundo Cardoso, a redução gradual das tarifas "permite que os dois blocos se preparem com tecnologia, investimento e mais emprego", abrindo espaço para que a indústria brasileira invista em tecnologia e se adapte às certificações exigidas pelo mercado europeu. Na avaliação da entidade, o novo cenário também deve impulsionar novos investimentos no parque industrial brasileiro.
Além do efeito direto do acordo comercial, Cardoso ressaltou a importância de uma estratégia consistente de promoção internacional. A Abic tem investido no fortalecimento da marca Cafés do Brasil como forma de sustentar a expansão no exterior. "Somente por meio de um investimento massivo, longevo e consistente em promoção e marketing é que as nossas indústrias conseguirão adentrar os supermercados da Europa com produtos industrializados", disse.
Segundo ele, ações recentes, como o rebranding da marca Cafés do Brasil e a exposição internacional obtida com o patrocínio no GP de São Paulo de Fórmula 1, indicam os próximos passos da estratégia. "A promoção e o marketing já encontram amparo legal e lastro no que o Brasil já faz, que é investir em cafés de qualidade, com sustentabilidade e tecnologia", concluiu.
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