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Meta desativa câmeras de milhares de óculos após usuários burlarem aviso de gravação

Meta desativa câmeras de milhares de óculos após usuários burlarem aviso de gravação

A Meta desativou remotamente as câmeras de milhares de óculos inteligentes cujos donos adulteraram o LED que avisa quando o aparelho está gravando. A informação foi divulgada no início desta semana e confirma uma medida que a empresa já vinha sinalizando desde julho: se o sistema detectar que a luz foi coberta, removida ou destruída, a câmera simplesmente para de funcionar, e o usuário fica impedido de tirar fotos ou gravar vídeos.

O pequeno LED branco é a principal salvaguarda de privacidade dos óculos das linhas Ray-Ban Meta e Oakley Meta: ele serve para avisar quem está por perto que a gravação está em curso e não pode ser desligado manualmente. Só que usuários descobriram que bastava cobri-lo com fita adesiva — ou danificá-lo de vez — para filmar sem que ninguém percebesse. A prática chegou a virar tutorial em redes sociais, com anúncios de serviços de modificação.

A Meta afirma que os aparelhos adulterados representam menos de um décimo de 1% do total vendido. Como a companhia comercializou cerca de 7 milhões de unidades apenas em 2025, o número absoluto fica na casa dos milhares. Alex Himel, vice-presidente de realidade aumentada da empresa, descreveu a situação como "um jogo de gato e rato", reconhecendo que sempre aparecem novas formas de contornar as proteções. Não há, até o momento, informação clara sobre um processo de reversão para quem teve o recurso bloqueado — na prática, esses óculos ficam reduzidos a um fone de ouvido caro.

Além do bloqueio, a Meta anunciou uma campanha pública para ensinar as pessoas a identificar quando os óculos estão gravando e prometeu remover anúncios de serviços de adulteração, suspender contas que estimulem a prática e avaliar medidas judiciais. A pressão sobre o produto não é nova: no Brasil, onde os óculos foram lançados recentemente, o Idec já pediu apuração de possíveis abusos, e entidades de direitos digitais defendem regras mais rígidas para câmeras vestíveis.

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