Um míssil balístico lançado pelo Irã foi abatido nesta quarta-feira, 4, por defesas aéreas e antimísseis da Otan, no leste do Mar Mediterrâneo, enquanto se dirigia ao espaço aéreo da Turquia. Segundo um comandante turco, que pediu para não ser identificado, o país "não era o alvo". "Acreditamos que o alvo era uma base no Chipre grego, mas o míssil desviou-se da rota", afirmou o militar à agência France Presse.
Segundo o Ministério da Defesa da Turquia, o míssil sobrevoou Iraque e Síria. Fragmentos caíram no distrito de Dortyol, na Província de Hatay, no centro-sul da Turquia, perto da fronteira síria, a pouco mais de 100 quilômetros do Chipre, sem deixar feridos.
O Reino Unido tem uma grande base aérea no Chipre, em Akrotiri, atingida recentemente por um drone iraniano lançado pelo Hezbollah. Os britânicos também mantêm uma base terrestre em Dhekelia. Os dois locais são resquícios da administração colonial, que terminou em 1960.
O Irã tem lançado mísseis e drones contra países vizinhos que abrigam militares dos EUA em retaliação à campanha americana e israelense. A base de Incirlik, na Turquia, tem um contingente significativo da força aérea dos EUA, mas o governo turco deu garantias aos iranianos de que não permitirá que seu espaço aéreo seja usado para ataques ao Irã.
O risco do míssil interceptado ontem seria ativar o Artigo 5.º da Carta da Otan, a cláusula de defesa coletiva. Um ataque à Turquia, como parte da aliança, seria considerado um ataque a todos os membros da Otan. Os turcos compartilham cerca de 480 quilômetros de fronteira com o Irã.
Em nota, a porta-voz da Otan, Allison Hart, condenou o lançamento do míssil. "A Otan permanece ao lado de todos os aliados, incluindo a Turquia, enquanto o Irã continua seus ataques indiscriminados pela região", disse. "Nossa posição de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, incluindo no que diz respeito à defesa aérea e antimísseis."
Um ataque à Turquia também mudaria a relação com os iranianos, com os quais os turcos mantêm boas relações diplomáticas e comerciais. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, esteve envolvido nos esforços para evitar a guerra. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, falou ontem por telefone com o chanceler iraniano e pediu que qualquer ação que amplie a guerra seja evitada.
Aliança
Recentemente, a Turquia vem sendo alvo de ataques retóricos de Israel. Durante uma conferência judaica nos EUA, na semana passada, Naftali Bennett, um dos candidatos mais fortes na disputa contra Binyamin Netanyahu nas eleições de outubro, falou sobre "a ameaça turca".
"Israel não deve fechar os olhos para a Turquia, parte de um eixo semelhante ao iraniano. Temos de agir simultaneamente contra as ameaças tanto de Teerã como de Ancara", disse. "A Turquia é o novo Irã."
Netanyahu reforçou a narrativa no domingo, anunciando planos para formar um novo arco de alianças para combater o que ele chamou de "eixo sunita". O bloco incluiria Grécia e Chipre, rivais regionais da Turquia. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
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