A notícia de turismo mais quente desta semana envolve uma aposta ambiciosa do Brasil no maior mercado emissor de turistas do mundo: a China.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, iniciou esta semana, em Xangai, negociações com a China Eastern Airlines — uma das maiores companhias aéreas estatais chinesas, com frota de mais de 800 aeronaves — para a criação de novas rotas aéreas entre Brasil e China. Durante as reuniões, também foram apresentadas propostas para ampliar a presença do Brasil nas plataformas da companhia, incluindo a exibição de filmes brasileiros nos voos da empresa.
O detalhe que desperta curiosidade é que isso não acontece do nada. O governo brasileiro liberou a entrada de turistas chineses sem visto até o fim de 2026 — a medida vale para viagens de até 30 dias e inclui turismo, negócios, atividades culturais, esportivas e artísticas.
E o perfil do turista chinês é surpreendente: o turista chinês gasta, em média, 20 dias viajando. Ele não vai fazer uma viagem de 30 horas para ficar apenas uma semana — o que o torna um dos visitantes com maior potencial de gasto do mundo.
Mas há um obstáculo claro. Atualmente, a única companhia aérea chinesa operando no Brasil é a Air China, que voa entre o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e Pequim com uma parada em Madri. Uma das cidades cotadas para receber os novos voos da China Eastern é o Rio de Janeiro.
Os números mostram por que isso importa tanto: turistas estrangeiros deixaram R$ 20,2 bilhões no Brasil apenas nos quatro primeiros meses de 2026, e para 2026, a projeção prevê aumento de cerca de 31% nas chegadas de turistas chineses — apesar do volume ainda ser pequeno diante do potencial desse mercado.
Em resumo: o Brasil está tentando virar parada obrigatória na rota dos chineses. E a estratégia começa, literalmente, colocando o Brasil na tela do avião deles antes mesmo de aterrissarem.
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