Em palestra no São Paulo Innovation Week (SPIW), o diretor da S&P Global, Felipe Perez, traçou um cenário preocupante para a segurança energética nas próximas décadas. Ao mesmo tempo que a geopolítica se torna mais conflituosa e transacional, com uma diplomacia menos diplomática, a demanda aumentada por energia, devido ao uso de novas tecnologias como a inteligência artificial (IA), pode levar a escassez.
"O mundo passa por transição energética, mas também precisa de adição energética", diz, citando que as novas fontes de energia, como a solar e eólica, podem adicionar capacidade, mas não no volume suficiente que o mundo deve exigir nas próximas décadas.
Estudo da S&P, que traça diferentes cenários, conclui que em 2060 o mundo vai precisar continuar explorando os combustíveis fósseis e ainda adicionar uma produção de mais de 30 milhões barris por dia de óleo cru vindas de reservas que ainda não foram encontradas. "Se olharmos no último século, a porcentagem dos combustíveis fósseis não mudou na matriz energética. Fica entre 75% a 80%", diz Perez, que apresentou o painel Segurança Energética no Mundo: Os Desafios da Geopolítica.
Os desafios de fluxos de petróleo continuarão também preocupando, como pode se perceber pela crise atual no Estreito de Ormuz: será possível que a produção chegue nos locais de demanda? "Existe uma grande a diferença entre o ranking dos países que mais produzem e quem mais precisa consumir", alerta Perez. "Em alguns casos, os países que mais precisam e os que mais consomem não são os melhores amigos no momento."
A previsão para 2035 é que os maiores exportadores sejam, nesta ordem, Arábia Saudita, Estados Unidos, Canadá, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Casaquistão, Brasil, Guiana e Venezuela. Já o ranking de maiores importadores terá China, Índia, EUA, Coreia do Sul, Japão, Alemanha, Tailândia, Espanha, Indonésia e Países Baixos.
A eletrificação das economias, de seu lado, também trará os seus desafios. "Os centros de inovação demandam necessidade tremenda de energia, mas quando se fala de avanço tecnológico se fala de terras raras e de minerais críticos. Mas tem um outro ponto mais básico: cobre", afirma. O mundo precisará aumentar em mais de 40% a mineração de cobre para atender à demanda, diz Perez, para chegar a produção de 42,3 milhões de toneladas cúbicas até 2040. "Não temos o suficiente. Vai ser preciso achar mais cobre", defende.
E, por fim, há o desafio mais conhecido, o do domínio da China na mineração e refino de terras raras e minerais críticos. "Imagina se 70% da produção de petróleo do mundo só pudesse sair de um único país. Todo mundo ficaria em pânico", afirma. É o que acontece com esses minerais, essenciais para a indústria de tecnologia e até para o setor de defesa.
Sobre o São Paulo Innovation Week
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
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