A cena cultural brasileira acordou sacudida nesta semana. Dois dos maiores nomes do funk nacional estão presos — e a história por trás das prisões revela um esquema financeiro de proporções impressionantes.
O que aconteceu?
A Polícia Federal deflagrou na manhã de quarta-feira, 15 de abril, a Operação Narcofluxo — uma megaoperação contra uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em esquemas de lavagem de dinheiro no Brasil e no exterior.
Entre os principais alvos: MC Ryan SP, de 25 anos, um dos funkeiros mais ouvidos do país, com mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, e MC Poze do Rodo, 27 anos, igualmente um fenômeno do streaming nacional.
Os detalhes que chocaram
Ryan Santana dos Santos foi preso enquanto participava de uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista. Ao ser rendido, questionou os policiais se estavam "atrás dele" e, ao confirmar que seria preso, passou a chorar e a falar da filha. Já MC Poze foi detido em casa, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.
A operação mobilizou cerca de 200 policiais federais, com mandados cumpridos em nove estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e o Distrito Federal.
O esquema e as apreensões
De acordo com a Polícia Federal, a organização utilizava um sistema sofisticado para ocultar recursos ilícitos, com uso de empresas, terceiros e até transações com criptoativos. A investigação apura crimes que vão do tráfico de drogas à operação de apostas e rifas online ilegais. Só em veículos de luxo foram apreendidos cerca de R$ 20 milhões.
Além dos dois cantores, também foram presos o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da famosa página Choquei, e Chrys Dias, produtor de MC Ryan SP.
A Narcofluxo é desdobramento de outra operação
Segundo o delegado responsável, a Narcofluxo é continuação da Operação Narcobet, deflagrada no final do ano passado, que já mirava essa mesma estrutura de lavagem de dinheiro. Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A curiosidade que poucos estão falando: Entre os itens apreendidos com MC Ryan SP estava um colar com a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo — um detalhe que diz muito sobre a cultura de ostentação que permeia parte da cena do funk nacional e que agora está no centro de uma das maiores operações federais contra lavagem de dinheiro dos últimos anos.
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