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Para IBGE, recuo industrial pode ter característica de ajuste após aceleração de 2025

O recuo da atividade industrial em junho pode ter características de ajuste após a aceleração de 2025, disse André Luiz Oliveira Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, explicou, a taxa de juros elevada tem impacto no poder de compra das famílias e nas decisões das empresas sobre produção e modernização dos parques produtivos.

"A foto do momento é de menor dinamismo, ressaltado pelo resultado mais espalhado no campo negativo, com 16 das 25 atividades no campo negativo, e pela magnitude da queda, que já havia acontecido no mês anterior", afirmou Macedo em entrevista coletiva para comentar os resultados da pesquisa. "Foi um espalhamento importante."

Ele também destacou que a política monetária mais apertada traz consequências para a demanda doméstica, com maior inadimplência e menor poder de compra das famílias, disse Macedo. "Isso também pode estar por trás do ritmo de produção da indústria, a fim de se adequar à demanda."

Além disso, aspectos turbulentos da esfera internacional também estão presentes no contexto da indústria e explicam o distanciamento que o setor tem de pontos mais elevados de sua série histórica, apesar do mercado de trabalho mais resiliente, com mais pessoas ocupadas, frisou o técnico.

Macedo informou ainda que a atividade industrial avançou 1,4% no primeiro trimestre de 2026 e desacelerou para 0,3% no segundo trimestre.

Influência negativa

A influência negativa mais importante sobre a produção industrial foi a do grupo coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho de 2026, marcando, o segundo mês seguido de queda na produção, período em que acumulou perda de 11,8%. O segmento responde por cerca de 15%. "A atividade derivada do petróleo e combustíveis havia acumulado 16,5% em cinco meses de expansão. Então esses dois meses no campo negativo maio e junho vão eliminar uma parte importante desse crescimento acumulado nesse período anterior, mas o saldo ainda é positivo."

Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e de material plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).

Influência positiva

Na mão oposta, entre as nove atividades que mostraram avanço na produção, celulose, papel e produtos de papel (5,4%) exerceu a principal influência na média da indústria e marcou o terceiro mês consecutivo de expansão, período em que acumulou crescimento de 7,3%.

Vale destacar também os impactos positivos registrados pelos setores de impressão e reprodução de gravações (20,2%) e de metalurgia (1,4%).

Adubos e fertilizantes

Influenciada pelas guerras em curso, a produção de adubos e fertilizantes puxou para baixo a indústria de produtos químicos, que recuou 4,3% e teve contribuição negativa no resultado da indústria em junho, segundo o IBGE.

"É uma atividade que cai de uma magnitude importante, acima da média da indústria. Recuou 4,3% em junho, elimina o ganho do mês anterior e tem neste produto, especificamente, um fato importante", disse André Macedo.

Porém, o técnico enfatizou que o recuo de 1,8% da indústria neste mês não se explica por apenas uma causa ou fator. "Todas as grandes categorias econômicas mostraram queda na produção e, também em termos de atividade. O espalhamento ele é um fator importante."

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