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Diário de Notícias

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Pesquisa aponta composto sintético promissor no combate à malária em diferentes fases da doença

Pesquisadores brasileiros anunciaram o desenvolvimento de um composto sintético com potencial para atuar contra a malária em múltiplos estágios da infecção, avanço considerado relevante no enfrentamento de uma das doenças infecciosas que mais matam no mundo. Os resultados iniciais indicam que a substância pode agir tanto na fase sanguínea — responsável pelos sintomas — quanto em etapas ligadas à transmissão do parasita, abrindo caminho para estratégias mais eficazes de controle da doença.

A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium e transmitida pela picada do mosquito Anopheles. Apesar de avanços no tratamento, o surgimento de cepas resistentes aos medicamentos atuais tem sido um dos principais desafios para a saúde pública global. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a doença ainda provoca centenas de milhares de mortes por ano, especialmente em países de baixa renda.

O novo composto foi desenvolvido em laboratório a partir de modificações químicas que aumentam sua capacidade de atingir o parasita em diferentes momentos do ciclo de vida. Em testes pré-clínicos, a substância demonstrou efeito duplo, reduzindo a carga parasitária no organismo infectado e, ao mesmo tempo, diminuindo a possibilidade de transmissão, um fator considerado crucial para interromper cadeias de contágio.

Especialistas explicam que a maioria dos medicamentos disponíveis hoje age apenas em fases específicas da doença, o que facilita o desenvolvimento de resistência. Um fármaco com ação mais ampla pode representar um salto estratégico no tratamento, sobretudo em regiões endêmicas, onde o controle da transmissão é tão importante quanto a cura do paciente.

Embora os resultados sejam considerados animadores, os pesquisadores ressaltam que o composto ainda precisa passar por novas etapas de testes, incluindo estudos de segurança, eficácia em humanos e avaliação de possíveis efeitos colaterais. O processo até a liberação de um novo medicamento pode levar anos, mas a descoberta reforça o papel da pesquisa científica no combate a doenças negligenciadas.

A OMS destaca que a inovação em tratamentos é fundamental para alcançar as metas globais de redução da malária, especialmente em um cenário de mudanças climáticas, que ampliam as áreas de circulação do mosquito transmissor. Caso o novo composto avance para fases clínicas com sucesso, ele poderá se tornar uma ferramenta importante na luta global contra a doença.

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