O Brasil negou o visto de dois oficiais do governo dos Estados Unidos que viriam ao País para, segundo o jornal The Washington Post, deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro a pedido do presidente americano, Donald Trump, e do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Ao Estadão, o Itamaraty confirmou que a entrada foi negada para Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado americano.
Ambos foram citados em conversas de oficiais dos EUA com o jornal americano. Nos diálogos, havia a indicação de que a dupla seria escolhida para desembarcar no Brasil, mas não foi informado o propósito da viagem.
Riley Barnes
Nascido na cidade de Uvalde, no Texas, Barnes se formou em Ciência Política pela Universidade Washington and Lee e possui mestrado em Relações Internacionais.
No site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ele é apresentado como subsecretário do Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, cargo que ocupa desde 2025.
Neste ano, Marco Rubio o indicou para atuar como Coordenador Especial dos Estados Unidos para Questões Tibetanas e lhe delegou as atribuições de Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional.
Antes de se tornar subsecretário, Barnes ocupou outros cargos no Departamento de Estado - onde iniciou sua trajetória em 2018, de acordo com sua rede social profissional.
Conforme o site do Departamento, por lá, ele foi conselheiro sênior do subsecretário para Assuntos Políticos, redator-chefe de discursos do secretário, integrante da equipe de planejamento de políticas, entre outras funções.
Também trabalhou como redator-chefe de discursos do então líder adjunto da maioria no Senado, John Cornyn, do Texas.
Antes de trabalhar para o governo americano, atuou no Atlantic Council, um centro de estudos de Relações Internacionais, onde foi diretor assistente e pesquisador de um centro para Estratégia e Segurança.
Samuel Samson
Samuel Samson, de 27 anos, é subsecretário-adjunto de Estado para o Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) no Departamento de Estado dos Estados Unidos e foi designado para o cargo em 3 de maio de 2026.
Anteriormente, ele atuou como conselheiro sênior de Políticas no DRL, tendo sido nomeado por Trump em 20 de janeiro de 2025.
Filho de mãe filipina e pai americano, Samson é nascido no Texas e se formou na Universidade do Texas em Austin, onde se especializou em teoria do direito natural e sua interseção com as políticas públicas americanas. Hoje, reside em Washington, D.C.
Conhecido por ser religioso desde cedo, em 2013, quando era presidente estudantil de sua escola primária católica em Houston, declarou ter "uma fé pessoal e ativa em Deus, um profundo respeito pelos valores intelectuais e uma consciência social que impulsiona à ação".
Já no ensino médio, Samson se candidatou ao conselho estudantil com o slogan inspirado no movimento MAGA, "Make America Great Again" (Tornar a América Grande Novamente, em tradução livre) e, segundo o jornal da escola, era conhecido como um "conservador feroz".
Na universidade, demonstrou frustração com o ambiente acadêmico. Após trabalhar durante um verão como assessor do senador republicano pelo Texas Ted Cruz, Samson afirmou ter recebido insultos e ameaças na universidade por causa de seu posicionamento político conservador.
Seu ativismo religioso o levou ao grupo político American Moment, ligado ao atual vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Samson trabalhou por quase três anos na entidade, principalmente como diretor de parcerias estratégicas.
Em 2025, sob a nova gestão de Donald Trump à frente da presidência dos Estados Unidos, Samson foi nomeado conselheiro sênior do Departamento de Estado, no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Ele permaneceu no cargo até maio de 2026, quando assumiu como subsecretário-adjunto de Estado.
Recentemente, ele viajou por África e Europa promovendo a política de Trump e fortalecendo relações com grupos de direita. Além disso, produziu relatórios que, segundo críticos, tratavam de questões relacionadas aos direitos humanos a partir de uma perspectiva partidária.
Não há registros públicos informando se o diplomata é casado ou se possui filhos.
Entenda o caso
De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Washington Post na sexta-feira, 24, o governo de Donald Trump pretendia enviar dois oficiais ao Brasil para lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
Autoridades brasileiras que conversaram com o jornal americano afirmam que a intenção dos EUA era elaborar um relatório que pudesse ser usado para deslegitimar o sistema de votação eletrônica do Brasil.
O Estadão apurou que o Brasil já havia identificado a intenção da Casa Branca no dia 20 de julho, quando o governo brasileiro soube que o Departamento de Estado dos EUA solicitara os vistos ao Consulado do Brasil em Washington.
Um sinal de alerta veio quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com embaixadores no dia seguinte, 21. No encontro, ele citou suspeitas já negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas eletrônicas.
Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater "liberdade de expressão relacionada às eleições". As autoridades brasileiras identificaram uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.
O TSE afirmou que a área internacional da Corte foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma visita de integrantes do governo americano, mas não foi informada sobre a pauta da agenda. A reunião não foi marcada em razão do recesso do Judiciário.
0 Comentário(s)