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"Raízes do Sagrado Feminino": o documentário brasileiro que pergunta se a desigualdade entre homens e mulheres foi "sacralizada" pelas religiões

Em pleno 2026, com os debates sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres mais acesos do que nunca, a cineasta Carla Camurati — a mesma que dirigiu "Carlota Joaquina, Princesa do Brazil", marco da retomada do cinema brasileiro nos anos 90 — lança uma pergunta incômoda: e se a desigualdade entre homens e mulheres não for apenas cultural, mas sagrada?

Essa é a provocação central de "Raízes do Sagrado Feminino", documentário que está em cartaz nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro. O filme investiga como os textos sagrados das cinco maiores religiões do mundo — Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo — moldaram, ao longo dos séculos, o lugar da mulher na sociedade. Todos esses textos milenares foram escritos por homens, e Camurati quer entender o que isso significou para metade da humanidade.

O documentário não busca atacar a fé de ninguém. A própria diretora faz questão de deixar isso claro: "Não se trata de atacar a fé, trata-se de questionar as interpretações", afirmou em entrevista. E completa: "Raízes do Sagrado Feminino não pretende dividir. Pretende iluminar. Porque compreender as raízes é o primeiro passo para transformar o futuro."

O filme reúne vozes como a da teóloga Ivone Gebara, da jornalista Adriana Carranca, da historiadora Mary del Priore e da Monja Coen, entre outros pensadores e pesquisadores. São depoimentos que se misturam com performances artísticas de Berna Reale, numa experiência que a crítica tem elogiado como imersiva e visualmente impactante.

Camurati acredita ter feito um filme que "confronta, provoca e desestabiliza", ao levantar uma hipótese inquietante: a estrutura simbólica que sustenta o patriarcado pode ter sido sacralizada ao longo da história. E lança a pergunta que fica ecoando: "Quem ganha quando elas, as mulheres, permanecem em silêncio?"

Com 80 minutos de duração, o documentário deverá chegar posteriormente às plataformas de streaming.


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