Um ranking contendo fotos de alunas e avaliações depreciativas de conteúdo sexual circulou em grupos privados de estudantes da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O material foi distribuído em um grupo privado de aplicativo de mensagens, mas acabou vazando até para pessoas de fora do círculo estudantil. A Polícia Civil já identificou cinco suspeitos.
A Unoeste informou que recebeu somente nesta quinta-feira, 20, a denúncia sobre a criação e a circulação de conteúdo com a exposição das acadêmicas. "Desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais", disse, em nota (veja mais abaixo).
A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que o caso é investigado por meio de inquérito policial aberto pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente. "Até o momento, seis vítimas foram identificadas e cinco suspeitos são investigados. Diligências estão em andamento para o esclarecimento dos fatos e responsabilização dos envolvidos", diz, em nota.
As fotos das estudantes foram retiradas de suas redes sociais sem autorização e reproduzidas no ranking, que foi distribuído em um grupo fechado de aplicativo de mensagens. Foram postados comentários abordando supostos atributos e desempenho sexual das alunas, acompanhados de termos depreciativos e ofensivos.
O caso chegou também ao conhecimento da Frente pela Vida das Mulheres, coletivo que atua há 10 anos na região, e motivou uma manifestação de protesto na frente do campus da Unoeste, na noite desta quinta-feira, 20.
Os manifestantes levaram faixas e cartazes. "Fomos às ruas diante de um caso grave de objetificação e violência contra mulheres dentro do ambiente universitário. Porque criar listas, rankings e classificar mulheres a partir de um suposto 'valor sexual' não é brincadeira, não é coisa de menino e não pode ser naturalizado. É expressão de uma cultura misógina que transforma mulheres em objetos e tenta fazer do ódio uma ideologia", postou o coletivo, em sua rede social.
Nesta sexta-feira, a Frente voltou a se manifestar sobre o episódio. "No ato realizado ontem tratamos com responsabilidade a gravidade das denúncias que vieram a público. Também apontamos que práticas de classificação, exposição e objetificação de mulheres não são fatos isolados: estas estão relacionadas à disseminação da cultura redpill no Oeste Paulista", diz.
Cultura redpill é um conjunto de ideias que afirmam que os homens perderam espaço para as mulheres e precisam agir de forma estratégica para recuperar sua posição na sociedade. "Dar nome a esse fenômeno é necessário para compreender como discursos misóginos se organizam, circulam e produzem consequências na vida das mulheres. Enfrentar essa cultura exige posicionamento das instituições e da sociedade", diz ainda o coletivo.
A Unoeste informou que, paralelamente à apuração, está acolhendo, amparando e ouvindo as acadêmicas envolvidas, com o cuidado necessário para preservar sua integridade, sua privacidade e sua dignidade.
"A Unoeste repudia qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade de integrantes de sua comunidade acadêmica. Também reforça a importância de não compartilhar imagens, nomes ou conteúdos relacionados ao caso, pois pode ampliar a exposição e os danos às pessoas envolvidas", diz a nota.
A instituição destaca ainda que mantém canais seguros e sigilosos para o recebimento de denúncias, com possibilidade de anonimato e preservação da identidade: a Ouvidoria (no site da Unoeste) e outros canais de denúncia. "A Unoeste seguirá adotando todas as providências necessárias para a apuração e o cuidado com as pessoas envolvidas", acrescenta.
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