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Diário de Notícias

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Redes sociais são tão perigosas quanto o cigarro para jovens, alertam médicos britânicos e o Reino Unido pode proibir o acesso para menores de 16 anos

Uma das notícias mais impactantes do momento no cruzamento entre tecnologia e saúde veio do Reino Unido e está repercutindo no mundo inteiro. A Academy of Medical Royal Colleges, organização que reúne as principais instituições médicas britânicas, declarou oficialmente que o uso das redes sociais por jovens representa um problema de saúde pública comparável ao tabagismo e ao não uso do cinto de segurança.

A comparação parece exagerada à primeira vista, mas os dados são alarmantes. Entre os 454 médicos entrevistados pela instituição, metade relatou tratar pelo menos uma criança por semana com angústia mental ou lesões físicas diretamente relacionadas a conteúdos vistos na internet. Não estamos falando de casos isolados — é uma epidemia silenciosa nos consultórios.

E tem mais: os médicos também relatam observar uma "onda de crianças radicalizadas" pela exposição a conteúdos de ódio, viciantes e extremamente perturbadores nas plataformas.

A pedopsiquiatra Emily Sehmer foi ainda mais direta. Ela afirmou à BBC que os perigos do uso excessivo das redes sociais são "piores" do que os do tabagismo, e defendeu que toda vez que um médico atender um jovem, deveria perguntar sobre o tempo de tela e uso de redes sociais, da mesma forma como se pergunta sobre hábitos alimentares ou uso de substâncias.

O impacto político já é concreto. O ex-secretário de Saúde Wes Streeting declarou apoio à proibição das redes sociais para menores, dizendo que o comportamento das big techs é "semelhante ao da indústria do tabaco". A ministra da Tecnologia, Liz Kendall, confirmou que novas medidas serão implementadas ainda este ano. O governo britânico já realiza desde março uma consulta pública sobre restrições para menores de 16 anos — e a decisão pode vir em breve.

O curioso é que o movimento não é exclusivo do Reino Unido. Portugal já aprovou legislação para impedir o acesso livre às redes sociais por menores de 16 anos, permitindo acesso a partir dos 13 apenas com autorização dos pais. Desde setembro de 2025, alunos portugueses até o 6º ano estão proibidos de levar smartphones para a escola. A França também seguiu caminho semelhante.

Essa notícia acende um debate fascinante: estamos no começo de uma era em que usar Instagram ou TikTok na infância será visto com o mesmo horror com que hoje encaramos crianças fumando? Se a tendência regulatória continuar, pode ser que em poucos anos a gente olhe para trás e se pergunte como isso foi permitido por tanto tempo.

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